sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Dossiê acadêmico: Santo Agostinho



Santo Agostinho em seu Claustro - Sandro Botticelli - 1480



Teses e dissertações completas a respeito de um dos maiores pensadores cristãos de todos os tempos



1) Convergências e divergências conceituais sobre o livre arbítrio em Santo Agostinho e Calvino


Dissertação de Mestrado em Ciências da Religião, defendida por Daniel Piva na Universidade Presbiteriana Mackenzie


Neste trabalho o autor faz uma pequena introdução histórica sobre Santo Agostinho, João Calvino e o tema Livre-Arbítrio para tratar especificamente das convergências e divergências entre estes dois teólogos sobre o referido tema. Seu objetivo é contribuir para o maior entendimento sobre a questão da vontade humana e suas limitações sob o ponto de vista das Ciências da Religião, ampliando assim o campo do conhecimento das humanidades.


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2) O tema das sete idades do mundo no pensamento de Agostinho de Hipona sobre o sentido da história.


Dissertação de Mestrado em História, defendida por Fabrício Santos Barbacena na Universidade de Brasília


Dentre os temas que compõem o pensamento de Agostinho de Hipona (354-430) sobre o sentido da história, o da sua divisão do processo histórico em seis fases terrenas, antes da instauração de uma sétima era, pós-histórica e eterna, mostra-se de grande relevância, ainda que tenha sido até agora relativamente pouco estudada. A presente dissertação toma tal temática por objeto e a desenvolve em quatro etapas: a influência da polêmica anti-maniquéia para a formação da teoria septenária agostiniana das idades (cap.1); as possíveis influências patrísticas nesse seu esquema, em especial as advindas de Ambrósio (cap.2); o modo como as sete idades do mundo de Agostinho refletem outras tradições culturais que circulavam pelo mundo mediterrâneo antigo, a exemplo da idéia correlata da de idades do homem e do simbolismo dos números, em especial do número seis (cap.3); e, por fim, o modo como o curto período milenarista de Agostinho na década de 390 influenciou sua própria concepção das divisão do processo histórico em eras (cap.4)


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3) A Metafísica da Linguagem no "De Magistro" de Santo Agostinho


Dissertação de Mestrado em filosofia, defendida por Alex Campos Furtado na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro


O De Magistro se afigura não somente no interior da história da filosofia, como também na história da lingüística como uma obra de fundamental relevância ao menos no que concerne a sua originalidade. A brevidade do diálogo constitui em detrimento de uma obra filosófico-teológica vasta, um importante alicerce para a edificação da doutrina posterior de Agostinho. Algumas de suas intuições mais fundamentais como, por exemplo: o mestre interior, irá reaparecer repetidas vezes no percurso de suas obras. Para elucidar a questão da metafísica da linguagem foi necessário percorrer toda uma trajetória de pesquisar primeiro o próprio livro em suas nuances argumentativas, pois como o De Magistro é um diálogo entre Agostinho e seu filho Adeodato apresenta uma dificuldade pelo seu movimento dialético. Foi necessário fazer um levantamento das fontes agostinianas no intuito de aprofundarmos melhor no pensamento do santo as reais influências destas fontes. Assim, as questões pertinentes ao De Magistro de como a transmissão de conhecimento entre mestre e o discípulo são ineficientes e que a função do signo lingüístico somente é o de advertir e admoestar fazendo com que o discípulo encontre a verdade nele mesmo conduzem ao que Agostinho propõe de que somente Cristo ensina verdadeiramente o homem em seu interior, isto é, Cristo ilumina o interior do homem.


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4) A Política na "Cidade de Deus" de Santo Agostinho


Dissertação de Mestrado em Teologia, defendida por Paulo Hamurábi Ferreira Moura Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro


O pensamento político de Santo Agostinho marcou profundamente a Idade Média Cristã. Contudo, devido à excepcional riqueza de suas contribuições nesta área, elas não se estagnaram no tempo. Na verdade, determinados temas abordados na Cidade de Deus continuam atuais e pertinentes. Entre estes a política ocupa um lugar preponderante. O Bispo de Hipona foi além de sua época onde ele viveu. Os princípios que, para ele, devem orientar a atividade política conservam sempre sua validade. Alias, os políticos autênticos agem inspirados e sustentados pelo amor de Deus. Nesta dissertação, propõe-me a visão política de Santo Agostinho contida na Cidade de Deus. As causas que levaram o Império Romano à ruína como a ganância, a soberba, os vícios, em resumo, o amor concupiscente, são retratados por santo agostinho e ele conclui que sem o amor-caritas é impossível governantes e governados construírem uma sociedade justa e tranqüila. A concórdia social só será obtida quando o Estado se abrir para os valores religiosos, prestando culto ao Deus Verdadeiro. O cristianismo contem em si uma riqueza extraordinária capaz de transforma a política no exercício da caridade. Essa encontra sua razão de ser na máxima evangélica Amar a Deus e ao próximo como a si mesmo. No entanto, o Pastor de Hipona não esconde que o estado, embora tenha uma papel importante para a sociedade ele é relativo. A atividade política é notável, porém não é absoluta. Ela pode quando bem exercida tornar a vida dos cidadãos da pátria celeste confortável e serena. Porém, de forma parcial, pois seu campo de atuação se esgota nos estreitos limites da cidade terrena. O destino final dos governantes e dos seus súditos que aderiram aos preceitos de Cristo é o gozo da paz duradoura e perfeita. Esta já desfrutam os cidadãos da pátria celeste.


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5) Fundamentos ético-morais da paz De Civitate Dei de Santo Agostinho e sua contribuição para a atual construção da paz


Tese de Doutorado em Teologia, defendida por Paulo Hamurábi Ferreira Moura na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro


Esta tese tem como tema: Os Fundamentos Ético-Morais da paz no De Civitate Dei de Santo Agostinho. Ela aborda a visão agostiniana da paz e a sua influência no Magistério da Igreja, em especial na Pacem in Terris, Gaudium et Spes e a Sollicitudo Rei Socialis. Segundo estes documentos, a ordem social é indispensável para a realização da paz. No entanto, sem menosprezar este aspecto, Agostinho afirma que esta ordem pressupõe a paz do indivíduo, a qual procede do equilíbrio entre o uti e o frui, princípios básicos da ética e da moral. Também a paz agostiniana pode ser analisada de acordo com a teologia moral, pois a paz, para ser alcançada, requer a valorização tanto da subjetividade como da intersubjetividade. Na realidade, os meios de se atingir a paz, defendida por Agostinho, continuam pertinentes, pois ele já intuía que a paz, para ser eficaz, envolve todos os aspectos relacionados ao homem, em si, e ao seu contexto social, não devendo ser confundida com o intimismo ou com uma espiritualidade desencarnada das estruturas sociais. Assim, a tranquilitas ordinis não significa conformismo ou resignação diante das estruturas injustas e desumanas deste mundo, pois quem vive de acordo com a ordem estabelecida por Deus sabe, perfeitamente, que deve colaborar com a cidade terrestre para que haja justiça e paz, sem perder de vista a Jerusalém do alto, meta e fim de todos que se empenham, sem desânimo, para implantar neste exílio as sementes do reino de Deus. Esta pesquisa pretende contribuir para a recuperação de uma visão integral do ser humano e do resgate da dimensão pluridimensional da paz.


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6) A liberdade cristã em Santo Agostinho e Juan Luis Segundo: confronto entre duas visões da liberdade e suas implicações para a vida cristã nos dias de hoje


Tese de Doutorado em Teologida, defendida por Marco Antonio Gusmão Bonelli na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro


O objetivo desta tese é fazer uma análise comparativa entre as concepções da liberdade presentes nos pensamentos teológicos de santo Agostinho e Juan Luis Segundo. Ao abordar esse tema, Agostinho o relaciona com a necessidade de superar o pecado, com o auxílio da graça divina estimulando o livre arbítrio. Já Juan Luis Segundo enfatiza as mediações históricas, sociais, políticas e culturais, necessárias para a vivência da liberdade. Em sua opinião, é através da interação com estas mediações, que o ser humano constrói a si mesmo como ser livre, num diálogo sincero consigo mesmo e com Deus. Por isso, é oportuno estudar comparativamente as obras desses autores, pois os resultados da pesquisa poderão oferecer orientações muito úteis para a vivência da fé cristã nos dias de hoje.


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7) Verdade, iluminação e trindade: o percurso da “interioridade” em Santo Agostinho


Tese de Doutorado em Filosofia, defendida por Lúcia Maria Mac Dowell Soares na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro


Este estudo pretendeu fazer um levantamento de como e por que Santo Agostinho formulou a noção de interioridade. Partiu-se da hipótese de que a interioridade foi resultado da busca de Agostinho pela verdade, o que o levou a refutar o ceticismo e a formular o proto-cogito, que lhe garante não só a certeza de sua própria existência, mas também a indicação de que é no interior do homem, em sua alma, que a verdade deve estar. Para que a verdade pudesse ser conhecida, porém, Agostinho precisou estabelecer as condições de possibilidade do conhecimento o que ele fez com a doutrina da iluminação, por meio da qual sabe-se que o homem foi criado com uma luz capaz de conhecer as razões eternas e a verdade. Mas no De Trinitate Agostinho irá postular ser no homem interior que se poderá encontrar a imagem de Deus. Desse modo observa-se que se, inicialmente, a interioridade é pensada, em Agostinho, relativamente a questões de ordem epistemológica, ela irá, porém, sendo formulada para dar conta também de questões éticas, de que a salvação faz parte. Nesse sentido, pode-se dizer que ela é, para ele, uma noção que irá sendo repensada e reformulada, sendo revestida de conteúdos novos e vindo a adquirir, em sua obra madura, contornos cada vez mais teológicos.


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8) O 'De libero arbitrio' de Agostinho de Hipona


Dissertação de Mestrado em Letras Clássicas, defendida por Ricardo Reali Taurisano na Universidade de São Paulo


Este trabalho tem por objetivos, além de apresentar uma tradução da primeira parte do De libero arbitrio libri tres, de Agostinho de Hipona, empreender um estudo, dos três livros, em seus diferentes aspectos, retóricos e filosóficos. O De libero arbitrio, apesar de seu sentido de unidade, tem características específicas em cada uma de suas três partes. O livro I, de forte influência estóica, apresenta-se um diálogo; o livro II, se mantém a mesma estrutura dialógica, apresenta, porém, evidentes características neoplatônicas. Se as duas primeiras partes podem dizer-se dialéticas, a terceira, no entanto, sofre grave transformação, tanto em sua dispositio, quando Agostinho abdica da forma dialogal para empreender um longo discurso contínuo, como em sua elocutio, ao lançar mão de uma linguagem que, de modo inequívoco, evidencia uma mudança não só de auditório como de pensamento. O De libero arbitrio, em seu livro III, torna-se, a certa altura, uma obra de teologia, em que a concepção platônicosocrática de mundo, do Agostinho dos primeiros dois livros, cede espaço a uma visão mais cristã, influenciada sobremodo pela teologia do apóstolo Paulo, uma visão menos otimista do ser humano como ser autônomo e capaz de soerguer-se, por sua livre iniciativa. Essa mudança conceitual considerável, em seus aspectos discursivo e filosófico, evidencia uma alteração muito mais profunda, uma espécie de turning point, não apenas na obra e na vida do próprio homem, então não mais o filósofo e sim o presbítero de Hipona; não mais o pensador neoplatônico, e sim o doutor eclesiástico; mas também um turning point para a época, demarcando, de certo modo, o fim de toda uma civilização, o fim do mundo antigo, com a derrocada da visão clássica do homem, e o conseqüente princípio da era medieval.


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9) A definição de populus n'A cidade de Deus de santo Agostinho: uma controvérsia com Da república de Cícero


Dissertação de Mestrado em Filosofia, defendida por Luiz Marcos da Silva Filho na Universidade de São Paulo


No livro XIX dA cidade de Deus, Agostinho refuta as definições ciceronianas de res publica e populus, fundamentadas na justiça, e reformula-as segundo uma concepção de amor. Tal empreendimento revela não somente as concepções distintas de justiça dos dois autores. Com efeito, ao ter de recusar as definições segundo o direito, Agostinho a um só tempo as compreende a partir de conceitos seus, tais como natureza, pecado, graça, virtude, tempo e eternidade, presença e transcendência, que se articulam e se constituem ao longo dA cidade de Deus juntamente com o conceito de amor. Nesse sentido, um conjunto de pressupostos subjaz à rejeição agostiniana das definições ciceronianas. Trata-se, aqui, de examinar o plano geral das obras Da república, de Cícero, e A cidade de Deus, de Agostinho, para compreender a irredutibilidade de suas filosofias entre si e por que Agostinho precisou redefinir aqueles termos políticos.


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10) A dialética entre o conhecimento de si e o conhecimento de Deus no livro X das Confissões de Santo Agostinho


Tese de Doutorado em Ciências da Religião, defendida por Suelma de Souza Moraes na Universidade Metodista de São Paulo


O conhecimento de si e o conhecimento de Deus estabelecem uma relação fundamental na obra mais conhecida de Agostinho, Confissões. O livro X das Confissões contém as narrativas centrais para a análise da dialética entre o conhecimento de si e o conhecimento de Deus, que tem como chave de leitura a memória para a constituição do cogito existencial. É examinada a relação que existe, no texto narrativo de Agostinho, entre a interpretação da Escritura e a constituição do si, em que há aspectos do discurso interior e abordagem no quadro da teoria narrativa que é dada a partir do conceito de identidade narrativa. A constituição do si é desenvolvida na dialética interna do personagem entre a afirmação de si e a negação de si, que apresenta a imanência do homem como característica pessoal e, ao mesmo tempo, o desejo de transcendência daquilo que o ser humano tem de mais íntimo em relação a Deus. Esta é uma análise da tensão existente entre a visão que o ser humano tem da consciência de si e a que ele tem de Deus, na busca pela felicidade


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11) A visualização do invisível: beleza e mística em Santo Agostinho


Dissertação de Mestrado em Ciências da Religião, defendida por Roberto Pereira Miguel na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo


Nesta dissertação pretendeu-se analisar o caminho proposto, e percorrido, por Santo Agostinho em direção à visualização do Deus invisível. Trata-se da Via Pulchritudinis, o Caminho da Beleza, que se configura numa trajetória tanto mística quanto estética. O foco deste trabalho é o viés estético desta jornada, o qual se evidencia na afirmação feita por Hans Urs Von Balthasar em seu tratado de estética teológica intitulado Glória. Segundo ele, a trajetória de Agostinho, sobretudo a sua conversão, não pode ser considerada uma caminhada do estético em direção ao religioso, mas, isto sim, a conversão de uma estética comum a outra superior (Balthasar, 1986, p. 97). Pois, para Agostinho, a contemplação da beleza do mundo e da criação representa o passo inicial de uma trajetória em direção à contemplação cada vez mais aguçada da beleza de Deus, da qual a beleza das coisas criadas é apenas um vestígio. Mas ao identificar o Deus absolutamente transcendente com a própria beleza, por meio da afirmação Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova! (AGOSTINHO, Confissões, p.299), Agostinho faz dessa jornada um caminho místico, no qual a história (a ação de Deus realizada por Jesus Cristo) e a profecia (a Escritura e os seus mensageiros) representam os dois pilares principais. Assim, abordaremos também o lado místico da Via Pulchritudinis agostiniana, na medida em que ele se relaciona com o conceito principal deste trabalho, isto é, a beleza. Entendemos que este conceito de beleza, tal e qual pensado por Santo Agostinho, pode ser relevante à atualidade, visto que a noção de beleza, neste tempo, parece haver deixado de lado todo o seu aspecto transcendente para encerrar-se tão somente naquilo que é imanente, isto é, no corpo e na matéria


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12) O amor a Deus como fundamento do conhecimento nas 'Confissões' de Agostinho


Dissertação de Mestrado em Ciência da Religião, defendida por Fábio Caputo Dalpra na Universidade Federal de Juiz de Fora


O pensamento de Agostinho se erige a partir da vigorosa confluência entre a filosofia neoplatônica e o cristianismo. Assim, o constructo teológico-filosófico das Confissões reflete uma verdadeira síntese entre a cultura humanística clássica e a Bíblia, onde Deus como relação de identidade, de alteridade e de amor é o tema fundador de toda a reflexão. Nesta perspectiva, o presente trabalho tem por objetivo investigar o influxo do amor na teoria do conhecimento agostiniana, ou seja, o modo como a possibilidade do conhecimento se encontra fundamentada no amor a Deus


13) O agir humano em Confissões e obras anteriores de Agostinho de Hipona : um estudo das relações entre libido, consuetudo e voluntas

Dissertação de Mestrado em Filosofia, defendida por Patrícia Degani na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

Para responder à pergunta de por que o sujeito não age sempre segundo sua razão, Agostinho de Hipona (354- 430 d. C) formula o conceito de vontade cindida em Confissões, VIII. Esse conceito resulta da interrelação dos termos libido, consuetudo e voluntas desenvolvida nas obras anteriores ao ano de aparição de Confissões, compreendidas entre suas primeiras obras até 401 d.C.. Na análise de libido, consuetudo e voluntas nas obras anteriores ao relato autobiográfico do hiponense, com um número significativo de ocorrências, permanece o entendimento de libido como desejo desmedido, consuetudo como hábito e uma evolução no conceito de voluntas, desdobrado entre vontade (voluntas) e livre-arbítrio da vontade (liberum arbitrium voluntatis). A vontade, entendida nesse contexto específico como uma inclinação, pode pender tanto para os bens temporais quanto para os eternos. No entanto, devido à natureza corrompida do homem depois da Queda, a vontade já não mais se inclina naturalmente para os bens eternos. Estando a vontade inclinada para os bens temporais, o desejo desmedido e o hábito de usufruir desses bens impedem o pleno exercício do livrearbítrio da vontade. Ocorre, portanto, uma cisão da vontade entre os bens superiores e os inferiores. O livre-arbítrio não consegue exercer o seu poder de determinar a vontade, pois está impedido pelo desejo desmedido, constitutivo do homem caído, e pelo hábito. A libertação do livre-arbítrio dos grilhões da libido e da consuetudo é percebida como obra da Graça divina, uma vez que o desejo desmedido não pode ser superado pelo próprio indivíduo, embora se possa combater o hábito. Portanto, a interrelação entre libido, consuetudo e voluntas explica a idéia de vontade cindida e a necessidade da intervenção de um poder acima do homem para romper o ciclo vicioso assim instaurado.


14) Interioridade e conhecimento em Agostinho de Hipona

Dissertação de Mestrado em filosofia, defendida por Maria Imaculada Azevedo Fernandes na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Esse trabalho tem como objetivo investigar a questão da interioridade agostiniana através do problema do conhecimento. Interioridade e conhecimento representam duas peças-chave do pensamento de Agostinho e trazem um enigma com o qual nos ocuparemos em compreender. Refere-se à forma aparentemente antagônica de conciliar a atividade humana do conhecimento através do cogito agostiniano com a teoria da iluminação divina. Investigaremos qual é o estatuto do conhecimento no pensamento agostiniano; o que implica dizer que a interioridade é, ao mesmo tempo, o lugar do conhecimento e o caminho para Deus; e se é possível conceber o conhecimento como uma função do intelecto humano e uma intuição do conteúdo das idéias vindas de Deus


15) 'De beata vita' de Santo Agostinho : uma reflexão sobre a felicidade.

Dissertação de Mestrado em Filosofia, defendida por Neuza de Fatima Brandellero na Pontifícia Universidade Católica do Paraná

O presente trabalho De Beata Vita de Santo Agostinho: uma reflexão sobre a felicidade, é uma abordagem a partir do pensamento agostiniano sobre a vida feliz. Agostinho, após viver uma intensa crise intelectual, moral e religiosa é mergulhado numa inquietude profunda. Ao ler as cartas de São Paulo, percebe que caem por terra todos seus projetos, então decide renunciar às ambições sociais que sempre desejou e pede demissão do seu cargo de reitor. É o início de sua conversão ao cristianismo! No outono do ano 386, Agostinho se retira para a chácara emprestada do seu amigo Verecundo, em Cassicíaco, perto de Milão. Leva consigo um pequeno grupo de parentes e amigos. Ele divide seu tempo entre oração, meditação e discussões filosóficas e religiosas, nascendo destas reflexões um dos seus primeiros livros, De Beata Vita. Esta dissertação está dividida da seguinte forma: Introdução: Quer ser uma contextualização histórica e cultural da época, para melhor situar o pensamento agostiniano. Saber quais as influências filosóficas e teológicas absolvidas por Agostinho. Primeiro capítulo: A trajetória pessoal que Agostinho percorreu até sua conversão ao Cristianismo. Segundo capítulo: O pensamento do livro De Beata Vita e suas subdivisões. Em seu prefácio encontra-se a alegoria da navegação, destacando a filosofia, como indispensável para a felicidade humana. Somente ela é capaz de nos levar às margens de uma vida feliz. Em seguida o texto é dividido em três dias de discussão, sobre a felicidade. Durante os dois primeiros dias, Agostinho conduz o debate, visando chegar a uma definição pessoal de como conceber uma vida feliz. No terceiro dia faz um longo relatório sobre a passagem da sabedoria filosófica à sabedoria divina, encarnada no Filho de Deus. Mônica, sua mãe, a quem a fé muitas vezes ultrapassou em inteligência a ciência dos filósofos, faz a conclusão do diálogo, surpreendendo o próprio Agostinho. Ela reconhece na fé cristã a Trindade. E com uma oração ao Deus Uno e Trino, termina o diálogo. Agostinho é o último dos filósofos antigos e o primeiro dos medievais a fazer uma espetacular conciliação entre fé e razão, sintetizando-a neste axioma: Credo ut intelligam et intelligo ut credam! O tema da felicidade está presente em muitas outras obras de Santo Agostinho.


16) Um percurso educativo no interior da obra de Agostinho de Hipona (354-430)

Dissertação de Mestrado em Educação, defendida por Eduardo Antonio Jordão na Universidade Estadual de Campinas

Este trabalho concentra-se no estudo sistemático de um conjunto de obras de Agostinho de Hipona, com o objetivo de compreender o pensamento educacional do autor, não permanecente restrito a uma só obra ou a um período de sua vida, mas examinando o tema da trajetória de sua produção intelectual.


17) A felicidade pelo conhecimento em Agostinho

Dissertação de Mestrado em Filosofia, defendida por Alexandre Toler Russo na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

O objetivo desta dissertação é mostrar a plausibilidade da hipótese segundo a qual, no Contra Academicos, de Agostinho, é defendida a relação de interdependência entre Verdade e felicidade. Todavia, uma vez que essa relação não se apresenta categoricamente exposta no Contra Academicos, mas sim no De Beata Vita, foi necessário, mediante o levantamento de dados históricos ligados à pessoa e à época de Agostinho, estabelecer conexão entre os dois diálogos, de maneira a tornar plausível a idéia de que no Contra Acadêmicos se defende tese exposta no De Beata Vita. Para o alcance desse objetivo, o trabalho foi dividido da seguinte maneira: levantamento histórico-psicológico, exposto na Introdução; análise do Contra Acadêmicos, dividida nos três capítulos do Livro I; análise do De Beata Vita e Conclusão, expostas nos três capítulos do Livro II. Na Conclusão (inserida no terceiro capítulo desse último livro), que a um só tempo arremata a análise do De Beata Vita e encerra a dissertação, foram utilizadas as informações colhidas na Introdução, no intuito de justificar, de maneira convincente e plausível, a hipótese inicial do trabalho


18) O Bem e o Mal na Terra Média A filosofia de Santo Agostinho em O Senhor dos Anéis de J.R.R. Tolkien como crítica à modernidade

Dissertação de Mestrado em Ciências da Religião, defendida por Leomar Antonio Montagna na Pontifícia Universidade Católica do Paraná

O presente trabalho, A ética como elemento de harmonia social em Santo Agostinho, procura demonstrar que o amor é o sinal distintivo dos cidadãos da Cidade Celeste e o fundamento da moral tanto individual como da sociedade humana e tem por meta a busca da felicidade do homem. O amor gera a concórdia que num plano social é a base de uma sociedade justa. Dessa forma, Agostinho faz da ordem social um prolongamento da ordem moral interior, sendo que a organização dos homens em sociedade, fundamentada no amor, não tem outra finalidade senão garantir a paz ou felicidade temporal dos homens, com vista à paz eterna ou verdadeira felicidade. Esta Dissertação é composta por três capítulos. No primeiro capítulo descreve-se os caminhos da vida de Santo Agostinho, e nele, o Homem Agostinho, identifica-se o homem enquanto humanidade em qualquer tempo e contexto. No segundo e terceiro capítulos aborda-se os princípios da ética agostiniana e a sua dimensão social que é o amor. Estudar a ética como elemento de harmonia social em Santo Agostinho é estudar o problema do amor. Para ele, o amor está na própria natureza humana. Trata-se de um apetite natural, pressuposto pela vontade livre, que deve, iluminada pela luz natural da razão, orientá-lo para Deus. O amor é, pois, uma atividade decorrente do próprio ser humano. O amor, neste sentido, é uma espécie de desejo. O desejo é uma tendência que inquieta o homem, fazendo-o querer possuir tudo aquilo que é distinto dele mesmo, tendo como fim último torná-lo feliz. Mas, para que o homem seja realmente feliz, é necessário que, através da virtude, ele ordene o seu amor-desejo em relação a todas as coisas e o oriente para Deus, único capaz de satisfazê-lo plenamente.No pensamento de Agostinho o amor é intrínseco ao ser do homem do qual não podemos separá-lo. E, se há um problema, este não diz respeito ao amor como tal, nem à necessidade de amar, mas unicamente à escolha do objeto a ser amado, ao valor ou intensidade que se dá ao objeto amado, pois em si ele é um bem. Dentro do princípio da ordem dos seres, o amor é o parâmetro na hierarquia de valores das coisas a serem amadas. Nesta hierarquia das coisas a serem amadas, Deus aparece em primeiro lugar: a Ele deve-se amar com todo amor. Para Agostinho a força maior da moral interior é o amor, expresso no duplo preceito da caridade: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.


19) O autoconhecimento da mens no livro X do De Trinitate de Santo Agostinho

Dissertação de Mestrado em Filosofia, defendida por Marcelo Pereira de Andrade na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Neste trabalho apresenta-se a análise que Agostinho realiza no livro décimo do De Trinitate acerca do processo do autoconhecimento da mens. Para Agostinho, o conhecimento que a mens possui de si mesma é imediato, total e indubitável. Apesar disso, ele reconhece a possibilidade do auto-engano e explica que isso é possível devido à inadequação entre conhecimento de si e pensamento de si


20) Liberdade e graça: a resposta agostiniana ao problema da relação entre liberdade humana e graça divina e sua interpretação no protestantismo histórico e no neopentecostalismo atual.

Dissertação de Mestrado em Ciências da Religião , defendida por Marlesson Castelo Branco do Rêgo na Universidade Católica de Pernambuco

O propósito é mostrar que, desde Agostinho, o problema da relação entre liberdade humana e graça divina perpassa o cristianismo histórico ocidental. Para tanto, o presente trabalho considera três perspectivas históricas: A controvérsia entre Agostinho e Pelágio, no início do Séc. V; os desdobramentos luterano e calvinista no contexto da Reforma Protestante, na Idade Moderna; os movimentos neopentecostais contemporâneos, tomando-se como referência a Igreja Universal do Reino de Deus, fundada em 1977, pelo autodenominado Bispo Edir Macedo. Nessa trajetória histórico-religiosa, o conceito de graça permanece ligado à manifestação do sagrado, cuja expressão é registrada em discursos teológicos sistemáticos nos dois primeiros períodos considerados. Porém, no terceiro enfoque, o contemporâneo, a graça se apresenta de modo utilitarista, sem expressão sistemática, e a liberdade humana é constantemente ameaçada em meio à luta entre as forças da ordem e do caos.


21) Wittgenstein e a concepção agostiniana da linguage

Dissertação de Mestrado em Filosofia, defendida por Lindomar de Oliveira Souza na Pontifícia Universidade Católica do Paraná

As reflexões desse trabalho de modo geral perpassam quatro autores - Santo Agostinho, Frege, Wittgenstein e Shibles - abordando a questão da linguagem e de modo estrito apenas dois (Santo Agostinho e Wittgenstein) que são as duas principais referências na discussão sobre a linguagem no que se refere ao campo delimitado para a nossa pesquisa. Dessa forma, Frege representa nesse trabalho um pensamento de transição de um pensamento agostiniano para Wittgenstein, enquanto que a reflexão de Shibles representa uma posição de conseqüências da contribuição da filosofia wittgensteiniana. Santo Agostinho, no De Magistro, apresenta uma linguagem ostensiva, ou seja, aquela que tem por finalidade designar objetos; Frege, em Lógica e filosofia da linguagem, ao investigar o campo da lógica e da matemática, compreendeu que uma palavra pode ter dois aspectos: um de referência e outro de sentido; na filosofia de Wittgenstein, a partir das Investigações Filosóficas, encontramos o significado de uma palavra a partir da forma como ela é usada em seu contexto pragmático, inserido numa determinada forma de vida, ordenada por suas próprias regras que compõem um jogo de linguagem. Já o pensamento de Shibles na obra Wittgenstein, linguagem e filosofia, aponta para uma das conseqüências da filosofia de Wittgenstein que, uma vez introduzido o sentido da linguagem a partir do uso, torna possível reconhecer a linguagem poética não só como transmissora de sentimento, mas também como veículo de conhecimento.


22) A conversão do olhar : um estudo do ato estimativo estético segundo Agostinho de Hipona

Tese de Doutorado em Filosofia, defendida por Luís Evandro Hinrichsen na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

Investigando-se o ato estimativo estético, considerando a educação da razão, explicitando os fundamentos antropológicos e gnosiológicos dessa ação, ação localizada na integralidade da vida do homem, de caráter intencional, onde as faculdades sensitivas e espirituais estão plenamente integradas. A estimação estética liga-se à busca da Vida Feliz, tema recorrente no pensamento de Aurélio Agostinho; situa-se no tempo, convida o ser humano, pela contemplação da beleza, à integração consigo mesmo, com o divino e com o cósmico. Na classificação das artes liberais, música e poesia encontram lugar privilegiado, indicando a importância atribuída às belas-artes na formação do humano. Pela contemplação da beleza, presente em todas as regiões do universo, o ser humano, unidade corpo-alma, educa a razão, olho da alma, encontrando repouso. Do amor ao Belo, em conseqüência, resulta ao ser humano atitude de cuidado para consigo mesmo e a criação, da qual é guardião. Educado pela estimação estética, o homem torna-se, no mundo e no tempo, hermeneuta da beleza


23) Tradução comentada de Magistro Liber VNVS de Sancti Avrelii Avgvstini

Dissertação de Mestrado em Estudos da Tradução, defendida por Antonio Auresnedi Minghetti na Universidade Federal de Santa Catarina

Este trabalho pretende oferecer novo enfoque às traduções de obras de Santo Agostinho a partir da tradução comentada de De Magistro, uma obra eminentemente hermenêutica, típica dos discursos exegéticos no prae-medioevo, caracterizada pela retórica simbólico-alegórica da Sagrada Escritura. É um tratado semiótico que permeia interfaces entre fé e razão, no qual Santo Agostinho utiliza, como argumento fundamental, a teoria platônica da reminiscência para fundamentar sua tese de uma pedagogia inatista. À tradução que empreendi, encontrei ressonâncias nas concepções teóricas dos lingüistas e teóricos da tradução Friedrich Schleiermacher e George Steiner, e nos filósofos Ortega y Gasset, Paul Ricoeur e Jean Ladrière. Estes têm em comum a visão do tradutor a constituir-se como um mediador entre dois mundos e, a tradução que não se limita a uma mera transposição de palavras em línguas diferentes, mas implica em uma comunicação balizada por signos lingüísticos vinculados a polissistemas culturais. O interrelacionar análise literária com questões culturais envolveu, em De Magistro, o estudo de um mundo muito singular, que torna imperativo em sua tradução recorrer a intertextualidade com a Sagrada Escritura e com outras obras do autor, inicialmente, a partir de uma tradução intralingual, para, posteriormente, processar a interlingual.


24) A interioridade no pensamento de Santo Agostinho

Dissertação de Mestrado em Filosofia, defendida por Cesar Leandro Ribeiro na Pontifícia Universidade Católica do Paraná

Para Agostinho, o conhecimento da verdade é possível por um processo de interioridade, compreendido como um movimento da alma que a torna capaz de acessar as verdades eternas, ou os inteligíveis, presentes em parte em si mesma e plenamente em Deus. Este movimento implica basicamente em duas possibilidades: primeiro, a de conhecer a verdade não ela toda, mas parte dela de forma sempre contínua; e segundo, a possibilidade de viver a verdade, ou seja, unir-se de tal forma a ela de modo que se possa atingir um estado de bem-aventurança, de sabedoria. No âmbito do conhecimento, o acesso à verdade somente será possível pelo processo que ele chama de iluminação. No âmbito moral, o acesso à verdade vai significar a transformação do ser humano a partir do resgate do divino presente em sua própria alma; o que se dará pelo reconhecimento do ser humano como imagem da trindade divina e no empenho deste em se fazer merecedor da sabedoria e felicidade que deste fato decorre a partir da escalada dos degraus rumo à verdade. A alma, desta forma, na ordem metafísica, é o caminho da busca da verdade. Assim, entende-se que o ser humano pode identificar a existência de uma verdade superior, imutável, presente em si mesmo, mas que ao mesmo tempo o transcende. É de seu interior que se torna possível um conhecimento reto até mesmo das criaturas. Em sua alma, no intelecto, as verdades eternas, presentes como leis, garantem a veracidade ou não das coisas. Neste processo, a fé é o ponto central que torna possível a graça de Deus, condição fundamental para que ocorra não somente o conhecimento possível de Deus, mas para que aconteça a conformação do ser humano ao divino.


25) Hannah Arendt e o Liberum arbitrium agostiniano

Dissertação de Mestrado em Filosofia, defendida por Jivago Spinola Gonçalves Ferreira na Pontifícia Universidade Católica do Paraná

O objetivo desse texto é uma análise de discussão empreendida por Hannah Arendt acerca do liberum arbitrium agostiano. Arendt aponta uma distinção entre termos liberdade e livre-arbítrio à luz de um entendimento de como se desdobra a ação humana no espaço público, no espaço da convivência entre os homens. Num dado momento histórico, a autora afirma que houve uma equação entre os termos liberdade e livre-arbítrio, equação essa que teria iniciado um processo de deturpação do entendimento do próprio espaço público e político de ação dos homens. o cerne do problema parece se encontrar no próprio arbítrio. Um tipo de faculdade que produziria uma cisão em nosso modo de ação, situação que daria pela própria natureza do arbítrio - elemento esse que teria modificado a compreenssão de uma liberdade pensada segundo a antiguidade clássica. Nessa medida, o nosso objetivo é uma discussão sobre cisão que o arbítrio abrigaria, bem a apresentação de uma liberdade que se origina do arbítrio.


26) Livre-arbítrio e ação moral em Agostinho : um estudo a partir do De Libero Arbitrio

Dissertação de Mestrado em Filosofia, defendida por Mariciane Mores Nunes na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

O problema do mal tornou-se uma constante inquietação na vida de Agostinho. Seu pensamento é marcado pelas mais diversas influências, sobretudo das doutrinas maniquéia e neoplatônica. Contudo, as respostas oferecidas por tais correntes filosóficas não satisfizeram o inquieto coração do hiponense. O ensaio de uma resposta a esse problema ocorreu tardiamente, em O livre-arbítrio, obra na qual Agostinho busca enfrentar, juntamente com seu interlocutor, Evódio, o problema da origem do mal moral, vinculandoo à vontade humana. Nesta dissertação, pretende-se evidenciar como o bispo de Hipona busca inocentar Deus da acusação de ser o autor do mal, mostrando que a causa da presença do mal no mundo deriva do abuso do livre-arbítrio, visto que, considerado em si mesmo, este atributo da vontade é um bem e um dom do Criador concedido ao homem.


27) Ortodoxia e poder na Africa romana : Santo Agostinho, ascetas e donatistas entre finais do seculo IV e inicios do seculo V

Dissertação de Mestrado em Filosia, defendida por Matheus Coutinho Figuinha na Universidade Estadual de Campinas

Este é um estudo da relação entre ascetismo e poder episcopal no caso de santo Agostinho. Tal relação é avaliada no contexto da controvérsia donatista, que tanto preocupou o bispo católico de Hipona durante longos anos, especialmente ao longo da primeira década do século V. Num primeiro momento, procuro levantar os problemas e as dificuldades que a controvérsia apresentava ao seu episcopado, bem como suas possibilidades de ação. Em seguida, analiso como o emprego de valores ascéticos na organização da Igreja católica e a mobilização de ascetas e monges durante sua campanha anti-donatista criaram novas tendências de expressão do poder episcopal. Por fim, considero seus esforços de desenvolver um modelo mais organizado de monasticismo, centrado na autoridade episcopal, a fim de eliminar as tensões entre ele e os monges ao seu redor


28) O conceito de vontade em Agostinho

Dissertação de Mestrado em Filosofia, defendida por Elias de Medeiros Guimarães na Universidade de Brasília

Agostinho classifica a vontade como um bem médio, que pode se deslocar tanto para os bens inferiores como para os superiores. O que causa o deslocamento da vontade? A resposta pode ser dividida em três partes, que correspondem às três fases da vida do Bispo de Hipona. Num primeiro momento, a vontade é soberana para decidir qual o sentido a ser tomado, independentemente do que é mostrado pela razão como sendo o certo e o errado. Assim, para que a vontade se dirija para os bens eternos, é necessário ser um cristão erudito. Posteriormente, Agostinho defende que a vontade se torna enfraquecida pela influência do mau hábito (consuetudo), que nasce do pecado. A origem desse pecado encontra-se no deleite das lembranças da memória. Por último, a vontade é considerada como sendo impotente para cumprir a vontade de Deus. Assim, é necessária a atuação da Graça para preparar e capacitar a vontade, para que esta seja efetiva no deslocamento para o Eterno.


29) Interioridade e filosofia do espírito nas Confissões de Santo Agostinho [incluído em 01/11/10]

Tese de doutorado em filosofia, defendida por Joel Gracioso na Universidade de São Paulo

Para Santo Agostinho, o homem tem um desejo natural de Deus que se manifesta em seu desejo pela verdade e pela vida feliz. Nas suas Confissões, ele relata sua procura pela sabedoria, pela felicidade e o processo da sua conversão. Descrevendo as diversas etapas vividas por ele, Agostinho mostra como foi, cada vez mais, adentrando o seu mundo interior e assim construindo uma filosofia do espírito. Este trabalho investiga a noção de interioridade e filosofia do espírito a partir das Confissões, procurando demonstrar qual a relação entre a descoberta da interioridade, entendida como movimento de interiorização, e filosofia do espírito, compreendida como tentativa de se apossar da interioridade.


30) A ética como elemento de harmonia social em Santo Agostinho. [incluído em 09/11/10]

Dissertação de mestrado, defendida por Leomar Antonio Montagna na Pontifícia Universidade Católica do Paraná

O presente trabalho, procura demonstrar que o amor é o sinal distintivo dos cidadãos da Cidade Celeste e o fundamento da moral tanto individual como da sociedade humana e tem por meta a busca da felicidade do homem. O amor gera a concórdia que num plano social é a base de uma sociedade justa. Dessa forma, Agostinho faz da ordem social um prolongamento da ordem moral interior, sendo que a organização dos homens em sociedade, fundamentada no amor, não tem outra finalidade senão garantir a paz ou felicidade temporal dos homens, com vista à paz eterna ou verdadeira felicidade. Esta Dissertação é composta por três capítulos. No primeiro capítulo descreve-se os caminhos da vida de Santo Agostinho, e nele, o Homem Agostinho, identifica-se o homem enquanto humanidade em qualquer tempo e contexto. No segundo e terceiro capítulos aborda-se os princípios da ética agostiniana e a sua dimensão social que é o amor. Estudar a ética como elemento de harmonia social em Santo Agostinho é estudar o problema do amor. Para ele, o amor está na própria natureza humana. Trata-se de um apetite natural, pressuposto pela vontade livre, que deve, iluminada pela luz natural da razão, orientá-lo para Deus. O amor é, pois, uma atividade decorrente do próprio ser humano. O amor, neste sentido, é uma espécie de desejo.



31) A temática da felicidade desde a antiguidade até Agostinho no seu período inicial, mais detidamente na obra De beata vita. [incluído em 09/11/10]

Dissertação de mestrado, defendida por Luiz Santos Gomes Filho na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

Os grandes filósofos da Antiguidade dedicavam-se à filosofia como caminho que conduz à felicidade. As ações humanas objetivam alcançar os fins, os bens. Tanto as ações humanas quanto os fins-bens particulares para os quais tendem, subordinam-se a um fim-último. Este fim-último é o bem-supremo que os homens sensatos concordam em chamar de felicidade. Para Platão a felicidade plena consiste na contemplação da idéia de Bem, para Aristóteles a felicidade (eudaimonia) não depende apenas da sorte, do destino, ou dos deuses, mas é alicerçada na natureza do homem e na ação humana. Na realidade, desde Demócrito, Platão, Aristóteles, os estóicos, até Plotino, muitas reflexões foram realizadas sobre o tema da felicidade humana. O tema da felicidade foi despertado em Agostinho a partir da leitura do Hortensius de Cícero, obra que o converteu ao interesse pela filosofia. O conceito de Beatitudo (eudaimonia) possui, para Agostinho, assim como para o pensamento ético grego, uma importância e centralidade decisiva a fim de estabelecer o finis bonorum (telos) do homem e, nessa perspectiva a própria tarefa da filosofia. A antiga questão da eudaimonia ganha, no iniciado cristão Agostinho, novas roupagens, e torna-se a principal motivação de seu filosofar.

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32) A moral como ponto de integração entre a finitude e a transcendência do homem, segundo Santo Agostinho. [incluído em 09/11/10]

Dissertação de mestrado, defendida por Fernando Vicente na Universidade Federal da Paraíba

O pensamento de Santo Agostinho é a evolução espiritual de um homem em busca da verdade de sua vida. Como poderemos observar, trata-se de uma inteligência que abre precedência para a fé e uma vontade que se abre para a ação da graça. Com isso, Agostinho travará batalhas intelectuais gigantescas com outros pensadores, a exemplo de Mani e Pelágio, bem como usará dos ideais e terminologia de outras correntes de pensamentos, como o platonismo, neoplatonismo e autores cristãos, principalmente São Paulo. Somente depois de freqüentar várias dessas correntes é que Agostinho chega ao cristianismo e tenta fundar sua própria concepção filosófica, denominada por ele mesmo de filosofia cristã. Com ela, ele busca a noção de verdade, encontrar o que por tanto tempo buscou de forma infrutífera e sem nenhum progresso. De acordo com o próprio Agostinho, foi no cristianismo e na revelação bíblica que ele se deparou com a verdade de modo incontestável, manifestada e garantida através da autoridade da Igreja e fundada sobre o Cristo, filho de Deus. A partir dessa descoberta, Agostinho fará de sua vida e sua doutrina um caminho para ajudar outras pessoas a viver de modo reto, ensinando-lhes a humildade, a continência, a caridade e o amor mútuo. Em suma, trata-se de um exemplo capaz de remeter as almas a si mesmas e de conduzi-las em direção a Deus.

33) Passado, presente e futuro: o tempo da consciência e a consciência do tempo no pensamento de Santo Agostinho. [incluído em 09/11/10]

Dissertação de mestrado, defendida por José Renivaldo Rufino na Universidade Federal de Pernambuco

Santo Agostinho teoriza sobre o tempo partindo de dois pontos específicos. O primeiro é aquele que considera o tempo em suas modalidades de presente, passado e futuro como existente apenas na consciência: é o tempo subjetivo. O segundo momento é aquele em que sua teoria sobre o tempo toma um direcionamento epistemológico: o filósofo explora o tempo objetivo, o tempo exterior à consciência. Em ambos os momentos, o filósofo determina a validade da realidade do tempo é tanto em seu aspecto
subjetivo, quanto em seu aspecto objetivo â sempre com base no primado do presente.


34) João Calvino e Santo Agostinho sobre o conhecimento de Deus e o conhecimento de si: um caso de disjunção teológico-filosófica [incluído em 09/11/10]

Dissertação de mestrado, defendida por Fabiano de Almeida Oliveira na Universidade de São Paulo

Santo Agostinho e João Calvino são pensadores representativos de dois momentos históricos distintos da cristandade, e figuram entre aqueles que ajudaram a moldar, de forma determinante, os contornos da tradição cristã de pensamento a qual representavam. A despeito do lapso temporal que os separa, João Calvino foi muito influenciado pelo pensamento de Agostinho em virtude da presença marcante da teologia e espiritualidade agostinianas na atmosfera intelectual e religiosa do século XVI, sendo boa parte destes influxos, produto da apropriação direta de Calvino de aspectos do pensamento de Agostinho, por meio do contato in loco com suas obras.


35) Culpa e desejo: contexto e elaboração teológica feminista na recepção das obras de Santo Agostinho. [incluído em 09/11/10]

Dissertação de mestrado, defendida por Suelma de Souza Moraes na Universidade Metodista de São Paulo

O presente trabalho apresenta o contexto e recepções da obra de Santo Agostinho, dando ênfase a temas relacionados à teologia da imago Dei. Parto do pressuposto que tanto a discussão sobre o contexto como as teses das recepções de autoras feministas contribuem para melhor compreensão da obra do autor, cuja influência é percebida na visão que tem da sexualidade humana e dos papéis sociais/eclesiais do homem e da mulher. No contexto constatamos um transfundo sociopolítico e cultural, que tem na religião um de seus principais elementos forjadores. Este contexto é o lugar de debate e de apropriação de conceitos que influenciam, e por vezes, determinam a obra do autor. Na recepção percebemos as engenhosas argumentações de Agostinho no intuito de estabelecer padrões para homens e mulheres e seu lugar na criação, bem como, sua relação com a imago Dei. As autoras estudadas demonstram a complexidade envolvida na produção da obra e os resultados apresentados para o período de intenso debate acerca dos papéis do homem e da mulher na criação. A formulação do pensamento de Agostinho e o desenvolvimento de sua obra deixam influências decisivas no pensamento cristão ocidental e suas implicações e conseqüências precisam ser relidas e interpretadas criticamente pela teologia.

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36) O conceito de virtude no jovem Agostinho : evolução ou revolução? [incluído em 09/11/10]

Dissertação de mestrado, defendida por Émilien Vilas Boas Reis na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul


Este trabalho é uma pesquisa sobre o conceito de virtude no pensamento do jovem Agostinho. Na verdade, quer achar uma teoria da virtude, que se encontra de forma esparsa pelas obras analisadas. Assim, as obras de Agostinho analisadas compreendem o período entre sua pós-conversão ao cristianismo no ano de 386, em que escreve os diálogos de Cassicíaco, até o ano de 388, no qual escreve o Livro I do De Libero Arbitrio e o De Moribus Ecclesiae Catholicae et De Moribus Ecclesiae Manichaeorum. O texto procura verificar como o conceito de vitude surge no pensamento de Agostinho, trazendo muitas concepções do pensamento anterior, principalmente dos estóicos e neoplatónicos, mas que, após a descoberta da faculdade da vontade no De Libero Arbitrio Livro I, e a associação desta com a virtude, passa a ser considerado diferentemente por Agostinho. Levando em consideração as descobertas do De Libero Arbitrio Livro I na análise do De Moribus Ecclesiae Catholicae et De Moribus Ecclesiae Manichaeorum, mostrar-se-á a associação do conceito de virtude ao conceito de amor, e uma nova mudança em relação ao conceito de virtude.

37) Livre-arbítrio e ação moral em Agostinho : um estudo a partir do De Libero Arbitrio. [incluído em 09/11/10]

Dissertação de mestrado, defendida por Mariciane Mores Nunes na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

O problema do mal tornou-se uma constante inquietação na vida de Agostinho. Seu pensamento é marcado pelas mais diversas influências, sobretudo das doutrinas maniquéia e neoplatônica. Contudo, as respostas oferecidas por tais correntes filosóficas não satisfizeram o inquieto coração do hiponense. O ensaio de uma resposta a esse problema ocorreu tardiamente, em O livre-arbítrio, obra na qual Agostinho busca enfrentar, juntamente com seu interlocutor, Evódio, o problema da origem do mal moral, vinculandoo à vontade humana. Nesta dissertação, pretende-se evidenciar como o bispo de Hipona busca inocentar Deus da acusação de ser o autor do mal, mostrando que a causa da presença do mal no mundo deriva do abuso do livre-arbítrio, isto que, considerado em si mesmo, este atributo da vontade é um bem e um dom do Criador concedido ao homem.


38) O problema do suicidio em Santo Agostinho a luz do De civ. Dei, I. [incluído em 09/11/10]

Tese de doutorado, defendida por Paulo de Goes na Universidade Estadual de Campinas

Considerando o livro I do De civitate Dei uma primeira exposição bem-articulada que se conhece no Ocidente sobre o suicídio, pretende-se abordar o tema a partir de dois ângulos. Num primeiro momento, apresenta-se a sólida argumentação de S. Agostinho no que diz respeito à condenação do suicídio. Prevalece, nesse caso, a lógica de sua argumentação condenatória, haurida da herança cristã, no que conceme à valorização da vida e à consideração desta como dádiva divina. Num segundo momento, constata-se que a mesma lógica não é utilizada em determinados casos. Absolve personagens bíblicos que praticaram o ato e suspende o juízo quando se refere a mulheres virtuosas, veneradas pela Tradição. Por outro lado, condena claramente, quando se trata de personagens pagãos, não obstante serem nobres e elevados os motivos que os teriam levado à prática do suicídio. Exprime, portanto, a força da veneratio e o predomínio da aversão às práticas não-cristãs, mesmo que estas apresentem motivos justificáveis, tais como a defesa da honra, dentro da cultura da época. Inseriu-se na perspectiva da apologética de seu tempo, a saber, a exaltação da morte heróica (especialmente numa época em que o martírio não era um fato esporádico), e a condenação dos atos pagãos, mesmo que tais atos se apresentassem revestidos de heroísmo, contudo, despojados da caritas. O tratamento diferenciado surge no momento em que o rigor de sua lógica de condenação ao suicídio não foi suficiente para apresentar um enfoque novo em relação a casos já louvados pela Tradição


39) Introdução a Trindade em Santo Agostinho : imagens e conceitos (De Trinitate : livros VIII-XV). [incluído em 09/11/10]

Dissertação de mestrado, defendida por Mariana Paolozzi Servulo da Cunha na Universidade Estadual de Campinas

Não possui resumo.

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40) O estamento da verdade no 'Contra Academicos' de Agostinho [incluído em 02/04/11]


Tese de doutorado em filosofia defendida por Pelayo Moreno Palacios na Universidade de São Paulo


O objetivo da tese é mostrar, através da análise dos textos da obra Contra Academicos de Agostinho, o estamento da verdade: a sua situação e o seu valor. Para isso começamos por contextualizar a obra, fazendo uma divisão em três momentos importantes que a retórica usa na construção do discurso e que encontrariam uma certa correspondência com o percurso da vida de Agostinho. Deste modo, chegamos a compreender a importância de sua análise da verdade e o porquê da argumentação usada contra os acadêmicos, destacando a tríade Filosofia e Sabedoria, Razão e Autoridade, Platão e Cristo.


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41) A noção de eloqüência no De doctrina christiana de Agostinho de Hipona  [incluído em 17/12/2011]


Dissertação de mestrado, defendida por Fabricio Klain Cristofoletti na Universidade de São Paulo


Trata-se de uma dissertação sobre o pensamento filosófico de Agostinho de Hipona em relação à beleza do discurso e à utilidade da retórica e da eloqüência, temas que aparecem no livro IV do De doctrina christiana (Da instrução cristã) e, por isso, dentro da reflexão sobre o ideal de uma educação tipicamente cristã. Na Antigüidade, embora a eloqüência estivesse intrinsecamente ligada à arte retórica, esta questão, para Agostinho, deve ser tratada em conexão com algumas orientações da filosofia moral e da teologia cristãs, situadas para além da técnica. Em comparação com o antigo ideal oratório romano, sobretudo o ciceroniano, a maior importância conferida por Agostinho à Bíblia cristã, isto é, à sabedoria e à moral dos autores bíblicos, traz novos significados para o termo 'eloqüência'. Além disso, o aprendizado oratório, que se alicerçava na doutrina e no hábito, é dessa vez resumido e transmitido por Agostinho segundo um método radical de imitação, cujos modelos passam a ser os escritores bíblicos e eclesiásticos, aqueles inspirados por Deus e gratificados com a união da eloqüência à sabedoria.


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42) A faculdade da vontade na polêmica antipelagiana em Santo Agostinho [incluído em 17/12/2011]


Tese de doutorado, defendida por Émilien Vilas Boas Reis na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul


Este trabalho é um estudo sobre a teoria da vontade dentro do pensamento de Santo Agostinho. Procura mostrar com a faculdade da vontade é "descoberta" por Agostinho De Libero Arbitrio. Utilizando o livro VIII da obras Confessiones, mostra como a vontade está decaída e não tem mais a capacidade de fazer o que quer. Com o De Diversis Quaestionibus ad Simplicianum é mostrado qual a causa da vontade estar decaída, o pecado original, e a solução para superar tal problema: a graça. Por fim, valendo-se das obras do chamado período antipelagiano, faz um estudo comparativo entre uma teoria da vontade dos pelagianos e uma teoria da vontade em Agostinho.


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43) O critério da verdade no Contra Academicos, de Agostinho 
[incluído em 07/03/13]


Dissertação de mestrado em filosofia, defendida por Edilézia Freire Simôes na Universidade Federal do Espírito Santo

Na obra Contra Academicos, de Agostinho de Hipona (354-430), a discussão sobre a verdade norteia-se por uma questão fundamental: Pode um homem alcançar sabedoria e felicidade enquanto ele procura a verdade ou somente quando ele a encontra? Em torno dessa questão, confrontam-se os interlocutores, nesse diálogo. Compreender o critério de verdade apresentado na obra Contra Academicos e contextualizar/analisar algumas fontes filosóficas que exerceram influência na evolução intelectual de Agostinho constituiu o objetivo desta dissertação, o que exigiu uma análise minuciosa da obra. O tema da discussão no Contra Academicos é um problema relevante até os dias de hoje, merecendo esse tema um debate sério acerca de suas questões. Buscar a verdade não é uma tarefa banal ou supérflua, mas necessária e fundamental. As discussões apresentadas nessa obra colocam em pauta a via filosófica na qual Agostinho se direciona, a partir de um encontro consigo mesmo, em busca da verdade que habita no interior do homem. Nessa busca, Agostinho realiza um percurso que não poderia ser explicado logicamente, mas que diz respeito ao seu projeto soteriológico, o qual o impulsiona a passar pelo maniqueísmo, pelo ceticismo, pelo neoplatonismo, até chegar, enfim, ao Cristianismo. Ao passar pelo ceticismo, ele entra em contato, principalmente, com o ceticismo acadêmico, fruto do embate acerca do critério de verdade entre duas escolas helenísticas, a saber: Academia e Estoá. Nesse embate, os Estoicos apresentam um critério indubitável de verdade, e os Acadêmicos, por sua vez, enfatizam a impossibilidade de o homem chegar à verdade. Resulta, então, que, em sua obra Contra Academicos, Agostinho procura refutar os argumentos acadêmicos, que o mantiveram na desesperança de encontrar a verdade. E ele faz isso com o intuito de revelar as debilidades teóricas daqueles argumentos e de mostrar que a verdade pode ser alcançada pelo homem. Essa verdade é Cristo, identificado com a Sabedoria e o Poder de Deus. A busca de Agostinho pela verdade consiste, pois, num esforço de conhecer a Deus e, assim, ser possível chegar à felicidade

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44) O processo de conversão a Deus pela via racional e mística  
 [incluído em 07/03/13]

Tese de doutorado em filosofia, defendida por Antonio Carlos Kondracki de Alcântara na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

O processo de conversão a Deus, pela via racional e mística, ao ser abordado pela ótica da fé e da razão humana, é objeto de estudo tanto da filosofia, quanto da teologia. A conversão é a realização plena do ser humano, um encontro com a Verdade e o Sumo Bem, que implica uma ascensão da alma e da inteligência até Deus, percorrendo a via da renúncia ao pecado e a busca da santidade. Nesse percurso, Plotino, um filósofo pagão, a apresenta como sendo uma epistrophê; por sua vez, Santo Agostinho a identifica com a metánoia cristã. Ambas abordagens utilizam-se de uma estrutura metafísica que serve de suporte para a mística, onde é possível determinar uma aproximação entre os dois sistemas. Assim, a filosofia religiosa de Plotino vai influenciar sobremaneira o pensamento de Agostinho numa primeira etapa de sua vida, mas ele (Agostinho) a ultrapassa progressivamente, na medida em que adentra, cada vez mais, no conhecimento das Escrituras Sagradas, máxime, a leitura de São Paulo.

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45) O livre-arbítrio em Agostinho  [incluído em 07/03/2013]

Tese de doutorado em filosofia, defendida por Maria Janaina Brenga Marques na Universidade de São Paulo

Para considerar o livre-arbítrio da vontade, Agostinho deve mobilizar concepções já estabelecidas sobre a natureza divina, sobre a natureza do mal e também sobre a natureza da alma humana. À medida que tais concepções se modificam, o livre-arbítrio da vontade assume contornos diversos até obter sua forma mais acabada, na qual se revela como raiz do mal moral sem nada referir à autoria divina e na qual se revela também como essencialmente viciado sem ter outra alternativa senão a de aceitar a ajuda divina. Assim, se de um lado o livre-arbítrio da vontade não exige relacionar Deus com a causa do mal, de outro lado exige relacionar Deus com a única forma de corrigir o mal. Nosso trabalho tem o objetivo de analisar as tramas conceituais supostas na concepção de livre-arbítrio, vendo nesta uma chave de leitura com força de evidenciar certa lógica interna no movimento envolvendo a conversão de Agostinho ao cristianismo.

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46) Presença de Agostinho na tese de Tomás de Aquino sobre o conhecimento humano : a primeira parte da suma de teologia [incluído em 07/03/2013]
Dissertação de mestrado em filosofia, defendida por André de Deus Berger na Universidade Federal de São Carlos

O objetivo deste trabalho é trazer à tona a presença de Agostinho na formulação da tese de Tomás de Aquino sobre o conhecimento intelectual humano apresentada na primeira parte de sua Suma de Teologia. O debate no qual a tese tomasiana se insere é suscitado por diferentes interpretações da física e metafisica de Aristóteles, em contraste com a tradição patrística, possibilitadas por traduções para o latim realizadas na Europa a partir do século XIII. A pergunta que se coloca é sobre a possibilidade de conhecimento intelectual daquilo que é sensível. O problema é a relação entre coisas cujo modo de existência é diverso: o intelecto humano é imaterial e se remete a algo universal, enquanto as coisas sensíveis são materiais e singulares. Tomás responde essa questão favoravelmente, apresentando a tese de que é possível ao intelecto humano imaterial, porém, unido a um corpo singular, conhecer as naturezas (imateriais e universais) das coisas sensíveis (materiais e singulares). De acordo com o autor, o conhecimento é oriundo de um processo de recepção de formas. No caso do homem, esse processo ocorre de dois modos diversos: sensível e inteligível. Esses modos de cognição se diferenciam conforme sua relação com a matéria: a cognição sensível é um modo de recepção das formas oriundas das coisas materiais que ocorre através de modificação de órgãos corporais, sendo portanto uma recepção material. A cognição inteligível é um modo de recepção que não utiliza órgão corpóreo algum, sendo portanto imaterial. A tese tomasiana afirma uma necessária relação interna entre a cognição sensível e a inteligível, que garante a possibilidade de ocorrência de conhecimento intelectual humano dos sensíveis. De acordo com Tomás os sentidos produzem no cognoscente uma semelhança sensível interna, representativa da coisa material, após a apreensão da forma da coisa. No caso do homem essa semelhança sensível serve ao intelecto para a produção de outra semelhança, em si mesmo. Essa outra semelhança, porém, é inteligível e afirmada como aquilo pelo que a natureza da coisa material é conhecida. A semelhança sensível é chamada phantasma, a semelhança inteligível é a espécie inteligível e o produtor da espécie inteligível é chamado intelecto agente. O itinerário a seguir apresentará o papel que cada um desses elementos ocupa na tese de Tomás, com o propósito de evidenciar como sua argumentação se fundamenta em interpretações sobre Agostinho. O bispo de Hipona é lido em concordância com Aristóteles e contra reconstruções de teses imputadas genericamente a Platão, de um lado (além de Avicena, associado por Tomás ao platonismo), e aos pré-socráticos, de outro.

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48) Hermêutica e subjetividade, de Agostinho e Hipona a Paul Ricoeur - Três estudos sobre o si, a memória e a identidade [incluído em 07/03/2013]

Dissertação de mestrado em filosofia, defendida por Andres Bruzzone na Universidade de São Paulo

Nosso texto propõe uma leitura da Confissões de Agostinho de Hipona com elementos da hermenêutica filosofia de Paul Ricoeur, especialmente a noção da identidade narrativa. O si, a memória e a identidade são pontos de encontro onde as filosofias de ambos os autores dialogam e se iluminam reciprocamente.

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49) Os pressupostos filosóficos do estado ético-jurídico na obra A cidade de Deus de Santo Agostinho [incluído em 07/03/2013]

Dissertação de mestrado em filosofia do direito, defendida por José Carlos Pires de Campos Filho na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo

O objetivo desta dissertação é expor os pressupostos filosóficos centrais da teoria do filósofo Santo Agostinho sobre a natureza do Estado ético-jurídico. O pensamento é aqui compreendido como uma defesa do Estado justo e da concepção de lei natural contra as acusações de que o Cristianismo causa prejuízo à comunidade política. A concepção agostiniana de sociedade justa e feliz permite, ao contrário, aprimorar as virtudes cívicas como meio para alcançar o bem comum e a paz. A ontologia agostiniana permite que a verdade seja a referência das virtudes e dos vícios, como preceitos do agir capazes de formar a unidade de uma civilização. A Cidade de Deus é a alegoria de sociedade justa presente no mundo através dos tempos em convivência com o Estado terreno

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50) Ordem, beleza e perfeição do universo: a Filosofia da Natureza em Santo Agostinho [incluído em 07/03/2013]

Dissertação de mestrado em filosofia, defendida por Ricardo Evangelista Brandão na Universidade Federal da Paraíba

A presente dissertação objetiva demonstrar que em seu itinerário cosmológico-filosófico, combatendo os discípulos de Mani, Santo Agostinho sendo densamente influenciado pela Filosofia Neoplatônica de Plotino e pela Teologia Escriturística-Cristã, constrói uma Filosofia da Natureza consistindo como linha mestra da exegese das Escrituras Judaico-Cristãs, mas principalmente do relato da criação exposto nos primeiros capítulos do Livro do Gênesis, porém, com exegese na maior parte das vezes alegórica com prisma neoplatônico. Portanto, em sua filosofia do mundo, Agostinho fez o papel tanto de exegeta bíblico como de filósofo neoplatônico, gerando com isso uma cosmologia filosófica com elementos de ambos, limitando o primeiro para dar coerência filosófica, e o segundo para não contradizer as Escrituras. Estudaremos que a grande força motivadora e norteadora da Cosmologia Agostiniana foi o Dualismo Maniqueu, que entendia que o cosmos é resultado da mistura entre a luz (o bem) e as trevas (o mal), gerando assim seres que têm em suas naturezas partículas de luz e trevas, resultando assim a tese de que existem criaturas más e feias por natureza. Idéias como estas defendidas pelos Maniqueus de seu tempo, conduziu Agostinho a teorizar acerca de vários aspectos de sua Cosmologia, desde a teoria do início e processo da formação do mundo, à teoria do ordenamento holístico-cósmico, defendendo a tese de que o cosmos possui uma única fonte (creatio ex nihilo), Deus, e como ele é o Sumo Bem, a Natureza tanto perspectivada em cada criatura em particular, como pelo prisma da totalidade é boa, bela e perfeita.

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51) Cor inquietum : uma leitura de confissões [incluído em 07/03/2013]

Tese de doutorado em filosofia, defendida por Sílvia Maria de Contaldo na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

A finalidade deste estudo é compreender o percurso filosófico de santo Agostinho, ao longo de sua obra Confissões, a partir de suas interrogações sobre si mesmo, sobre o homem, sobre Deus. Com ênfase na novidade do estilo que é adotado em sua narrativa a autobiografia a intenção é compreender o que nesse pensador pode ser chamado de manifesto do mundo interior. Ao longo da obra estão inscritas diversas questões de natureza filosófica e teológica que foram fundamentais não só para o desenvolvimento da Filosofia na Idade Média mas para toda a história das ideias do mundo ocidental. O fio condutor de seu pensamento abre um leque de questões e problematizações que podem sustentar projetos existenciais balizadores do sentido de ser e saber-se humano. Para isso buscou-se identificar e relacionar dois âmbitos do conhecimento, a saber, a razão e a fé, que são as vigas de sustentação do pensamento de Agostinho. Denominamos esse movimento de ideias, escritas em primeira pessoa e inscritas em sua singularidade, de Cor inquietum, em razão de seu modo absolutamente original de tratar os temas da Filosofia, muitas vezes confrontando-os com os temas da fé cristã. Nesse sentido, procurou-se também demonstrar que no pensamento filosófico de Agostinho encontram-se certas categorias antropológicas que definem o homem como ser em permanente diálogo consigo mesmo e com Deus, realizando sua vocação de homo viator.

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52) O processo pedagógico em Agostinho de Hipona: uma leitura [incluído em 07/03/2013]

Dissertação de mestrado em filosofia , defendida por Marcelo Oliveira Ribeiro na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

Agostinho de Hipona pode, em muitos aspectos, ser associado à educação, seja no contexto profissional, visto que o Pai da Igreja também fora professor; seja devido a suas investigações sobre os temas referentes ao ensino e à aprendizagem. Notamos, em obras como De magistro, De Trinitate, Confessiones, dentre outras, interessantes considerações sobre o processo cognitivo e as condições que permitem que o ato de ensinar seja possível. O objetivo deste trabalho consiste em analisar aspectos pedagógicos presentes na obra de Agostinho de Hipona, relevando questões como significação, motivação na aprendizagem e o papel da memória, da inteligência e da vontade na construção do saber

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53) Soberba e humildade em Agostinho de Hipona [incluído em 07/03/2013]

Tese de doutorado em filosofia, defendida por Walterson José Vargas na Universidade de São Paulo

Soberba e humildade em Agostinho são analisadas neste trabalho por meio de uma inter-relação entre os métodos anagógico/Pátria-Via e o Trinitário, métodos que, segundo cremos, foram utilizados por Agostinho. A aplicação deste método nos levará a notar que soberba e humildade só podem ser entendidas uma à luz da outra, porque possuem uma estrutura simetricamente proporcional: a soberba é a enfermidade radical da condição humana, e a humildade o seu remédio adequado. Assim, a soberba, no nível do ser, corresponde a uma usurpação, uma pretensão de roubar o que é próprio de Deus, a autonomia e independência no ser; no nível do conhecimento, consiste numa presunção de valer por si mesmo, o que leva a um movimento de afastamento da verdade interior, tornando o homem cego no mais profundo de sua alma; e finalmente, no nível do querer, corresponde a uma injustiça, pois consiste na causa do primeiro mau uso do livre-arbítrio, que levou ao rompimento da ordem estabelecida por Deus na lei eterna. A humildade, em simetria invertida, corresponde, no nível do ser, a um aniquilamento voluntário, pelo qual o Cristo abaixa-se de sua natureza igual a Deus, assumindo uma natureza que lhe é inferior, a natureza humana; no nível do conhecimento, se entende como confissão a respeito da verdade sobre Deus e sobre o próprio homem, da sua condição de criatura e pecador; e finalmente, no nível do querer, como o caminho pelo qual o Cristo, por meio de sua livre obediência até a morte de cruz e posterior ressurreição, restabelece a justiça perdida na primeira desobediência à lei eterna.

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54) Relevância filosófica das pequenas coisas: a infância no livro I das Confissões de Agostinho de Hipona [incluído em 07/03/2013]

Tese de doutorado em filosofia, defendida por Jose Renivaldo Rufino na Universidade de São Paulo

Agostinho confere relevância especial às coisas simples. Na infância, cuja estatura é signo da humildade própria das coisas ínfimas, deleita-se com a verdade nos seus pequenos pensamentos sobre pequenas coisas. Este deleite, na alma da criança com mínimo de ser, remete à verdade de Deus, com máximo de ser. Com máximo de ser, Deus se humilha ao ponto de assumir a condição humana, nascer como criança e com humildade contrária à soberba anular o efeito da queda causada pela soberba. Fundamento da humildade que é, poderia ser pensado menor que o homem, pois sendo Deus se fez homem. Se assim fosse, o ser com máximo de ser seria, paradoxalmente, o ser com mínimo de ser. Mas não é, pois quando Deus desce à condição inferior é para elevar o homem à condição superior. Esta é a análise a que se propõe este trabalho.

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Triunfo de Santo Agostinho - Cláudio Coelho - 1664

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2 comentários:

Pr. Jair Santos disse...

Agostinho de Hipona, foi e é um GIGANTE do cristianismo

Sadi Andrade disse...

Parabéns pela excelente reunião de informações mais que relevantes para um entendimento mais amplo do Mestre de Hipona.