terça-feira, 10 de agosto de 2010

Charge publicada em jornal português irrita comunidade israelense

Redação Portal IMPRENSA

Uma charge publicada pelo jornal português Diário de Notícias, no último dia 1º de agosto, causou revolta da comunidade israelense no país e manifestação da embaixada de Israel em Lisboa.

Em disposição que propõe uma "evolução", o desenho, assinado por André Carrilho, mostra um oficial nazista pisando o crânio de um esqueleto que, em seguida, se transforma em uma figura decrépita, para então se tornar um judeu jovem e, finalmente, um soldado israelense com uma arma na mão pisando a cabeça de um palestino que também o ameaça com uma AK-47.


Charge de André Carrilho

"É horrível. Penso que todas as pessoas ficaram indignadas, não só os israelenses. Tira sarro das almas e da memória dos seis milhões de judeus executados nos campos de concentração da Alemanha", criticou o presidente da Comunidade Israelita de Lisboa (CIL), José Carp, em entrevista ao canal tvi24.

A entidade e a embaixada de Israel em Portugal disseram que foi enviada uma carta ao diretor do jornal, João Marcelino, na semana passada, mas afirmam que ainda não receberam resposta. De acordo com apuração do tvi24, o Diário recebeu a carta recentemente e foi repassada à direção para análise.

"Até gosto de cartoons, mas há outras maneiras de se fazer as coisas. E há mesmo coisas em que não se tocam, e uma delas é o Holocausto", observou o presidente da CIL. Segundo ele, outras comunidades israelenses da Europa e da dos EUA se manifestaram contra o desenho. "Estão chocadíssimas. Há pessoas que perderam famílias inteiras no Holocausto e alguém tira sarro disso? É de um profundo mau gosto", acrescentou.

Questionado se a divulgação do desenho pode ser comparada com a polêmica criada a partir de uma charge, publicada em 2005, sobre o profeta Maomé, Carp lembrou que os responsáveis por tal representação foram ameaçados de morte, e que não havia qualquer semelhança entre os casos. "Cada um reage à sua maneira e nós optamos pela indignação", afirmou.

O criador do cartoon publicado no Diário, André Carrilho, negou ser anti-semita. "Eu tento me colocar do lado das pessoas que são vítimas. Quis mostrar que uma pessoa que já foi vítima também pode se tornar agressor", opinou.

Segundo o cartunista, o desenho não se refere ao povo judeu; o soldado desenhado simboliza o governo de Israel. Também não justifica as ações dos terroristas palestinos. "Parece que de Israel não se pode falar", finalizou, de acordo com informações do site IOL Diário.

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