sexta-feira, 14 de maio de 2010

Wall Street: o dinheiro nunca dorme



Ana Martinelli para o Cineclick

Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme parece destinado a se tornar um clássico de nossa época, assim como Wall Street – Poder e Cobiça revelou as nuances do jogo do dinheiro e tornou-se um testamento da geração yuppie nos anos 80.

Se no primeiro filme Gordon Gekko (Michael Douglas) ficou eternizado com a frase “Greed is Good” (algo como "A ganância é boa", na tradução literal), lema que definia os interesses do qual era o maior expoente, passados mais de 20 anos, e com as mudanças da dinâmica do mercado financeiro, a frase na boca de Gekko, hoje, é “Pode até ser anti-ético, mas não é ilegal”. O jogo mudou, mas ainda é tudo pelo dinheiro.

Enquanto o jovem investidor Jacob Moore (Shia LaBeof) trilha seu caminho na Bolsa de Valores em Wall Street, Gekko sai da prisão depois de cumprir sua pena. O garoto é esperto para os negócios, mas ainda um pouco inocente sobre o quão sofisticada é a manipulação das regras. Numa dessas jogadas, vê seu mentor sucumbir. Jake (Jason Clarke) procura Gekko, pai de sua namorada, movido pelo sentimento de vingança pelo que foi feito de Lou Zabel (Frank Langella), o pai porque gostaria de se reaproximar da filha.

O roteiro de Allan Loeb (Quebrando a Banca) e Stephen Schiff (Crime Verdadeiro) envolve o espectador num emaranhado de interesses, intrigas e conflitos que parece não ter fundo. Oliver Stone (W.) mais uma vez acerta a mão na direção e constrói um retrato interessante de quem são as pessoas por trás do mercado, a extensão de seu poder e como tudo pode mudar em menos de segundos no sistema capitalista, tal qual existe hoje.

As referências ao primeiro filme são trazidas pelos próprios personagens da trama, mas não deixam quem nunca viu Wall Street – Poder e Cobiça de fora. Pelo contrário, instiga a rever o anterior. Juntos, os dois longas, fazem um belo panorama dos últimos trinta anos, de Reagan a Bush.

O vilão desta produção é o poderoso e implacável Bretton James, em excelente interpretação de Joshua Brolin (George W. Bush, em W. ). À frente de um dos maiores bancos de investimentos, ele compra, vende ou quebra empresas para fazer mais dinheiro, mesmo que precise jogar por fora. Ele acha que está acima de tudo. Gekko o conhece de outros tempos e num jogo de trocas de interesses com seu futuro genro, vai ajudá-lo a conseguir as informações que precisa para provar quem estava por trás da bancarrota da empresa de seu mentor. Só que como nada neste mundo é de graça e confiança é um bem de luxo, eles terão de confiar um no outro e, prometo que isso não estraga o filme, vão se decepcionar e muito ao longo do caminho.

O trio central tem uma boa química, mas Shia LaBeouf (Transformers: A Vingança dos Derrotados) é o elo fraco. Michael Douglas retorna com naturalidade e segurança à um dos papéis mais importantes de sua carreira e a jovem Carey Mulligan, indicada ao Oscar por Educação, é um talento a ser acompanhado de perto.

Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme é um filme que fala sobre a consciência do mundo em que vivemos e das ações que tomamos. A verdade é que não há separação real entre as relações de amor e de trabalho. Vivemos num mundo só, e ele é feito de pessoas falíveis. Estamos lidando com uma verdade cruel da trama que está vida real. Querendo ou não, estamos todos juntos quando este sistema entra em colapso, mas será que somos todos corresponsáveis ou alienados?

Estreia prevista no Brasil: 24/09/2010

Site oficial: http://www.wallstreetmoneyneversleeps.com/ /

Um comentário:

Mateus disse...

o primeiro filme foi fantástico, Gordon Gecko era o maioral até ser preso.