domingo, 29 de agosto de 2010

Em visita à Itália, Kadafi diz que Islã deveria ser a religião da Europa

O líder líbio Muammar Kadafi, que chegou hoje à Itália para comemorar junto ao premier Silvio Berlusconi o segundo aniversário da assinatura do Tratado de Amizade, Associação e Cooperação entre os dois países, declarou que o Islã "deveria se converter na religião da Europa".

O chefe de Estado do país africano fez a afirmação a centenas de jovens mulheres selecionadas por uma agência de casting com as quais se encontrou em Roma, na Academia Líbia na Itália, recomendando que elas aderissem à religião e dizendo que "Maomé é o último dos profetas", segundo testemunhos das participantes.

Kadafi teria ligado a hipótese de uma Europa islâmica ao ingresso da Turquia na União Europeia, e enfatizado a amizade entre seu país e a Itália, o que teria sido reiterado várias vezes. Uma das garotas presentes disse que algumas delas questionaram o líder político sobre religião, e outras fizeram perguntas "de fundo jornalístico".

"Foi muito pacato e tranquilo e nos deu uma cópia do Alcorão", relatou outra italiana, dizendo que no grupo havia meninas "convertidas"."Foi muito gentil. Nos falou do Alcorão e me deu uma ótima impressão, como sempre", reportou uma jovem.

As moças teriam recebido 70 euros para participar do encontro, o que foi negado por uma delas. Em novembro de 2009, em uma ação semelhante na Itália, as garotas que participaram de uma noite de gala durante a qual Kadafi lhes deu "lições do Alcorão" receberam 50 euros.

O líder líbio desembarcou em Roma no aeroporto de Ciampino às 13h15 (8h15 no horário de Brasília), e foi recebido pelo chanceler Franco Frattini e pelo embaixador de seu país em Roma, Abdulhafed Gaddur.

A agenda da visita oficial de dois dias está definida parcialmente, e inclui encontros econômicos que versarão sobre a presença de empresas italianas em obras de infraestrutura na Líbia, a participação da Autoridade Líbia de Investimentos (Lia) no banco italiano Unicredit, e as ações que o político possui na Juventus, entre outros negócios.

Os primeiros compromissos oficiais estão previstos para amanhã, quando o segundo aniversário do Tratado de Amizade, Associação e Cooperação será comemorado, entre outras atividades, com a presença de 30 cavalos puro-sangue trazidos por Kadafi de avião para uma encenação em um quartel na periferia de Roma.

Berlusconi acompanhará o chefe de Estado na solenidade, após a qual oferecerá um jantar oficial que romperá o jejum do Ramadã islâmico. De sua parte, a Embaixada de Trípoli informou que rapidamente aparecerão imagens dos dois líderes assinando o acordo nos passaportes líbios.

O tratado estabelece que em troca de cooperação em diversas áreas, a Líbia recebe as embarcações de imigrantes ilegais interceptadas ainda em alto-mar na Itália, antes que estas cheguem à costa do país.

A visita de Kadafi, no entanto, gerou protestos devido ao fato de que muitos políticos veem com desconfiança a crescente participação da Líbia nas atividades econômicas italianas e o silêncio de Berlusconi quanto ao regime atualmente em vigor na nação africana, que vive uma ditadura militar desde 1969.

Fonte: Ansa Latina

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