quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Maior país “ateu” do mundo é maioritariamente religioso


Apesar de décadas de doutrinação, apenas 15% dos chineses identificam-se como ateus.


Cerca de 85% dos chineses professa uma religião ou admite ter praticado um ritual religioso no passado recente, segundo um estudo sobre a vida espiritual dos residentes da China, levado a cabo pela Associação de Arquivos de Dados Religiosos.

Os números podem ser considerados surpreendentes, tendo em conta que a China é um país oficialmente ateu, que encoraja o ateísmo no sistema de educação e nos locais de trabalho e chega a exigi-lo aos membros do Governo e do Partido Comunista.

Contudo, a esmagadora maioria dos inquiridos admitiu ser religioso ou revelou ter práticas de natureza religiosa.

A influência chega também ao Partido, 17% admite ter uma religião e outros 65% terão praticado um ritual religioso durante o último ano.

O estudo, da autoria dos sociólogos Fenggang Yang e Rodney Stark, mostra ainda que a maior religião na China é o Budismo, com 18% da população, o que se traduz em 185 milhões de pessoas.

O Cristianismo contará com cerca de 3,2%, ou seja, cerca de 33 milhões, mas os autores referem que outros 40 milhões de pessoas mostrou partilhar algumas crenças cristãs.

As práticas espirituais soltas, como a veneração dos antepassados, têm ainda mais aderentes, chegado aos 745 milhões de pessoas.

Yang e Stark dizem que, perante estes dados, é absurdo falar dos chineses como um povo ateu, independentemente da posição oficial do Governo.

A China não é o único país a declarar-se oficialmente ateísta, Coreia do Norte, Vietname, Laos e Cuba, todos países comunistas também o são, embora Cuba tenha liberalizado as suas atitudes em relação à Igrejas nos últimos tempos.


Fonte: Renascença

Um comentário:

Anônimo disse...

CONFÚCIO ou Kung-fu-tse significa “o sábio Sr. Kung”, baseado no livro Analectos. É um conjunto de idéias, pensamentos, regras e rituais desenvolvidos pelo filósofo. Seus ensinamentos e doutrinas prevaleceram na China até 1911, ano da queda do imperador , considerado o filho do Céu e da Terra.
Para ele, o homem devia buscar sempre a piedade filial, o respeito e a reverência e viver em harmonia. Pelas províncias disseminava suas idéias e lançava as suas sementes por todas as regiões, procurando ensinar a vida nobre de homens superiores para uma nova nação de super-homens. Era um filósofo que oferecia também seus serviços aos príncipes, à procura de um reino.

Quando já tinha milhares de seguidores pôs-se a compilar, editar e rever os clássicos antigos, para a orientação diária de seu povo. Criou um Novo Testamento baseado na antiga Bíblia Chinesa. Era porém uma Bíblia sem Deus, pois Confúcio como Buda era ateu. Não acreditava, nem no céu nem no inferno, mas acreditava em seus semelhantes e sustentava que, se a humanidade tivesse um governo justo durante um século, toda a violência desapareceria da Terra.

De acordo com o seu pensamento, redigiu um código de regras definidas, para o governo de seu povo, e uma série de ritos de cerimônias para sua auto-disciplina.

Solicitado a definir todo o seu código de ética numa só palavra, respondeu: Reciprocidade. Que quer dizer, apenas, (usado quinhentos anos depois pelos cristãos):

“O que não gostais que vos façam, não o fazei a outrem”.

Confúcio (551-479 a . C), revolucionário, não se interessava por animais, nem por anjos, mas sim pelos homens. Morreu com a idade de setenta e dois anos, pobre, derrotado e desiludido. Sua vida fora um fracasso. Seus poucos seguidores foram perseguidos e um imperador mandou queimar seus livros. Certos sábios zelosos esconderam alguns de seus exemplares que possuíam e descobertos foram queimados vivos por desobediência ao rei.

Ambos, Confúcio e Lao-Tse, definiram a filosofia chinesa, tentaram criar uma raça de homens de bem, mas até hoje não conseguiram fazer-se ouvir. Hoje, os livros de Confúcio na China, são tão populares como o é a Bíblia no Ocidente.
Combatida durante a Revolução Cultural (1966-1976) e durante todo o século XX como símbolo do atraso chinês em relação ao restante do mundo, a escola de pensamento fundada por Confúcio há 2,5 mil anos vive um boom na China de hoje. Com a ideologia comunista enterrada pelas reformas capitalistas, a antiga escola de pensamento chinesa sobreviveu e é vista como a mais confiável pelos poderosos para preencher o vácuo espiritual do país do que as diferentes formas de religião e o nacionalismo exacerbado praticado por alguns grupos de jovens.

O Confucionismo é a filosofia que moldou a identidade chinesa e desenvolveu os princípios sobre os quais a organização social do país se baseou durante mais de dois milênios: hierarquia, respeito à tradição, obediência, valorização da educação, respeito filial, veneração dos ancestrais e a noção de que cada um ocupa um lugar determinado na sociedade e com isso, contribui para o relacionamento harmônico entre todos. As idéias do antigo filósofo se tornaram linguagem de auto-ajuda e transformam as máximas em conselhos para a vida moderna. Uma leitura interessante é o livro é “Reflexões da Professora Yu Dan sobre Confúcio”. CONFÚCIO é considerado o maior homem de idéias do mundo.