sábado, 18 de dezembro de 2010

Incêndio em Israel faz árabes e judeus se unirem

Em uma das maiores tragédias da história de Israel, inimigos históricos deixaram diferenças de lado para se ajudar

The New York Times - Último Segundo

As chamas cercaram a casa de Ed Sernoff no vilarejo de Ein Hod, onde vivem artistas israelenses no monte Carmelo, perto da cidade portuária de Haifa, atingindo a estrutura de pedra e quebrando uma janela e deixando-o intacto. Mas a casa de estilo chalé que seu filho havia construído ao lado foi destruída.

Judeus ortodoxos observam fogo em floresta em Haifa, Israel

Da aldeia árabe-israelense de Ayn Hawd em um morro próximo, Zakaria Abu Al-Hija observou os telhados de Ein Hod, a vila da qual seu pai e outros parentes fugiram ou de onde foram expulsos durante a guerra de 1948.

Grande parte dos moradores árabes originais de onde é Ein Hod se tornaram refugiados. Mas Abu Al-Hija diz que aqueles que ficaram e se tornaram cidadãos israelenses têm boas relações com seus vizinhos judeus na colônia de artistas, e que o fogo que teve início há quase duas semanas e durou quatro dias, não distinguiu árabes e judeu.

Depois de o fogo ter sido apagado, milhares de deslocados voltaram para inspecionar os danos. Os judeus contaram como vilas árabes da região haviam lhes oferecido abrigo quando o fogo se aproximava, enquanto os árabes de Ayn Hawd disseram ter recebido centenas de telefonemas e ofertas de ajuda de judeus.

Debruçadas sobre o monte Carmelo com vista para o Mediterrâneo, Ein Hod e Ayn Hawd encapsulam alguns dos paradoxos da Israel moderna.

Durante os combates, em 1948, as forças sionistas atacaram e invadiram Ayn Hawd e outras aldeias na região como parte de uma operação para impedir milícias árabes de atirar contra carros na estrada Haifa-Tel Aviv. Até o fim das hostilidades, cerca de 400 aldeias árabes de todo o país haviam sido arrasadas.

Retiro
Mas o pintor romeno Marcel Janco, um dos fundadores do movimento Dada, que veio para a Palestina fugindo dos nazistas, implorou para que a pitoresca Ein Hod, então Ayn Hawd, fosse mantida como um retiro romântico. A colônia de artistas foi criada em 1953 e agora tem uma população de mais de 500 habitantes.

Cerca de 700 mil árabes fugiram ou foram expulsos de suas casas durante a guerra e se tornaram refugiados, enquanto aproximadamente 150 mil ficaram para trás. Os cidadãos árabes de Israel representama hoje 20% da população.

Foto: AP
Bombeiros combatem fogo na região norte de Israel (03/12)

Entre aqueles que ficaram estavam cerca de 20 membros da família Abu Al-Hija, incluindo o pai de Zakaria, Muhammad, que permaneceu em suas terras. Impedidos de voltar a suas casas na aldeia, eles montaram uma nova Ayn Hawd nas proximidades.

Mubarak Abu Al-Hija, o líder da aldeia, disse que estava muito triste com as mortes no incêndio. Ele afirmou que se identificou com o povo de Ein Hod, cujas propriedades foram queimadas e prometeu: "Farei tudo que puder para ajudar".

*Por Isabel Kershner

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