sábado, 26 de junho de 2010

Geórgia tira estátua de Stálin de praça em sua cidade natal

DO "INDEPENDENT", EM TBILISI

Autoridades georgianas removeram uma estátua de Josef Stálin da principal praça de sua cidade natal, Gori, em uma ação secreta que reforça sua determinação de romper laços com seu passado soviético.

A polícia isolou a praça nas primeiras horas da manhã de ontem enquanto funcionários municipais batalharam para remover a estátua de bronze do ditador soviético, de 6 metros de altura.

Em dado momento, serras elétricas foram usadas para cortar laços de metal que seguravam a estátua à base. Após três horas, uma das últimas estátuas de Stálin remanescentes no mundo foi finalmente derrubada.

Apesar de o governo pró-Ocidente da Geórgia ver a estátua há muito como um embaraço e de mais de uma vez ter manifestado a ideia de removê-la, a decisão final foi completamente inesperada.

Uma câmera de segurança que transmite on-line imagens ao vivo da praça foi coberta para a ocasião, mostrando o desejo do governo de evitar uma confrontação.

"O povo georgiano é muito emocional", disse Tornike Sharashenidze, fundador do Instituto Georgiano de Assuntos Públicos. "Alguns políticos ou partidos radicais poderiam ter criado uma provocação. Por isso o governo decidiu remover a estátua no meio da noite."

A ação marca o fim de um longo debate sobre o que fazer com a estátua, erguida em 1952, um ano antes da morte de Stálin. Enquanto muitos habitantes de Gori queriam mantê-la, intelectuais organizaram uma campanha para removê-la.

Mas Stálin não está indo longe. A estátua será reerguida no Museu Stálin, numa exposição dedicada ao ditador, a menos de 800 metros da praça, onde será construído um memorial em honra dos que morreram na guerra com a Rússia em 2008.

A relação da Geórgia com seu mais famoso filho vem mudando através dos anos. Desde a independência do país em 1991, ele tem sido crescentemente associado à ocupação estrangeira.
"Sabemos que suas raízes são georgianas, não podemos negar isso", disse Gigi Tsereteli, vice-presidente do Parlamento. "Também não podemos negar as coisas terríveis que ele fez à Geórgia."

Mas pessoas na Geórgia ainda reverenciam o homem forte soviético, principalmente em Gori, onde moradores deixavam flores na estátua em seu aniversário.

O Partido Comunista da Geórgia também está indignado. O ativista Giorgi Mokhigulashvili disse que a remoção da estátua foi "um crime de proporções globais".

O governo, no entanto, disse que a remoção mostra seu comprometimento com valores ocidentais.

O presidente Mikhail Saakashvili afirmou que era inapropriado ter um monumento de um homem que escravizou seu próprio país. Ele disse que a decisão de levar a estátua ao Museu Stálin demonstrou "uma atitude civilizada para a história".

Fonte: Folha de S. Paulo

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