sexta-feira, 29 de outubro de 2010

China intensifica repressão após Liu Xiaobo receber Nobel da Paz, diz ONG


Dezenas de dissidentes e ativistas de direitos humanos continuam sob prisão domiciliar na China enquanto o governo tenta coibir manifestações de apoio a Liu Xiaobo, ativista que está preso e ganhou o Prêmio Nobel da Paz neste ano, afirma uma ONG com sede em Nova York.

O Partido Comunista Chinês mobilizou policiais e guardas para manter pessoas consideradas simpáticas a Liu confinadas em suas casas ou sob constante vigilância, disse a entidade Human Rights in China numa nota à qual a Reuters teve acesso nesta sexta-feira.

Dissidentes chineses também confirmaram essa situação, inclusive Liu Xia, mulher de Liu Xiaobo.

Liu Xiaobo foi condenado no ano passado a 11 anos de prisão por causa de suas críticas ao regime unipartidário e à sua participação num manifesto pró-democracia.

Liu Xia disse que seu marido tem a expectativa de que ela possa viajar a Oslo em dezembro para receber o prêmio. A China ainda não se manifestou a respeito, mas sua veemente condenação à concessão do prêmio torna essa hipótese improvável.
"As restrições sobre muitos de nós nunca antes foram tão rígidas", disse o escritor Yu Jie, que faz campanhas pela liberdade de religião na China. "Não sei quanto isso pode durar. Pelo menos até dezembro, quando o Prêmio Nobel é entregue", acrescentou Yu, que disse estar confinado em sua casa desde 8 de outubro, quando o Nobel da Paz para Liu foi anunciado.

ATIVISMO
O Nobel da Paz de 2010 foi atribuído em 8 de outubro a Liu Xiaobo, 54 anos, que foi condenado por subversão por ter sido um dos signatários da Carta 08 --um manifesto que pedia reformas políticas na China--, o que enfureceu as autoridades de Pequim.

A carta de Liu Xia, esposa do dissidente, que circula na internet, pede a 100 dissidentes chineses, advogados e professores, que recebam o prêmio em nome de Xiaobo em Oslo no dia 10 de dezembro.
"De acordo com a situação atual, a possibilidade de que Xiaobo e eu possamos receber o prêmio é mínima, mas acredito que Xiaobo gostaria, sem dúvida, que seus amigos assistissem a esta histórica cerimônia", escreveu Liu Xia.
"Portanto, ao enviar esta informação, gostaria de convidar abertamente os amigos de Xiaobo a assistir à cerimônia do Prêmio da Paz que acontecerá em Oslo em 10 de dezembro", completa a carta, publicada em um site estrangeiro que defende a democracia na China.

Não foi possível confirmar se Liu Xia realmente escreveu a carta, já que ela está em prisão domiciliar desde o anúncio do prêmio e está impedida de fazer qualquer comunicação.
Yang Jianli, um dissidente que mora nos Estados Unidos, afirmou que Liu Xia confiou a ele a missão de coordenar com amigos e partidários a viagem a Oslo, indicando que ainda não pode revelar a identidade dos viajantes. No entanto, afirmou que pretende ir pessoalmente.
A lista de convidados inclui Bao Tong, ex-alto funcionário do governo que foi condenado por ter sido contrário ao uso da força para acabar com os protestos por democracia da Praça da Paz Celestial em 1989.
Também estariam listados Shang Baojun, advogado que defendeu Liu Xiaobo em dezembro de 2009, a militante tibetana Woeser, o professor da Academia de Cinema de Pequim, Cui Weiping, e Zhang Zuhua, que redigiu a Carta 08 com o dissidente laureado.


Fonte: Folha de S. Paulo

Imagem: Internet

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