segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Cuba descumpriu prazo de libertação de presos políticos

Familiares de presos políticos e a oposição acusaram o governo cubano de mentir por não ter cumprido o prazo para concluir a libertação de 52 prisioneiros, que venceu neste domingo, uma vez que 13 ainda permanecem detidos por se recusarem a ir para o exílio.

"Somos mulheres cheias de fé (...). Que o coração dos governantes se compadeça, que cumpram o prometido, porque se não cumprirem" estarão "enganando" e "brincando" com a Igreja, com a Espanha e com a comunidade internacional, alertou Laura Pollán, líder das Damas de Branco, movimento organizado por esposas dos presos políticos.

Após um histórico diálogo com o cardeal Jaime Ortega, arcebispo de Havana, Raúl Castro se comprometeu com a Igreja católica a libertar, até o dia 7 de julho, 52 presos políticos, em um processo gradual apoiado pela Espanha e em um prazo "de no máximo quatro meses".

Trinta e nove foram soltos depois de aceitarem viajar para a Espanha, mas 13 permanecem na prisão após rejeitarem o exílio, explicou Bertha Solar, outra líder das Damas de Branco.

"Vamos continuar lutando enquanto houver presos políticos pacíficos. Queremos que não haja presos políticos nas prisões cubanas", destacou Pollán.

"A Igreja nos diz para ter esperança, que eles acreditam, assim como a embaixada da Espanha, que eles vão ser libertados, mas eles não sabem de nada. Este governo é muito hermético, talvez hoje libertem os 13", estimou Pollán, casada com Héctor Maseda, um dos presos que se recusa a aceitar o exílio.

Depois da missa em Santa Rita, o padre José Félix Pérez, secretário da Conferência Episcopal, disse que "teria sido desejável" que o governo agisse "de acordo com o que anunciou".

"Esperamos que as decisões (certas) sejam tomadas e que o sofrimento e estas expectativas sejam aliviados de alguma maneira, pois estão criando problemas nos sentimentos das esposas e de outros familiares dos presos", destacou.

A dissidência afirma que o governo está tentando "desprestigiar" a oposição, até mesmo com episódios de violêcia, para "desmantelá-la" enviando para o exílio os presos libertados. Havana os acusa de estar a serviço dos Estados Unidos.

"É surpreendente. Eu esperava que, a esta altura, estivessem soltos. O governo empenhou sua palavra com a Igreja e não deve querer manchar sua imagem. Continuaremos esperando", declarou por sua vez Oscar Espinoza, ex-preso político libertado em 2004 por problemas de saúde.

Fonte: Terra

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