segunda-feira, 24 de maio de 2010

Clérigo dos EUA pede que muçulmanos matem soldados americanos

Um clérigo militante, nascido nos EUA, pediu que muçulmanos matassem soldados no Iraque e no Afeganistão e prometeu aumentar os ataques contra as forças militares norte-americanas, segundo uma fita de vídeo divulgada neste domingo.

Anwar al-Awlaki, procurado vivo ou morto pelas autoridades dos EUA, é uma figura de liderança ligada ao braço da Al Qaeda no Iêmen. Acredita-se que ele está foragido nesse país.

"Muçulmanos deveriam se opor ao que está acontecendo através de atitudes verbais ou físicas", disse Awlaki em uma entrevista de 45 minutos divulgado em um site islâmico na Internet. A Reuters não conseguiu verificar imediatamente a autenticidade da gravação.

Awlaki elogiou as ações do psiquiatra do Exército norte-americano Nidal Malik Hasan, que matou 13 pessoas a tiros em Fort Hood, uma base militar no Texas, em novembro.

"Nidal era meu estudante... Estou orgulhoso de Nidal Hasan e esse foi um ato heroico" disse ele, acrescentando: "Quem pode se opor ao que ele fez? Ele matou soldados que estavam a caminho do Iraque e do Afeganistão."

Hasan havia enviado emails ao clérigo, mas foram interceptados pelas agências de inteligência dos EUA e examinadas por forças contra o terrorismo do país.

"Se a situação continuar veremos novos Nidal Hasans aparecendo", disse Awlaki na fita. "Esses soldados americanos a caminho do Afeganistão e do Iraque, vamos matá-los."

Indagado por um entrevistador se matar soldados norte-americanos teria um impacto negativo sobre os muçulmanos nos Estados Unidos, Awlaki disse que a defesa de muçulmanos no Iraque e no Afeganistão era uma prioridade maior.

"Proteger a reputação de muçulmanos na América é mais importante do que bombas caindo sobre milhões de muçulmanos em outros lugares?"

Autoridades dos EUA disseram em abril que o governo do presidente Barack Obama havia autorizado operações para capturar ou matar Awlaki. O Iêmen disse que não entregaria Awlaki, cuja família é bem conhecida no país, mas disse que ele seria julgado caso fosse detido.

Nascido em Novo México, Awlaki liderou cultos em mosteiros nos EUA. Ele retornou ao Iêmen em 2004 onde lecionou em uma universidade antes de ser detido e preso em 2006 por supostas ligações à Al Qaeda e envolvimento em ataques. Ele foi libertado posteriormente em 2007.

Reportagem de Amena Bakr, O Globo

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