quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Teste pode detectar Alzheimer em sangue, diz estudo

Por Julie Steenhuysen

Pesquisadores dos Estados Unidos desenvolveram uma forma de usar o sistema imunológico para testar a presença do mal de Alzheimer, uma técnica que pode levar à criação de um exame de sangue para a doença em poucos meses.

Um estudo da tecnologia mostrou com precisão a presença do mal de Alzheimer em amostras de sangue de seis pessoas com a doença, segundo o estudo de Thomas Kodadek, do Instituto de Pesquisa Scripps, em Jupiter, Flórida, publicado na quinta-feira na revista Cell.

Essa estratégia pode funcionar em outras doenças, como câncer, disse Kodadek em entrevista por telefone.

O teste procura os anticorpos ou proteínas do sistema imunológico, que protegem o organismo de ataques de invasores.

Anticorpos combatem infecções, mas Kodadek disse que os pesquisadores estão começando a achar que a maioria das doenças causa alterações nas células que fazem o corpo enxergar células como invasoras.

Ele acredita que o corpo pode produzir anticorpos em resposta a uma série de doenças e quer desenvolver testes de sangue que os detectem.

Sua equipe usou moléculas criadas em laboratório chamadas peptoides como substitutos do antígeno para detectar os anticorpos específicos do mal de Alzheimer.

Três deles reagiram fortemente ao sangue dos seis pacientes com mal de Alzheimer, mas não ao sangue de pessoas saudáveis.

Kodadek disse que testou várias amostras depois dessa, incluindo o sangue de pessoas com disfunção cognitiva leve, um sintoma de Alzheimer nos primeiros estágios, e o teste continuou eficaz.

Kodadek licenciou a tecnologia com a empresa OPKO Health Inc, que vai desenvolver kits de diagnóstico, que poderão estar disponíveis em seis a sete meses, segundo o cientista.

"A utilidade imediata do teste é ajudar as empresas farmacêuticas a estratificar pacientes para testes clínicos," disse ele.

A equipe tentou determinar se o teste pode distinguir entre diferentes doenças degenerativas, como lúpus e mal de Parkinson. "Chegamos a estudar outras formas de demência. Estes testes realmente parecem ser bastante específicos para o mal de Alzheimer," disse Kodadek.

O exame também foi feito no sangue de 200 pessoas idosas que não sofrem de demência e constatou que oito por cento tinham elevadas concentrações dos mesmos anticorpos encontrados em pacientes de Alzheimer, o que sugere que o teste pode ser eficaz para prever o aparecimento da doença.

Outros pesquisadores disseram que os resultados são encorajadores, mas preliminares, e precisam ser confirmados.

"Este estudo tem implicações significativas para o avanço da compreensão e tratamentos de doenças como a esclerose múltipla e o mal de Alzheimer," disse Bryce Vissel, chefe de pesquisa em doenças neurodegenerativas do Instituto Garvan, de Sydney, na Austrália, em comunicado.

O teste Kodadek é diferente dos outros sendo desenvolvidos para o mal de Alzheimer, uma doença cerebral incurável, que é a forma mais comum de demência. A doença é diagnosticada por sintomas, e confirmada por exame cerebral após a morte.

Em setembro, uma equipe da Universidade Texas Tech anunciou ter desenvolvido um teste sanguíneo para Alzheimer.

Outros cientistas verificaram que o exame do fluido cerebroesinal pode detectar o mal de Alzheimer avançado. Empresas de exames por imagens, como General Electric, GE Healthcare e a alemã Bayer estão desenvolvendo agentes de imagem para detectar proteínas Alzheimer em tomógrafos PET -câmeras especiais que produzem imagens de órgãos e funções do tecido no corpo.

Nenhuma droga pode tratar o mal de Alzheimer. Tratar a demência custa 604 bilhões de dólares mundialmente, segundo a entidade Mal de Alzheimer Internacional.

Fonte: O Globo / Reuters

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