segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

"Não sei que ódio é esse da esquerda", diz Torres de Melo


O Estado
Por Bruno Pontes
e
Rodolfo Oliveira

“Enquanto José Genoino não for julgado pelo Supremo Tribunal Federal, não deveria ele fazer parte de nenhuma atividade pública. Tem que haver moralidade”, diz o general Francisco Batista Torres de Melo, 86, sobre o ex-guerrilheiro do Araguaia que, em fevereiro, assumirá o cargo de assessor especial do Ministério da Defesa. Genoino, acusado de envolvimento no esquema do mensalão, é um dos 39 réus na ação que aguarda julgamento do STF.

Para Torres de Melo, o Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH) 3, registrado na Justiça Eleitoral como programa de governo de Dilma Rousseff, “foi montado inteligentemente para pavimentar o domínio do poder por um partido político”. A ministra Maria do Rosário, dos Direitos Humanos, prometeu trabalhar pela aprovação do plano. “Aqueles que acreditam na democracia deveriam opor-se ao PNDH 3, que representa a marcha para dar poder total às esquerdas”, afirma o general. Na tarde da última quinta-feira, em seu apartamento, ele recebeu a equipe do jornal O Estado para a seguinte entrevista:

O Estado - Como vê o convite feito a José Genoino para que assuma um cargo de assessor especial do Ministério da Defesa?
Torres de Melo - Temos que ter o mínimo de respeito à legalidade. Genoino é acusado pela Procuradoria Geral da República de integrar uma quadrilha. É dever de qualquer pessoa que preste serviço público zelar pelo trabalho que desempenha. Desta forma, enquanto Genoino não for julgado pelo Supremo Tribunal Federal, não deveria ele fazer parte de nenhuma atividade pública, até que os fatos sejam esclarecidos. O zelo pela coisa pública é que não pode ser quebrado. Tem que haver a moralidade pública. É preciso que haja regras bem claras, caso contrário a coisa degenera.

[OE] – Genoino pegou em armas para enfrentar o Exército e instaurar um regime comunista a partir do campo. Para o senhor, a indicação dele ao Ministério da Defesa é uma provocação às Forças Armadas?
[TM] – Ele foi anistiado. A anistia é para ambos os lados. Ele pode exercer cargo público, assim como o coronel [Carlos Alberto Brilhante] Ustra, a quem eles acusam, poderia ser Ministro do Exército. Para mim, Genoino foi anistiado. Não acredito que a indicação de Genoino seja uma provocação. Até pode ser uma jogada política para esvaziar a Comissão da Verdade, mas fazer hipóteses é difícil.

[OE] - Como vê a promessa da ministra da Secretaria dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, de implantar o PNDH 3?
[TM] - Quem conhece a História do mundo vê que aquele plano foi montado inteligentemente para pavimentar o domínio do poder por um partido político, partido este de esquerda e que, portanto, adora a ditadura. Quem foi de esquerda será de esquerda sempre. As esquerdas querem censurar a imprensa, para, desta forma, controlar toda uma nação. Só não enxerga quem não quer. Aqueles que acreditam na democracia deveriam opor-se a este plano. As esquerdas têm o direito de lutar pelo PNDH 3, assim como nós, os apreciadores da democracia, temos o direito de lutar contra. O PNDH 3 representa a marcha para dar poder total às esquerdas. Para dar o poder aos sovietes. Só o nome é que muda, porque hoje se você falar em sovietes é capaz de o mundo se acabar. Eles apenas mudam as palavras, inteligentemente. Eu reconheço a inteligência da esquerda. Ela come pelas beiradas. Comeu pelas beiradas o DEM, comeu o PSDB e agora vai comer o PMDB.

[OE] – O PNDH 3 inclui a Comissão da Verdade. Os defensores dessa comissão dizem que o Brasil precisa se reconciliar. O que o senhor acha do argumento?
[TM] - Reconciliação se faz conversando sem ódio. Você conversa com qualquer pessoa de esquerda e ela parece que espuma. Não sei que ódio é esse. Onde teve partido comunista vencedor, Vietnam, Cuba, União Soviética, Polônia, Camboja, foi um banho de sangue. A característica essencial do esquerdista é o ódio. “Nós temos que tomar o poder e matar, e matar, e matar”. Eles despertam o ódio, e depois vêm querer amor. Quando esse rapaz da Venezuela [Hugo Chávez] fala, parece que ele vai dar um murro na televisão. O Fidel Castro, quando falava, parecia que ia dar um murro em alguém. O democrata fala com calma, com serenidade. A esquerda só aceita o diálogo quando impõe a vontade dela.

[OE] - A Constituição pode frear a sanha totalitária de alguns desses partidos?
[TM] - A Constituição brasileira é uma colcha de retalhos. É tão falsa que todo dia alguém apresenta uma mudança. Além disso, ela é desrespeitada solenemente. É uma Constituição de faz de conta. Infelizmente, a lei brasileira não é cumprida. Se fôssemos um país sério, Lula seria punido com muito mais rigor por fazer propaganda eleitoral irregular em favor de Dilma Rousseff. Exemplo: Winston Churchill, herói britânico, foi fazer comício numa praça de Londres, onde não era permitido pisar na grama. Churchill pisou. O guarda chegou para ele, o primeiro ministro da Inglaterra, e falou: “O senhor não pode pisar na grama”. Churchill arrumou um banco e subiu nele. O exemplo é tudo. Se o general vai para o quartel de camisa aberta, o soldado vai de calção. O exemplo tem que vir de cima.

[OE] – O que o senhor pensa ao ouvir a geração agora no poder alegar que lutou pela instauração da democracia?
As esquerdas queriam implantar uma ditadura soviética no Brasil, como fizeram em Cuba. Aliás, como já tinham tentado em 35 [refere-se ao levante comunista liderado por Luís Carlos Prestes com o objetivo de implantar uma ditadura de cunho marxista-leninista no Brasil. O levante foi financiado pela União Soviética]. A esquerda fala que em 1964 a esquadra americana estava aqui na costa. Eu nunca vi. Quando as esquerdas trazem os estrangeiros para fazer a Revolução de 35, vale. Quando as esquerdas saem daqui para fazer curso de guerrilha em Cuba, vale. Quando nós nos defendemos contra a guerrilha comunista que ameaça o País, não vale. Minha dúvida é: os esquerdistas foram para Xambioá fazer o quê? Plantar rosas? Se provarem que eles foram plantar rosas, o Exército errou em combatê-los. E depois, os esquerdistas vêm com essas histórias de “Ah, usaram a força bruta contra os meninos”. Os “meninos” foram para lá porque quiseram, ninguém os convidou.

[OE] – O que é ensinado nas escolas e no meio cultural é exatamente o oposto do que o senhor diz. Professores e intelectuais contam que a esquerda sempre foi compromissada com a democracia e coisas desse tipo.
[TM] - A esquerda fez um trabalho muito inteligente, penetrando nas universidades, procurando dominar a imprensa, etc. É mentira que a esquerda tenha compromisso com a democracia. A esquerda sempre foi ditatorial. Não há hipótese de esquerda democrática. Porque só Marx tinha a verdade, só Lênin tinha a verdade, só Stalin tinha a verdade.

[OE] – O que o senhor pensa do acolhimento de Cesare Battisti por Lula?
[TM] - Demonstra bem a mentalidade medíocre do presidente. É um homem sem lei, sem visão. Ele, pensando em ser muito esperto, deixou para o último dia de mandato. Olha o abacaxi: toda a Europa contra o Brasil. Eles não são contra a ditadura? Então por que o Lula sai daqui para beijar o Fidel Castro? Se eles são contra a ditadura, por que o Brasil protege o presidente do Irã? O Senado italiano, onde tem senador comunista, votou por unanimidade uma moção contra o Brasil porque o Brasil não deixa o Battisti ser extraditado. O comunista de lá está errado ou certo? Quer dizer que o comunista da Itália pensa diferente do comunista brasileiro? Aqui ficam dizendo “Coitadinho do Battisti”. Não tem cabimento.

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