quinta-feira, 26 de agosto de 2010

'Tea Party' em Washinton 47 anos após discurso de Luther King


Milhares de membros dos "Tea Party", grupo ultraconservador com tendências populistas, convergem neste sábado ao Lincoln Memorial de Washington, 47 anos depois do famoso discurso de Martin Luther King "Eu tive um sonho".

Antes mesmo de começar, a reunião do movimento, de maioria branca e cristã, que segue de vento em popa nos Estados Unidos, vem provocando muita polêmica, com seu organizador e comentaristas progressistas trocando mensagens críticas em seus blogs.

Glenn Beck, um animador de programas de rádio e talk shows no canal Fox News, ex-alcoólatra, que afirma se ter libertado ao se converter à religião mórmon, diz que a correspondência das duas datas nada mais é que uma coincidência.

"Não era minha intenção escolher o 28 de agosto por causa de Martin Luther King; é o dia que fez seu discurso, mas não tinha nenhuma ideia até anunciar a data do evento", escreveu em seu blog.

"Os brancos não são proprietários da memória de Abraham Lincoln, e os negros não são donos da memória de Martin Luther King", acrescentou, atribuindo a coincidência à "divina providência".

Os jornais e blogs de esquerda não deixaram de criticar a escolha. Parodiando o título da manifestação "Restaurar a honra", o blog Huffington Post chamou o evento de "Desonra à herança de Martin Luther King".

Oficialmente, a manifestação, durante a qual a ex-candidata republicana à vice-presidência Sarah Palin deve tomar da palavra, não é "político".

Tem por objetivo falar sobre o programa de Beck e festejar "o nascimento de um novo movimento nacional para restaurar a grandeza de nosso país".

Ultraconservadores, os membros do Tea Party não têm piedade com os déficits do governo federal escavados, segundo eles, para enfrentar a crise econômica, salvar os bancos, e financiar a reforma do seguro-saúde de Barack Obama.

Lançado em 2009, após a eleição do primeiro negro presidente americano, o movimento Tea Party se inspira nos revoltosos de 1773 descontentes com os impostos cobrados pelo Império Britânico sobre o chá.

Fonte: AFP

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