sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Cuba soltará mais quatro presos políticos

As concessões estratégicas da ditadura dos irmãos Castro elevam para 36 o número de prisioneiros soltos desde julho



Um comunicado da Igreja Católica informou que o governo cubano soltará nos próximos dias mais quatro presos políticos, com a condição de que sigam para a Espanha. A medida dá continuidade ao processo de libertação de 52 dissidentes, pactuado entre Raúl Castro e a instituição. As novas libertações elevam para 36 o número de prisioneiros soltos desde julho.

Analistas creem que as libertações sejam uma concessão estratégica do governo cubano, e não uma mudança de posição. Como em casos anteriores, os quatro presos políticos serão levados do presídio até o avião que os conduzirá a Madri. Opositores criticaram as condições da viagem à Espanha, que qualificaram de "desterro forçado". Ainda não está claro o que ocorrerá com uma dezena de presos políticos que se negam a abandonar a ilha.

Cuba vê os dissidentes como mercenários bancados pelos Estados Unidos, inimigo ideológico da ditadura castrista. Grupos de defesa dos direitos humanos sustentam que, apesar das libertações, as autoridades cubanas continuam os hostilizando.

Libertação - Cuba fechou em 7 de julho um acordo com a Igreja Católica e o governo espanhol para libertar gradualmente 52 presos políticos. O anúncio do pacto foi feito em meio à greve de fome do dissidente Guillermo Fariñas. Após o fechamento do acordo, ele anunciou a suspensão de sua greve de fome, que já durava mais de quatro meses.

Primavera negra – Os dissentes que estão sendo libertados fazem parte do grupo de 75 pessoas que foram presas em março de 2003 em Cuba. Sob acusação de realizar atos contra a independência, integridade e estabilidade territorial do país, foram condenados a sentenças de 14 a 27 anos de prisão.

LulaO governo brasileiro foi duramente criticado por alguns dos dissidentes libertados, que exigiram um pedido de desculpas. Pouco antes de ir a Cuba, o presidente brasileiro havia recebido uma carta dos presos políticos detidos na Primavera Negra.

Os dissidentes pediam que Lula advogasse em favor de sua libertação e, principalmente, falasse sobre a situação de Orlando Zapata. Mas o presidente se omitiu, não tocou no assunto com o governo cubano e depois negou que tivesse recebido o pedido dos presos.


Fonte: Veja - com Reuters

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