quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Líderes religiosos do Iraque apelam por proteção a cristãos

Reuters / O Estado de S. Paulo

Líderes religiosos cristãos e muçulmanos do Iraque fizeram na quinta-feira um apelo por unidade na proteção à comunidade cristã do país, alvo de uma série de recentes ataques.

Milhares de cristãos fugiram de Bagdá depois de um atentado, em outubro, contra uma catedral cristã siríaca, que matou 52 pessoas, e de explosões de bombas, em dezembro, nas casas de cristãos, com saldo de 2 mortos e 16 feridos.

Num encontro na quinta-feira, Ahmed Abdul Ghafour al-Samarrai, líder religioso da minoria muçulmana sunita, disse que criminosos não irão conseguir dividir os iraquianos por questões étnicas e religiosas.

"Os iraquianos são um só sangue. Se a parte cristã sofre, o resto do corpo muçulmano irá reagir a isso. O sangue iraquiano é sagrado, não se pode cruzar uma linha vermelha", disse Samarrai aos participantes da conferência, intitulada "O Diálogo das Religiões", na zona oeste da capital.

Insurgentes sunitas ligados à Al Qaeda reivindicaram a responsabilidade pelos atentados, que despertaram temores de uma retomada da violência sectária que assolou o país depois da ocupação norte-americana, em 2003, e atingiu seu auge em 2006/07.

O grupo Estado Islâmico do Iraque, afiliado à Al Qaeda, diz que os cristãos iraquianos serão alvo de novos ataques se não pressionarem a Igreja Cristã do Egito a libertar mulheres que supostamente estariam sendo mantidas presas depois de se converterem ao Islã.

Os cristãos já chegaram a ser mais de 1,5 milhão no Iraque, mas se estima que atualmente esse contingente tenha caído para 850 mil pessoas, numa população total de 30 milhões, onde a maioria é composta por muçulmanos xiitas, com uma expressiva minoria sunita.

Cerca de mil famílias cristãs já fugiram para o Curdistão iraquiano (região semiautônoma no norte do país) ou para nações vizinhas desde o ataque à catedral, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).

"O cristão do Iraque não é inimigo de ninguém, nunca apontou uma arma para ninguém, e nunca lutou para expulsar os muçulmanos das suas casas neste país", disse Abdullah al-Naftali, líder de uma congregação cristã iraquiana.

O encontro inter-religioso, o primeiro do gênero no país, ocorreu na mesquita Um al-Qura, na zona oeste da capital.

Uma imagem de duas mãos surgindo de duas famosas mesquitas, uma sunita e outra xiita, e envolvendo a catedral de Nossa Senhora da Salvação, cenário do atentado de 31 de outubro, estava exposta em uma das paredes da mesquita.

A violência no Iraque teve um forte declínio desde o auge da tensão sectária, mas tiroteios e explosões ainda ocorrem diariamente.

(Reportagem de Khalid al-Ansary)

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