quarta-feira, 16 de junho de 2010

A acelerada paganização da cultura


A sociedade moderna está alicerçada em um tripé: secularização, individualismo e pluralização. A realidade do mundo em que vivemos, a cultura em que estamos mergulhados, força seu molde sobre nossas consciências. O barco da fé cristã está mergulhado em um oceano de ideologias que teimosamente arremete a fúria de suas ondas, fustigando-o com fortes ventos de doutrinas estranhas (Hb 13.9; Ef 4.14). Assim tem sido e assim temos vivido na presente época. Mas, para onde caminha esta cultura? Onde chegará em sua influência, posto que é deletéria à fé cristã? O que fazer?

O mundo em que vivemos é fruto de um projeto dessacralizador. Para muitos, o sentido da vida é a busca individual da felicidade e isto a qualquer preço. A pluralização em nossa sociedade significa ter uma enorme quantidade de opções para um mesmo produto. Convive-se com a ideia de que há alternativa para tudo, para todos os gostos e concepções. É verdade que pluralidade de escolhas sempre existiu, porém nunca antes com a intensidade que vemos hoje. O efeito colateral da pluralização é o relativismo: afinal, o que poderia ser certo ou errado em uma sociedade plural? Posto que todas as opções são igualmente válidas! Assim, você pode adorar a Jesus Cristo, mas igualmente prostrar-se diante de Buda, ou invocar a Iemanjá. Tudo é igualmente válido.

Neste admirável mundo novo plural, a moralidade judaico-cristã é lançada às favas, porque cada atitude pode ser justificada como sendo uma opção do indivíduo, não sendo da conta de ninguém. Daí o homossexualismo em pé de igualdade com o heterossexualismo, tudo normal, tudo igual. A ambiência em que vive o homem de nosso tempo, está eivada de valores anticristãos. É uma atmosfera poluída, moralmente e espiritualmente falando. Desde a Renascença com os filósofos seculares, até aos dias de hoje, através dos artistas (que são grandes formadores de opinião, sem dúvida alguma) e da mídia como um todo, os valores judaico-cristãos são impiedosamente bombardeados a todo momento.

No setor educacional, por exemplo, ensina-se o Evolucionismo ou Darwinismo como verdade absoluta. Interessante constatar o que vivem dizendo os propagadores desta nova cultura mundial e pagã, de que não existe absoluto nenhum. Assim declaram os filósofos do pós-modernismo, Foucalt, Rorty e Derrida. Rorty, por exemplo, advoga um pluralismo cultural tolerante, em conformidade com o espírito de tolerância que tornou possível a existência das democracias constitucionais. A conclusão disso é a igual aceitação de todas as alternativas como sendo consideradas igualmente válidas, sendo o Cristianismo apenas uma dentre todas as demais. Vemos como se contradizem peremptoriamente e não enxergam a insensatez de seus postulados que defendem com grande dedicação.

O que podemos entender baseados na revelação de Deus, é que isto tudo somente confirma a palavra profética de que nos fala o apóstolo Paulo em 2Ts 2.1-12. Nesta passagem, por revelação do Espírito Santo, Paulo nos fala de que antes dia de Cristo, viriam a apostasia e a manifestação do homem do pecado, ou seja, o Anticristo. Paulo diz ainda que o mistério da injustiça já estava em franca operação e que o Anticristo viria segundo a eficácia de Satanás e com poder, sinais e prodígios mentirosos. Isto aconteceria com todo engano de injustiça, porque as pessoas não iriam querer receber o amor da verdade, a palavra do Evangelho e assim se salvarem, e por terem prazer na iniquidade, Deus lhes enviaria a operação do erro para que cressem então na mentira, no engano que presentemente está sendo apregoado e crido a cada dia.

Portanto, a todos que crêem, que aceitam as ordenanças de Deus reveladas na Bíblia Sagrada, podem entender a grande mudança que ocorre em nosso tempo. A verdade da Palavra de Deus é cada vez mais rejeitada, ridicularizada e muitos ditos cristãos tem apostatado da fé. Rubem Alves, ex-pastor presbiteriano, autor de vários livros e professor na Unicamp, no final do ano de 2000 fez uma estranha e lamentável confissão: “Hoje, as ideias centrais da teologia cristã em que acreditei nada significam para mim: são cascas de cigarras, vazias. Não fazem sentido. Não as entendo. Não as amo. Não posso amar um Pai que mata o Filho, para satisfazer sua justiça.” Rubem Alves foi criado em um lar evangélico, frequentou a Escola Bíblica Dominical, tornou-se Bacharel em Teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul, pastoreou igrejas, tomou muitas vezes o cálice da Ceia do Senhor e repetiu solenemente as palavras de Cristo: “Porque isto é o meu sangue, o sangue do novo testamento, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados” (Mt 26.28). Abandonou a fé, renunciou ao Evangelho, voltou atrás, "amou o presente século" (2Tm 4.10), já não acredita mais no sacrifício vicário realizado no Calvário na Sexta-Feira da Paixão.

É esta a tendência alarmante de nossa época conturbada. Velozmente tem crescido os ataques à fé cristã, em muitos lugares é terminantemente proibido falar de Cristo e do Evangelho. Em nosso país o número de ateus aumentou consideravelmente na última década. Uma sociedade secularizada como a nossa procura viver para satisfação de seus prazeres pessoais, o entretenimento é a ordem do dia, inclusive no seio da Igreja. A cultura em derredor tem procurado subverter o tempo que o crente deveria dedicar à oração, a leitura e meditação nas Escrituras, a realização da obra de Deus. O “mistério da iniquidade” de que falou Paulo (2Ts 2.7), é, na verdade, um processo histórico. São forças ocultas, “hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais” (Ef 6.12) que atuam já há muito tempo e continuam a atuar na transformação da cultura para que cada vez mais ela se distancie da vontade de Deus. Uma sociedade secularizada, individualista e pluralista, contribui em muito para que aconteça, conforme a palavra profética de Jesus em Jo 9.4: “Convém que eu faça as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar.” Ou seja, a noite, as trevas espirituais estão chegando sobre este mundo, o que temos visto é somente o começo.

Com esta palavra não estamos a apregoar o pessimismo, de forma alguma pensemos assim, porque o Senhor ainda é o Soberano sobre toda a terra: “Mas o Senhor está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra” (Hc 2.20). Entretanto, é preocupante a transformação gradual que a cultura secular atravessa em direção a uma sociedade totalmente paganizada, inteiramente sem pressupostos bíblicos e cristocêntricos. Muitos estão trabalhando arduamente para que isto aconteça logo. Note como, por exemplo, em praticamente todas as escolas que ensinam o idioma inglês, o Halloween é comemorado no dia 31 de outubro, como tentam passar a imagem de que ser bruxa ou feiticeiro é algo tremendo, é algo bom. Não atentam para a malignidade disto tudo, taxativamente condenado pela Palavra de Deus (Dt 18.9-14). Perceberam como os livros e filmes do Harry Potter foram uma febre? No meio acadêmico, soa como algo excêntrico ou folclórico, um aluno, ou até mesmo um professor ou funcionário, fazer profissão de sua fé em Cristo, ele será alvo de chacotas e certamente será marginalizado, ou, o que também têm aumentado, perseguido por causa de seu testemunho.

Urge que todo legítimo crente em Cristo Jesus, que procura serví-lo com fidelidade renovada, que não se deixa atemorizar por causa de maus rumores (Sl 112.7a), mas o seu coração está firmemente confiado no Senhor (Sl 112.7b), possa persistir, acrescentando, conforme o apóstolo Pedro exortou: “E vós também, pondo nisto mesmo toda diligência, acrescentai à vossa fé a virtude, e a virtude a ciência, e a ciência a temperança, e à temperança a paciência, e à paciência a piedade, e à piedade o amor fraternal, e ao amor fraternal a caridade. Porque se em vós houver e abundarem estas coisas, não vos deixarão ociosos nem estéreis no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo. Pois aquele em quem não há estas coisas é cego, nada vendo ao longe, havendo-se esquecido da purificação dos seus antigos pecados” (2Pe 1.5-9).

É isto que devemos fazer, sendo um contraponto à presente tendência da cultura em direção à total paganização. Jesus disse que nós somos sal da terra e luz do mundo (Mt 5.13-16), portanto, é nosso dever continuar a salgar esta sociedade, ou seja, à semelhança do sal, através de uma vida impoluta, uma vida digna do Nome do Senhor, estaremos preservando a sociedade humana da total putrefação, bem como resplandecer nossa luz, significando que eles deverão ver nossas boas obras pois Jesus diz que eles então glorificarão a nosso Pai que está nos céus.

Já é hora de despertarmos para o avançar da hora no relógio de Deus. A cultura em derredor está aceleradamente rejeitando a Deus e Sua Palavra. Que temos feito a respeito? Estamos ainda em nossa zona de conforto?

Então, pense nisto.

Fonte: Observatório Teológico

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