quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Igreja 'oferece' 3.000 votos a políticos que disputam as eleições

Sílvia Freire

Uma igreja do Maranhão encaminhou ofício a deputados estaduais oferecendo apoio político para as eleições. Na correspondência, a igreja diz que consegue "arrumar mais de 3.000 votos", entre fiéis e seus familiares.

O documento, assinado pelo missionário Antônio Ferreira Francelino, superintendente estadual da igreja Casa da Bênção, no Maranhão, informa que a igreja dispõe de uma hora na programação de uma rádio local e ministra cultos semanais na casa de fiéis. "Sem mais, espero a sua atenção para um possível apoio nesta eleição", diz, no ofício.

O próprio missionário disse à Folha que o ofício foi enviado para diversos políticos e que pelo menos um já deu resposta. Outros políticos que não receberam a correspondência também procuraram a igreja em busca de apoio, segundo ele.

Francelino disse que os candidatos costumam procurar a igreja em busca de apoio na época das eleições. Neste ano, afirmou ele, decidiu convidar alguns políticos para conversar antes de decidir qual nome os pastores irão recomendar aos fiéis.

A Casa da Bênção tem cerca de mil membros e 18 unidades em todo o Estado.

"Temos que apoiar alguém, não é? É claro que nem todo mundo vai votar nesse deputado, porque a igreja não obriga a votar", disse. "A igreja é livre. Posso apresentar um deputado, mas um irmão dizer que a família já tem outro nome."

Na eleição passada, segundo o missionário, a Casa da Bênção apoiou o deputado estadual Pavão Filho (PDT). "Ele foi à igreja e o apresentamos dizendo 'este é o nosso candidato'. Todas as igrejas fazem isso", disse.

Para Francelino, a igreja não pede nada em troca. Mas espera que o deputado, caso eleito, beneficie projetos e programas criados pela instituição. "Se tivermos algum projeto, vamos chegar e dizer: 'deputado, o que o senhor pode fazer?'", disse.

Até agora, disse o missionário, a Casa da Bênção não tem nenhum projetos social.

A deputada estadual Helena Heluy (PT) relatou o recebimento do ofício em discurso na Assembleia nesta semana. Heluy, que não é candidata nestas eleições, disse que fez isso para mostrar que, apesar de toda a mobilização para desenvolver uma consciência ética, o voto ainda é tratado como negócio por algumas pessoas.

"Oferecem os votos, tirando toda a consciência e ética. Tratam como um curral eleitoral", disse a deputada à reportagem.

Para o missionário, não se trata de negociação dos votos. "Só falei que a igreja está à disposição para conversar. Não é negociar", disse.

Fonte: Folha Online
via Jornal Pequeno

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