sexta-feira, 21 de maio de 2010

Filósofo francês condena pregação nas escolas


Joyce Carvalho
Daniel Caron

Luc Ferry foi ministro da Educação da França e causou polêmica em seu país.

A relação entre religião e escola é um tema polêmico. E o filósofo Luc Ferry, ministro de Educação da França no período de 2002 a 2004, atiça ainda mais os ânimos quando se fala desta relação. Ele foi o responsável por proibir os trajes religiosos nas escolas públicas do país europeu.

A medida casou muita controvérsia e é discutida até hoje. Ferry continua defendendo a proposta e deixa claro que existe uma grande diferença em ensinar a história das religiões e pregação.

“Quando eu era criança, não via véus (usados por mulheres muçulmanas) nas ruas. Em geral, na Europa, as mulheres voltaram a usar. O véu não é uma obrigação na religião muçulmana. Mas então por que o retorno do véu? O movimento islâmico está muito forte no mundo e o uso do véu é político, e não cultural”, comentou Ferry.

Ele esteve ontem em Curitiba, onde fez uma palestra da Universidade Positivo, em evento realizado com a parceria do Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe/PR).

Com esta visão, o ex-ministro também se mostrou contrário ao acordo firmado no ano passado entre Brasil e Vaticano para introduzir nas escolas públicas a disciplina de religião.

“Enquanto ministro, decidi pelo ensino da história das religiões, com professores de História. Fala-se de Islamismo, Judaísmo, Cristianismo, Budismo. A história das religiões é vital. Sob o ponto de vista cultural, suprimir isto é um absurdo. Mas não se pode tomar partido desta ou de outra religião”, opinou.

Para Ferry, a educação também deve cumprir seu papel e falar de temas como sustentabilidade, preservação ambiental, voluntariado e ação social. Ele explica que há uma lacuna entre o que se aprende na família e a experiência dentro da universidade, que deve ser preenchida.

O ex-ministro contou que recentemente foi criado na França o serviço cívico, que vai ocupar o espaço do serviço militar. A proposta é fazer com que os jovens assumam responsabilidades junto à sociedade. E recebendo dinheiro por isso.

“Foi solicitado aos reitores das universidades que estes compromissos com a sociedade fossem transformados em créditos que contribuem na hora da formação. Muitos jovens querem ser engajados e, além de se sentirem úteis, querem que isto seja valorizado”, afirmou. Serão criados 70 postos para este serviço. Apesar do custo alto, Ferry acredita que será um investimento, e não dinheiro perdido.

O filósofo é autor de diversos livros, entre eles O que é uma vida bem sucedida?, Famílias, amo vocês e Aprender a viver. Com esta publicação, ele ganhou um dos prêmios mais conceituados de não-ficção contemporânea na França, em 2006.

Fonte: Paraná On-line

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