sexta-feira, 9 de julho de 2010

Brecha na Ilha Presídio

Rodrigo Constantino, para o Instituto Liberal

A ditadura cubana decidiu soltar 52 presos políticos, que serão exilados na Espanha. Trata-se de uma concessão pragmática às pressões da comunidade internacional, lembrando que ainda existem mais de 100 presos cujo “crime” foi discordar do regime ditatorial dos irmãos Castro. O papel da diplomacia brasileira não poderia ser mais vergonhoso neste episódio.

Poucos meses atrás, Orlando Zapata morreu enquanto fazia greve de fome, justamente no dia em que o presidente Lula chegou para uma visita oficial ao país. Na ocasião, o presidente tomou o partido da ditadura cubana, e ainda comparou os presos políticos de Cuba a bandidos comuns. O governo Lula, como se sabe, não se mete em questões de soberania de outros povos – ao menos quando é para falar de atrocidades praticadas por “companheiros”, pois no caso de Honduras essa máxima foi totalmente ignorada. São dois pesos e duas medidas, sempre favorecendo seus camaradas, ou sorrindo ao lado dos mais nefastos ditadores, porque “negócios são negócios”.

Guillermo Fariñas, outro dissidente político que estava em greve de fome há 135 dias, comemorou a libertação dos colegas, e acredita que os tempos mudaram. Mas será mesmo que sopram ventos de mudança na Alcatraz caribenha? Será que o “muro” que mantém prisioneira a própria população cubana será derrubado finalmente, colocando fim na mais cruel ditadura que o continente já viu? Todas as pessoas de bem esperam que sim. Mas é preciso cautela e realismo.

Guarione Diaz, presidente do Conselho Nacional Cubano-Americano, com sede em Miami, desconfia das intenções dos irmãos Castro. Para ela, o gesto não passa de uma estratégia leninista, de dar um passo atrás para dar dois adiante. A deputada republicana de origem cubana Ileana Ros-Lehtinen, também não parece iludida: “Até que sejam libertados todos os prisioneiros políticos, devemos exercer a máxima pressão sobre a tirania cubana”.

Se um dia a liberdade der o ar de sua graça em Cuba, uma coisa já é certa: a contribuição do governo Lula será nula, quando não negativa. Ele não acredita em pressão contra tiranos, ainda mais quando são tiranos “companheiros”. Ele prefere fazer “negócios” com esta turma, enquanto o povo... quem liga para o povo?

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