quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Padre mantém campanha contra "partido abortista"

Pe. Luiz Carlos Lodi: ataques a Serra agora se voltam contra Dilma

Religioso avisa seus fieis que Serra, na questão de aborto, é "incêndio controlado" e Dilma, "catástrofe incontrolável".

Em uma pequena sala ao lado da catedral Bom Jesus, no centro de Anápolis (GO), o padre Luiz Carlos Lodi mantém seu bunker e suas ofensivas contra os defensores da descriminalização do aborto. Foi de lá, em 1998, que o religioso deu início à sua cruzada contra o então ministro da Saúde, José Serra. Na época, Serra havia assinado a norma técnica que permitia, na rede do SUS, a realização do aborto em mulheres vítimas de estupro.

Atualmente, o alvo de Lodi mudou de direção. Mira a candidata à Presidência, Dilma Rousseff (PT) que, de acordo com ele, faz parte de um partido abortista.

Voto útil – Na disputa entre Serra e Dilma, neste segundo turno, o padre, que preside o movimento Provida de Anápolis, prega o voto útil.

Ele também faz uma espécie de apoio crítico ao tucano, considerado por ele como um "mal menor". Lodi repete as expressões e as metáforas do bispo emérito de Anápolis, dom Manoel Pestana, e diz que Serra, nessa questão de aborto, é um "incêndio controlado" enquanto Dilma, uma "catástrofe incontrolável".

"Na falta do bom, a gente vota no menos mau", afirma o padre Lodi.
Já contra a petista, o religioso usa recorre a todas as mídias possíveis: panfletos, o pequeno jornal do Provida, a internet, os telefonemas e até a homilia nas missas que celebra todos os dias.

"Não posso me calar. O crime do aborto é o tipo de homicídio que mais ofende a Deus. Peço aos cristãos que rezem, dobrem os joelhos mesmo. A Dilma dizer agora que é a favor da vida e que nunca defendeu o aborto é alterar a verdade dos fatos".

O padre Lodi tem 46 anos e ganhou notoriedade no final da década de 90, na investida contra a suposta tentativa de legalização do aborto. Ele organizou uma grande manifestação contra Serra, no terceiro aniversário da norma que permitiu o chamado "aborto legal", em 9 de novembro de 2001.

Lodi chegou a compor um jingle contra a iniciativa do ministro. A letra diz que "médico não é carrasco e hospital não é matadouro". O refrão faz um apelo: "senhor ministro, revogue a norma técnica do aborto".

Atenuantes – Hoje, Lodi minimiza a participação de Serra na elaboração do texto e afirma que o presidenciável tucano tem três atenuantes.

"O Serra se viu obrigado a assinar o documento, que já estava na sua mesa; não é jurista; e, na sua trajetória, nunca foi um militante pró-aborto. Ainda assim lamento muitíssimo. Gostaria que ele se arrependesse", diz Lodi.

Em um dos boletins do Provida, o padre recomenda os votos a favor de Serra e aconselha os fiéis de Anápolis que, ao entrarem na cabine eleitoral no dia 31 de outubro, rezem para não cair na tentação de anular o voto.

"Na hora de pressionar as teclas, talvez seja preciso prender a respiração antes de digitar 45 (número de Serra). Mas o amor à Deus e à Pátria exige de nós esse sacrifício".

Contra o aborto – O Provida de Lodi mantém um abrigo para acolher mulheres, de todas as faixas etárias, que engravidam de padrastos, homens que não assumem a responsabilidade e várias vítimas de violência sexual. O padre estimula as mulheres, mesmo aquelas que sofreram estupro e até com 11 anos de idade, a terem o filho.

"É um mito dizer que a mãe rejeita o filho resultante do estupro. Pelo contrário. Todas elas têm um apego extraordinário a eles. É o preferido da mãe".

Sobre José Serra ter se declarado ser a favor da união civil entre homossexuais, Lodi alerta o tucano. "Me deixou chateado. Ele vinha crescendo nas pesquisas. Espero que ele volte atrás até o dia 31".

O religioso, que se formou em Direito, agora está fazendo doutorado. O tema de sua tese de dissertação é "A alma do embrião humano". Mais uma investida do padre, semre a favor da vida.

Fonte: Diário do Comércio

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