terça-feira, 25 de maio de 2010

Justiça impede nova tiragem do livro de médium sobre a pior tragédia aérea do país


Sérgio Ripardo
da Livraria da Folha

Livro espírita diz que vítimas de acidente com Airbus da TAM foram algozes no passado

O livro "O Voo da Esperança", escrito pelo médium Woyne Figner Sacchetin sobre o pior acidente aéreo do país, não poderá ter novas tiragens.

A decisão, em primeira instância (cabe recurso), foi tomada pela Justiça de São José do Rio Preto (438 km de São Paulo), que analisou a reclamação feita pela família de três vítimas da tragédia com o voo 3054 da TAM, no aeroporto de Congonhas (SP), em 2007.

Na obra, o médium escreve que os passageiros morreram porque foram algozes em uma vida passada. Sacchetin diz ter recebido o espírito de Santos Dumont (1873-1932). O caso tramita no fórum de São José do Rio Preto desde o fim do ano passado. A família sustenta que a obra denegriu a imagem de quem não está aqui para se defender.

Família quer retirada total

A professora Carmem Caballero perdeu a mãe (Maria Elizabete, 65) e duas filhas (Júlia, 14, e Maria Isabel, 10) no acidente no dia 17 de julho de 2007, quando um Airbus-A320, vindo de Porto Alegre (RS), saiu da pista de Congonhas, cruzou a av. Washington Luis e bateu no prédio do depósito da TAM, provocando um incêndio e a morte de 199 pessoas.

Mas a decisão judicial de impedir novas tiragens do livro lançado pela Lachâtre (ligada à editora Universo das Letras) foi considerada insuficiente para a família das três vítimas, que exige o recolhimento dos exemplares atualmente no mercado e ainda uma indenização por danos morais correspondente a mil salários mínimos (R$ 510 mil, em valor atual).

"Vamos recorrer da decisão no Tribunal de Justiça", disse, neste sábado (22) à Livraria da Folha o advogado Marco Aurélio Bdine, que defende a professora. Ele afirmou que, na última sexta-feira (21), já entrou com questionamento no Tribunal de Justiça de São Paulo.

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