terça-feira, 25 de maio de 2010

Similaridades entre as indulgências de Tetzel e o almômetro do Silas Malafaia.

No século XVI, Tetzel, um padre dominicano, pregava sobre as indulgências com grande exibicionismo. Dizia ele que “cada vez que uma moeda caía na bolsa do frade, uma alma saía do purgatório”. Nesta perspectiva, Roma incentivava os "fiéis" a doarem seus parcos recursos a fim de que os mortos fossem benificiados pela bondade de Deus e herdassem o céu.

Há poucas semanas o pastor Silas Malafaia lançou na televisão uma campanha denominada de "o clube de um milhão de almas." Segundo Malafaia, ao doar R$ 1000,00 para o seu programa de tv, o crente em Jesus contribui pra salvação de um milhão de almas. Para simbolizar isso, o pastor Silas, criou o "almômetro", onde a cada contribuição, pessoas são salvas do inferno.

Caro leitor, em 31 de outubro de 1517, o monge alemão, Martinho Lutero afixou às portas do castelo de Wittenberg, as suas 95 teses denunciando as indulgências e os excessos da Igreja Católica, dando inicio a Reforma Protestante. Quase quinhentos anos depois, a igreja dita evangélica, experimenta em seus arraiais as mais estranhas doutrinas, o que com absoluta certeza faria com que o reformador alemão ficasse de rosto ruborizado. Ensinamentos como o pregado por Malafaia, onde almas são "compradas" mediante ofertas afrontam as Sagradas Escrituras.

Como já havia escrito inúmeras vezes não agüento mais a efervescência da graça barata, o mercantilismo gospel, a banalização da fé. Com dor no coração sou obrigado a confessar essa gente não têm pregado o evangelho do reino. Antes pelo contrário, o evangelho o qual estes têm pregado é humanista, megalomaníaco e anti-bíblico.

Prezado leitor, ser protestante, não é somente se identificar com o protesto feito pelos reformadores contra a corrupção eclesiástica e o falso ensinamento católico do século XVI; é muito mais do que isso. Ser protestante, é protestar hoje contras as doutrinas mercantilistas dos falsos apóstolos, é viver debaixo de um avivamento integral, é resgatar os valores indispensáveis a fé bíblica através da Palavra, é proclamar incondicionalmente a mensagem da graça de Deus em Cristo Jesus.

O lema "Eclésia reformata, semper reformanda", deveria estar sempre ressoando em nossos ouvidos e corações, desafiando-nos à responsabilidade de continuamente caminharmos segundo a Palavra, sem nos deixarmos levar por ventos de doutrinas e movimentos que tentam transformar a Igreja de Cristo, num circo eclesiástico, nas mãos de líderes inescrupulosos, que manipulam o povo ao seu bel prazer, tudo isso em nome de Deus!

Uma nova reforma já!

Renato Vargens

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