domingo, 10 de outubro de 2010

Ahmadinejad pede aliança entre o Irã e o Vaticano

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, propôs ao papa Bento XVI que a República Islâmica e a Santa Sé se unam na luta contra o "secularismo e o humanismo extremista ocidental".

No site oficial da presidência iraniana, uma publicação divulgada hoje aponta que este foi o tema da carta entregue pelo vice-presidente do Irã para Assuntos Parlamentares, Seyed Mohammad-Reza Mir-Tajeddini, na quarta-feira passada.

No texto, Ahmadinejad faz um agradecimento a Bento XVI pela atitude assumida pela Igreja católica no caso de Terry Jones, pastor norte-americano que anunciou que iria queimar o Alcorão -- livro sagrado muçulmano -- no 9º aniversário dos atentados de 11 de setembro.

"Lhe agradeço por ter condenado esta temerária iniciativa de uma igreja da Flórida", diz Ahmadinejad em um trecho do texto.

A partir da posição comum nesse caso, o presidente iraniano cita as formas de atuação conjunta entre Vaticano e Irã, como a luta contra a "ameaça comum contra as religiões monoteístas", ou seja, "o secularismo e o humanismo extremista" que são difundidos no mundo. Alcorão -- livro sagrado muçulmano

"A República Islâmica do Irã, em quanto sistema religioso e democrático, considera a estreita colaboração e o desenvolvimento das relações bilaterais com o Vaticano uma de suas prioridades", afirma Ahmadinejad.

A mensagem é semelhante a uma anterior, através de uma carta aberta datada de 2006, destinada ao Papa, ao então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e à chanceler alemã, Angela Merkel, na qual convidava-os a "adorar Deus" e a "respeitar o ensinamento de seus profetas".

Assim como naquela ocasião, o Vaticano ainda não se pronunciou publicamente sobre as declarações do mandatário iraniano.

Ao comentar o encontro, na quarta-feira, o porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi, disse apenas que foi uma reunião "muito breve que teve por objetivo a entrega de uma mensagem".

Em nenhum momento, ao que parece, Ahmadinejad tocou no assunto de Sakineh Mohammadi Ashtiani, iraniana condenada à pena de morte por adultério e participação na morte de seu marido e cujos filhos pedem intervenção do Pontífice para salvá-la.

Inicialmente, a mulher, que tem 43 anos, foi sentenciada à morte por apedrejamento e depois por enforcamento. A execução está momentaneamente suspensa e tem mobilizado diversos países.

Fonte: Ansalatina

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