quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Violência volta a locais santos de Jerusalém

Às vésperas do fim da moratória na construção de colônias, judeus e palestinos se enfrentam na Cidade Velha

Palco dos confrontos, Monte do Templo foi o epicentro de uma onda de violência há 10 anos, a "Segunda Intifada"

Marcelo Ninio

Jerusalém viveu ontem um dia de confrontos violentos, aumentando a tensão às vésperas de expirar o congelamento imposto por Israel sobre a construção nos territórios ocupados.
Ficaram feridos dez israelenses e 14 palestinos. No fim do dia, a calma retornou.
Os tumultos começaram quando um palestino de 32 anos foi morto a tiros por um segurança israelense no bairro árabe de Silwan, em Jerusalém Oriental. No local há um enclave judeu em meio à população palestina.

O incidente deflagrou uma onda de protestos que se espalhou pela Cidade Velha e chegou a seu ponto mais sensível, a Esplanada das Mesquitas (Monte do Templo, para os judeus), onde policiais israelenses entraram para conter os manifestantes.

Centenas de pessoas participaram do funeral do palestino, criando protestos esporádicos nas cercanias e dentro da Cidade Velha.

Carros foram revirados e incendiados. Palestinos jogaram pedras nos policiais, que responderam com gás lacrimogêneo, bombas de efeito moral e jatos d"água.

Os confrontos nesta parte da cidade são frequentes, mas só em casos extremos as forças de segurança israelenses entram na Esplanada das Mesquitas.

A última vez foi em junho, e pelo mesmo motivo, deter palestinos que jogavam pedras em fiéis no Muro das Lamentações, local mais sagrado para o judaísmo.

O incidente mais grave ocorreu em 2000, quando o político israelense Ariel Sharon fez uma visita ao local, provocando uma onda de violência que resultou na chamada "Segunda Intifada", encerrada em 2004.

ABBAS RECUA
O término da moratória de dez meses é a principal ameaça às negociações entre palestinos e israelenses.

Os mediadores norte-americanos tentam achar uma fórmula para convencer os palestinos a continuar o dialogo, mesmo se as obras forem retomadas.

Em Nova York, o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, deu sinais de que poderá flexibilizar sua posição.

"Não posso dizer que deixarei as negociações, mas é muito difícil para mim retomar as conversas se o premiê [Binyamin] Netanyahu declarar que continuará sua atividade na Cisjordânia e em Jerusalém", disse.

Em sintonia com seu gabinete de maioria conservadora, Netanyahu já antecipou que não prorrogará o congelamento, mas indicou que limitará as construções.

A explosão de violência em Jerusalém ocorreu um dia depois do alerta feito pelo chefe das Forças Armadas de Israel, Gabi Ashkenazi, de que o colapso das negociações poderá gerar uma escalada de ataques palestinos.

Para o porta-voz do governo palestino, Ghassan Khatib, a origem da violência está na ocupação israelense, como ocorreu em Silwan.

"Ações ilegais de colonos fortemente armados no coração dos bairros palestinos resultam em provocações diárias", disse.

Fonte: Folha de S. Paulo

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