quarta-feira, 26 de maio de 2010

Paulistanos dormem cada vez menos

Pesquisa comparou médias de sono nas duas últimas décadas; consumo de remédios para dormir aumenta

Noite perdeu meia hora em 20 anos; perda é pior nos fins de semana, quando, em tese, se pode descansar mais

GABRIELA CUPANI
FERNANDA BASSETTE
Folha de S. Paulo

O paulistano está dormindo quase meia hora a menos por noite do que há 20 anos. Seu tempo médio na cama, hoje, é de sete horas e meia nos dias úteis e perto de oito horas e meia aos domingos.

A taxa dos que usam drogas para dormir em no mínimo três noites por semana subiu de 3,9% para 4,6% no período. Aqui, as mulheres são o dobro dos homens.

O estudo, que pode ser extrapolado para grandes cidades do país, mostra que a pessoa tem mais dificuldade em pegar no sono e em mantê-lo. Cresceram as queixas de despertar precoce.
"São Paulo é uma cidade "24 horas", cheia de atividades sociais e profissionais. Isso pode colaborar para a redução das horas de sono", diz o biólogo Rogério Santos-Silva, da Universidade Federal de São Paulo, um dos autores do estudo, que será publicado na "Sleep Medicine".
A empresária Deborah Sollito Ventura, 47, trocou o dia pela noite. "Comecei a levar trabalho para casa porque gosto da madrugada. Faz anos que não durmo as oito horas recomendadas", diz.
O pior é que a redução de horas de sono é maior nos fins de semana.

"Hoje, as pessoas vão ao supermercado de madrugada. Há muitas opções de baladas, bares. Ninguém sacrifica o lazer, é mais fácil sacrificar o sono", diz o pneumologista Maurício Bagnato, responsável pelo setor de medicina do sono do Hospital Sírio-Libanês.

Não é possível "recuperar" uma noite perdida, mas dormir mais no fim de semana ajuda a compensar, em parte, o deficit, dizem os autores.

Para chegar ao resultado, eles aplicaram questionários que avaliavam as queixas das pessoas em 1987, 1995 e 2007. Em cada etapa, foram ouvidos mil voluntários com idades entre 20 e 80 anos.

PROBLEMAS
A falta de sono crônica gera aumento da irritabilidade, queda na concentração e alterações no metabolismo, como maior predisposição à obesidade e ao diabetes. "A privação do sono, mesmo de poucos minutos, é suficiente para alterar todo o relógio biológico", diz Bagnato.

A pesquisa também constatou um aumento das queixas dos distúrbios de sono em geral, como ronco, insônia, pesadelos, bruxismo e sonambulismo.

"Problemas como a insônia estão muito ligados à ansiedade e as pessoas, de fato, andam mais estressadas", nota Santos-Silva.

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