quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Europeu crê menos na ciência, diz estudo

Enquete realizada pela "Nature" mostra desconfiança do público em temas como H1N1 e energia nuclear na UE

Nos EUA, acredita-se mais no que cientista diz; China e Japão têm alto nível de descrença na teoria da evolução

Sabine Righetti

Para muitos pesquisadores, a ciência é uma língua universal. Mas a confiança que o público tem nela parece variar bastante de região para região do planeta.

A conclusão é de uma pesquisa feita pela revista científica "Nature" com 21 mil leitores de seu site e do site da "Scientific American".

A enquete não é conclusiva, mas os dados podem funcionar como uma espécie de termômetro para saber a quantas anda a confiança na ciência e nos cientistas.

Quando o assunto é aquecimento global, por exemplo, as pessoas seguiram o consenso científico.
Em quase todos os países analisados (foram 18, incluindo o Brasil), duas vezes mais pessoas disseram estar "mais certas" do que "mais em dúvida" sobre os impactos da atividade humana no aquecimento.

"Isso é notável, dadas as controvérsias recentes no assunto", diz Tim Appenzeller, editor-chefe da "Nature".

POLÊMICAS CIENTÍFICAS

Algumas respostas, no entanto, variaram bastante entre os países consultados.

Numa questão sobre a gripe H1N1, 69% dos americanos declaram que confiam nas afirmações dos cientistas sobre a pandemia.

Já entre os participantes de países europeus, a confiança nos cientistas em relação à H1N1 caiu para 31%.

Também no quesito "energia nuclear" há divergências: 18% dos americanos se dizem preocupados com os riscos dessa tecnologia, ante 66% dos europeus.

"Isso tem a ver com aspectos culturais. O americano costuma ser, de modo geral, menos informado e menos participativo do que os europeus", explica a socióloga Maria Conceição da Costa, da Unicamp. Ela é especialista em participação da sociedade em ciência e tecnologia.
Dados da China e do Japão também chamam atenção na pesquisa da "Nature".

Ao todo, 35% dos japoneses e 49% dos chineses declararam que "há razões para se duvidar" da teoria da evolução de Darwin.

Para Costa, é difícil analisar como os orientais confiam ou não na atividade científica. "Fazemos ciência de maneira ocidental e estudamos, na política científica, ciência do Ocidente", diz.
No Brasil, os dados estão no meio do caminho entre os números europeus e americanos e os números asiáticos.

Por aqui, 23,5% dos participantes disseram que têm dúvidas sobre a veracidade da teoria da evolução.

Os resultados poderiam ser diferentes se a enquete fosse feita com a população em geral. "Faz sentido pensarmos num novo estudo mais amplo", diz a editora-chefe da "Scientific American", Mariette Di Christina.

Fonte: Folha de S. Paulo

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