sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Dissidentes cubanos criticam papel da Igreja em carta ao papa

Um grupo de 164 dissidentes cubanos enviou uma carta ao papa Bento XVI para criticar a "lamentável e vergonhosa" postura da hierarquia católica da ilha em sua mediação com o Governo de Raúl Castro sobre os presos políticos.

"Alguns dos católicos que assinam esta carta e outros que talvez incorporem suas assinaturas não estão de acordo com a postura da hierarquia eclesiástica cubana em sua intervenção pelos presos políticos, é lamentável e de fato vergonhosa", diz a carta entregue na Nunciatura Apostólica em Havana, de acordo com o relato da dissidente Marta Beatriz Roque, uma das signatárias, à Agência Efe.

A carta dirigida a Bento XVI critica o processo de diálogo aberto em maio passado entre o Governo do presidente cubano, Raúl Castro, e a Igreja Católica da ilha, representada pelo cardeal Jaime Ortega e o presidente da conferência dos bispos cubanos, Dionisio García.

Como resultado desse diálogo, que foi apoiado pela Espanha, o regime cubano assumiu o compromisso de libertar 52 presos políticos em quatro meses, todos membros do grupo dos 75 opositores condenados na repressão da Primavera Negra de 2003.

Os dissidentes que assinam a carta ao papa defendem que a mediação deveria ter ouvido a dissidência interna e o exílio, que há mais de 20 anos, dizem, estão lutando pelo restabelecimento da democracia.

Segundo os signatários, as 26 libertações ocorridas até agora constituem a "solução da expatriação", já que esses presos políticos foram libertados e imediatamente conduzidos a um avião para tirá-los de Cuba rumo à Espanha.

Depois de sete anos "injustamente presos", esse "êxodo", dizem os dissidentes, "só beneficia a ditadura".

O Arcebispado de Havana chamou hoje de "ofensivo" o conteúdo dessa carta e disse que despertou "indignação" entre muitos fiéis católicos.

Em comunicado, o Arcebispado afirma também que a Igreja Católica sabia que sua mediação perante o Governo seria interpretada de diversas formas, mas "permanecer inativa não era uma opção válida para a Igreja por sua missão pastoral".

"A ação da Igreja a favor do respeito à dignidade de todos os cubanos e a harmonia social em Cuba não começou há 20 anos, e foi uma ação que não se apoiou, nem se apoiará nunca, em tendências políticas", acrescenta a nota do Arcebispado.

Segundo o comunicado, a Igreja em Cuba "não desviará sua atenção daquilo que a motivou a atuar neste processo: a exigência humanitária de famílias que sofreram pelo encarceramento de um ou mais de seus membros".

"Isto é algo que o papa Bento XVI conhece muito bem", ressalta a nota.

Fonte: Terra

Um comentário:

Rose disse...

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