quarta-feira, 13 de outubro de 2010

'Líbano é a universidade da jihad', diz Ahmadinejad em Beirute


Recebido com honrarias por grupos xiitas alinhados ao Hezbollah em Beirute, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, discursou nesta quarta-feira para uma plateia de 40 mil pessoas que se aglomeraram no estádio al-Raya, no distrito de Dahiyeh, quartel-general do grupo islâmico nos arredores da capital libanesa. O evento teve a participação do líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, maior aliado político de Ahmadinejad na região.

Em sua primeira visita a Beirute, o presidente iraniano - cujo governo investiu mais de US$ 1 milhão na reconstrução de áreas destruídas na guerra travada contra Israel em 2006 - afirmou que Líbano, territórios palestinos, Síria, Turquia, Irã e Iraque foram um bloco uníssono de resistência na região.

- O Líbano é a universidade da jihad, da resistência e da perseverança contra os tiranos deste mundo - afirmou o iraniano, numa referência velada a Israel.

Ahmadinejad reuniu-se mais cedo com o premier, Saad Hariri, o líder do Parlamento, Nabih Berri, e o presidente libanês, Michel Suleiman. Segundo a imprensa local, os dois governos assinaram 13 memorandos de acordos bilaterais.

Milhares de xiitas libaneses ofereceram uma grande recepção ao presidente do Irã. Jogando flores e arroz sobre o sorridente Ahmadinejad, que acenava num carro aberto, os xiitas tomaram o percurso do aeroporto ao palácio presidencial de Beirute.

O caminho estava decorado com bandeiras iranianas, cartazes, balões e fotos de Ahmadinejad, do líder máximo do regime islâmico do Irã, Ali Khamenei, e do falecido aiatolá Ruhollah Khomeini, fundador da República Islâmica.

Vista com preocupação por potências ocidentais e como uma provocação por Israel, a visita causou alarme também entre políticos libaneses pró-Ocidente, que participam do frágil governo de unidade nacional. O gabinete já enfrenta divisões por causa de uma investigação internacional a respeito do assassinato do ex-premier Rafik Hariri, morto em 2005 e pai do atual premier, Saad Hariri.

Governistas libaneses criticam presidente iraniano
A investigação deve levar ao indiciamento de membros do Hezbollah, que faz parte do governo e vem enfrentando pressão em um momento delicado no cenário político do país. A bancada parlamentar leal a Saad Hariri criticou Ahmadinejad por tratar o Líbano como "uma base iraniana no Mediterrâneo".

- A mensagem é que o Irã está na fronteira com Israel. Sua visita ao sul será uma provocação, ele não precisa ir lá - declarou Fares Soaid, coordenador do bloco governista 14 de Março.

Já os xiitas do Líbano sentem gratidão pelo apoio do Irã ao Hezbollah - que em 2006 travou uma guerra de 34 dias contra Israel - e também pela ajuda do governo iraniano à reconstrução do país.

- Ele ficou ao nosso lado durante os problemas do Líbano, a agressão de 2006. Não é demais ficar aqui para recebê-lo, nem que tivéssemos de passar dois dias em pé - disse Mahmoud Darwish, 50 anos, que foi com seu filho recepcionar o presidente do Irã. - Ele nos ajudou a reconstruir o Líbano. Não fosse isso, nossas casas ainda estariam destruídas e ainda estaríamos vivendo em tendas.

Presidente iraniano visitará fronteira com Israel na quinta-feira
Ahmadinejad, que certa vez propôs apagar Israel do mapa, deve visitar na quinta-feira cidades libanesas próximas da fronteira com Israel, que foram duramente bombardeadas no conflito de 2006.

O Ocidente acusa o governo iraniano de fornecer armas para o Hezbollah, que diz ter um arsenal de mais de 30 mil foguetes. O Irã nega o tráfico de armas para o grupo xiita. O governo iraniano presta auxílio militar ao Líbano - algo que os EUA deixaram de fazer em agosto, por causa de objeções no Congresso.

Na semana passada, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse ter manifestado sua preocupação com a visita de Ahmadinejad em um encontro com o presidente libanês.

Fonte: O Globo

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