quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Durante o Ramadã, aplicativos para celular ajudam os muçulmanos


As mais antigas tradições do Islã estão se tornando high-tech, com uma leva de ofertas modernas para aqueles que observam o mês sagrado do Ramadã, que começa nesta semana.

Aplicativos para celulares como "iPray" ou "iQuran" oferecem um lembrete sonoro nas horas das orações, enquanto os programas "Find Mecca" e "mosque finder" ("Ache Meca" e "Buscador de Mesquitas") ajudam os viajantes muçulmanos em cidades desconhecidas a encontrarem o lugar mais próximo para rezarem.

- Quando vi estes aplicativos pela primeira vez, pensei: "isto é incrível" - disse James Otun, que tem vários aplicativos islâmicos no seu iPhone e iPad. - Seja lá quem tenha tido esta ideia: que Deus abençoe a ele ou ela.

Os aplicativos não são apenas para o Ramadã: existem programas de temática islâmica que ajudam os usuários a encontrarem os mercados Costco oferecendo comida preparadas de acordo com as regras da dieta islâmica, aprender as pronúncias corretas para as preces diárias em árabe, ou contar quantas páginas do Alcorão foram lidas nesse dia - tudo em um telefone celular.

Existem aplicativos para os livros sagrados de várias outras religiões, da Bíblia Sagrada católioca ao Bhagavad Gita, uma escritura sagrada hindu.

A primeira vez em que Sumeyye Kalyoncu ouviu o Adhan - ou o chamado à oração - em caixas de som surround no dock do seu iPhone, ela ficou tomada pela nostalgia pela sua terra natal, a Turquia. Tais aplicativos são especialmente populares nos Estados Unidos, disse Kalyoncu, já que os mosteiros nos EUA não transmitem os chamados diários à oração em alto-falantes, como costumam fazer em países muçulmanos.

- Estas são tradições e estiveram em nossas vidas por eras, há quase 15 séculos, então parecem muito antigas - disse Kalyoncu. - Acho que isto é como combinar a tecnologia e as coisas que fazemos diariamente.

Kalyoncu usa um aplicativo para o iPhone chamado "iPray Lite", que acompanha as orações diárias requisitadas com um programa que simula o som das contas de orações ou a roda giratória de um contador portátil de metal que muçulmanos usam para manterem a conta das repetições das orações. Usando fones de ouvido, a moça de 24 anos diz que ela pode cumprir suas obrigações espiritauis diárias ao contar orações em seu iPhone no ônibus indo de Manhattan para sua casa em Edgewater.

Trudy Miller, porta-voz da Apple, diz que a companhia não acmpanha os mais de 225.000 aplicativos para seus telefones por categoria, então ela não sabe quantos são de temática islâmica. Os programas não são oferecidos somente pela Apple; a Nokia tem um conjunto do Ramadã para seus celulares que consolida tudo que os devotos precisam saber para observar o mês mais sagrado do Islã, no qual muçulmanos do mundo inteiro observam jejuns diários durante o dia.

Certos aplicativos são grátis. Os que não são geralmente custam de US$ 0,99 a US$ 2,99, apesar de alguns serem mais caros.

As datas do Ramadã ainda são determinadas pelo calendário lunar, e os cálculos podem ser diferentes entre as comunidades islâmicas no mundo todo. Na América do Norte, muitos muçulmanos marcarão o primeiro dia do Ramadã na quarta-feira.

Mas o Islã nunca se desentendeu com a inovação, disse Zinnur Tabakci, que mantém uma loja de presentes e livros religiosos do Islã em Paterson, New Jersey.

- O Islã não é contra a tecnologia. Agora você pode fazê-lo de forma mais fácil e rápida - disse Tabakci, que recentemente complementou as fileiras de rosários e textos religiosos que ele vente com um mural de acessórios para telefone celular para acompanhar a demanda.

- O Islã começou há 1.400 anos, e naquela época, eles não tinham tanta tecnolocia, mas eles sabiam tudo - comentou.

A mesquita que Tabakci frequenta em Paterson, chamada Ulu Cami, ou "Grande Mesquita", também se tornou high-tech. Depois da instalação de 16 câmeras para fins de segurança, um frequentador inovador da mesquita começou a usá-las para transmitir missas ao vivo pela internet para que aqueles muito idosos, doentes ou incapazes de participarem pudessem assistir orações diárias online em casa. Chefes da mesquita dizem que as transmissões ao vivo se tornaram especialmente populares entre pais de imigrantes que gostam de se conectar do exterior para ouvir as mesmas preces que seus amados em New Jersey.

Otun, um aficcionado por tecnologia, diz que os aplicativos que ele usa em seu iPhone e iPad o tornam um muçulmano mais observador. Do lembrete sonoro para parar e rezar durante sua agenda ocupada ao manter um serviço de limousines, a um aplicativo que diz quais restaurantes próximos servem comida preparada dentro das regras islâmicas, Otun diz que não há mais desculpa para viver uma vida sem observar.

- Se você esqueceu de rezar, você pode não ser responsável, porque você é humano; você esquece e pode compensar depois - disse Otun, de 35 anos. - Mas agora que você tem estes aplicativos, isto pode mudar as coisas no nível de Deus.

O aplicativo favorito de Otun, chamado "Find Mecca", é um programa de bússola com um indicador eletrônico que muda de verde para vermelho quando você alcançou o obrigatório ângulo de oração de 58 graus ao noroeste, para garantir que você está virado para Meca em qualquer local - uma obrigação para todos os muçulmanos enquanto rezam.

Otun disse que ficou impressionado ao ver uma imagem de Meca na tela de seu celular pela primeira vez, e se tocou de que poderia carregar uma biblioteca de textos religiosos com ele para qualquer lugar.

- O iPhone te torna emotivo - disse. - Eu não posso carregar 10.000 páginas de livros, e agora, você o tem no celular. Isto não tem preço.

Fonte: O Globo

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