sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

‘Financial Times’: Opus Dei injeta cristianismo no capitalismo


Sílvio Guedes Crespo - Radar Econômico

O jornal britânico “Financial Times” examinou uma das escolas de negócios mais proeminentes do mundo, a Iese Business School, que pertence à organização católica Opus Dei. O diário tenta explicar a relação entre esse segmento religioso e o capitalismo.

A conclusão aparece no início do texto: essa escola “é o centro dos esforços dos movimentos mais conservadores da Igreja Católica para injetar princípios cristãos no capitalismo global”.

A Iese, fundada em 1958 como parte da Universidade de Navarra, tem também cursos técnicos e escolas de negócios em outros países, incluindo unidades recém inauguradas em Lagos (Nigéria) e Nova York (Estados Unidos). Projetos na América Latina, no Leste Europeu e na África estão em curso.

A escola se destaca entre as instituições de ensino e pesquisa ligadas ao cristianismo “por sua absoluta qualidade”, afirma o “FT”. “Mas por que ela é tão boa? E qual o papel da sua afiliação religiosa?”

A organização acredita que as pessoas devem aspirar a santidade nas atividades rotineiras, inclusive no trabalho, disse ao jornal o padre Domènec Melé. “Seria estranho oferecer a Deus uma coisa ‘meia-boca’. Se você está tentando dar o máximo, por Deus, então você provavelmente vai ser promovido e trabalhar direito”, afirmou um aluno.

A partir de depoimentos de membros da Opus Dei e alunos, a reportagem observa que a escola procura adotar “noções de respeito, honestidade, integridade e a ideia de que os negócios devem considerar as conseqüências humanas das decisões”. Esses princípios, avalia o jornal, “deveriam basear qualquer decisão empresarial”.

Como resultado, a Iese teve uma receita de 77 milhões de euros para o ano letivo, oriunda do apoio de mais de cem empresas, doações de funcionários e pagamento de mensalidade dos alunos (o MBA de dois anos custa 87 mil euros).

O texto é predominantemente favorável à instituição, mas não deixa de citar as críticas que normalmente são feitas. Por exemplo, as acusações de “lavagem cerebral” dos jovens e a influência na política, no Poder Judiciário e no mundo dos negócios, especificamente na Espanha e na América Latina. O jornal diz, ainda, que críticos da Opus Dei a acusam de ter uma lista de livros para cuja leitura é requerida uma autorização prévia, como obras de Jean-Paul Sartre, Karl Marx, Anthony Burgess e outros. A organização nega as acusações.

Leia a reportagem completa no site do “Financial Times” (em inglês)

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