quinta-feira, 24 de junho de 2010

Sob intensa repressão, surge sinal de insatisfação na Coreia do Norte

Marcelo Ninio, Folha de S. Paulo

Pedro Carrilho /Folhapress
Ciclista no rio Taedong, na Coreia do Norte, que tem regime fechado e sociedade militarizada

A Coreia do Norte tem o regime mais fechado, a sociedade mais militarizada e o governante mais imprevisível do planeta.

Assim, o país mandou à Copa uma seleção fiel a suas origens: defensiva, disciplinada e que julgava capaz de surpreender no contra-ataque. Em sua conturbada relação com o mundo exterior, a comunista Coreia do Norte mostra que acredita que a melhor defesa é o ataque.

Isolado, com poucos aliados além da China, o inseguro regime do ditador Kim Jong-il concentra no Exército a fórmula de sobrevivência.

No plano doméstico, controla 24 milhões de pessoas e gera um sistema de benefícios a militares; no externo, mostra os dentes ao mundo.

O país possui bomba atômica e mantém centenas de milhares de soldados bem armados na fronteira com a Coreia do Sul. Os confrontos diplomáticos --e efetivos-- entre as duas Coreias são comuns. Ao sul, a arquirrival capitalista é uma aliada dos Estados Unidos.

Os confrontos na fronteira da Coreia do Norte com a Coreia do Sul reacendem periodicamente a tensão na chamada "última fronteira da Guerra Fria".

A mais recente foi deflagrada por um navio de guerra sul-coreano que afundou no dia 26 de março próximo à Coreia do Norte, causando a morte de 46 tripulantes.

E isso, mesmo depois de uma investigação internacional indicar que o navio havia sido atingido por um torpedo norte-coreano.

A demonstração de força pode estar ligada a incertezas internas, para observadores. Segundo eles, o excêntrico Kim Jong-il jamais teria se recuperado de um derrame sofrido em 2008, o que acionou o processo sucessório.

SUCESSÃO 'DINÁSTICA'

Um dos filhos do ditador, apontado como possível herdeiro do "trono", teria ordenado o ataque à corveta sul-coreana para mostrar ao mundo que manterá a linha-dura do pai e do avô, Kim Ilsung, que é considerado o "pai" da Coreia do Norte.

Há outros fatores de instabilidade. Mesmo sob intensa repressão, surgem sinais de insatisfação popular com a economia arruinada e a extrema carestia, mantendo vivo o trauma da grande fome dos anos 90, que matou 10% da população.

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