sábado, 8 de maio de 2010

Filosofia de Kierkegaard

No último dia 05 de maio, comemorou-se o aniversário de nascimento de um grande pensador da filosofia mundial: Søren Aabye Kierkegaard. Este filósofo dinamarquês de nome difícil, conhecido como o pai do existencialismo, nasceu em Copenhague, capital dinamarquesa, em 1813. Em celebração aos 197 anos de seu nascimento, o professor do Departamento de Letras da Universidade Estadual da Paraíba, Eli Brandão, que trabalhou o autor em seu mestrado, nos esclarece mais sobre o pensador.

Eli Brandão dissertou sobre as relações entre Teologia e Filosofia em Kierkegaard no Mestrado em Teologia no STBNB, Recife - PE. Na sua opinião, a principal contribuição de Kierkegaard para a Filosofia foi ter sido um Filósofo-poeta-teólogo que definiu sua obra assim: ‘minha obra é pura reflexão sobre mim mesmo’. “Precursor do que veio a se chamar ‘existencialismo’, o pensamento de Kierkegaard se desenvolveu a partir de sua crítica ao sistema idealista de Hegel (filósofo alemão), que afirmava que só o todo é concreto”, explica Brandão.

Segundo o professor, em lugar do todo abstrato, o filósofo dinamarquês afirmava que o existente é sempre particular, que o abstrato não existe, que “a verdade é a subjetividade”, que a única verdade é o indivíduo. “Afirmava também que o humano é um ser destinado a escolher, que não podemos deixar de escolher, embora possamos escolher livremente, e que essa escolha define-nos enquanto ser existente. Suas reflexões sobre a angústia, o desespero, a fé, o pecado contribuíram para a filosofia, a psicologia e a teologia”, continua o acadêmico.

Questionado a respeito de qual perspectiva estudou o autor, Eli Brandão explicou que sua formação em nível de graduação transitou pelas áreas de Letras, Teologia, Filosofia e Psicologia e que buscou, em sua pesquisa sobre o pensamento de Kierkegaard, conciliar “essa complexidade que teimava em dialogar dentro de mim”, disse.

“Neste sentido, minha dissertação foi um estudo sobre a “Dialética, fé e pecado na construção do Humano, na Poética Téo-Filosófica de Kierkegaard”. A discussão envolveu reflexão sobre a angústia como pré-condição da liberdade; o desespero como espaço de decisão do ser, a liberdade como possibilidade do ser; a fé como salto qualitativo”, relatou o professor.

Sobre a preponderância de Kierkegaard na filosofia brasileira e mundial, Eli Brandão disse que pela influência que seu pensamento exerceu sobre o existencialismo, suas idéias se desdobram dialogicamente em autores representativos de correntes da filosofia, da teologia, da psicologia, poetas e prosadores da literatura mundial. Assim, os ecos do gênio estão presentes em Nietzsche, Heidegger, Sartre, Freud, Gabriel Marcel, Karl Jaspers, Rudolf Karl Bultmann, Paul Tillich, Karl Barth, Viktor Frankl, Franz Kafka e Clarice Lispector, dentre outros.

O professor Eli Brandão escolheu estudar o filósofo Kierkegaard, mesmo sendo advindo do curso de Letras. Ele afirma que o pensamento de Kierkegaard, como ocorre com o de todo grande pensador, não se deixa enclausurar em compartimentos estanques, mas dialoga transdisciplinarmente, com as áreas de psicologia, filosofia, teologia, antropologia e literatura.

“Como exemplo de pesquisas desenvolvidas no âmbito da UEPB e que se utilizaram do pensamento de Kierkegaard como referencial teórico, posso destacar duas dissertações, sob minha orientação: a de Nilvanda Dantas, ‘Antropofanias em Clarice Lispector: percurso poético-teológico-filosófico’ (MICS/UEPB), e a de Edilane Bento, (MLI/UEPB) ‘Melancolia e poesia tecidas em flor e anjos: diálogo melancólico entre as poéticas de Augusto dos Anjos e Florbela Espanca’”, exemplificou Eli.

O professor afirma que pela abrangência da contribuição do seu pensamento, ele também é estudado em componentes curriculares dos cursos de filosofia, psicologia e do Mestrado em Literatura e Interculturalidade (MLI) da UEPB.

Mais sobre Kierkegaard

Kierkegaard é um dos raros autores cuja vida exerceu profunda influência no desenvolvimento da obra. As inquietações e angústias que o acompanharam estão expressas em seus textos, incluindo a relação de angústia e sofrimento que ele manteve com o cristianismo. Filosoficamente, fez a ponte entre a filosofia hegeliana e aquilo que se tornaria o existencialismo.

Polemista por excelência, Kierkegaard criticou a Igreja oficial da Dinamarca, com a qual travou um debate acirrado, e foi execrado pelo semanário satírico O Corsário, de Copenhague. Em 1849, publicou Doença Mortal e, em 1850, Escola do Cristianismo, em que analisa a deterioração do sentimento religioso. Morreu em 1855.

Mais sobre o professor

Eli Brandão é Doutor em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) com tese na interface Literatura/Teologia. Atualmente, é professor titular da UEPB, coordenador junto à Pró-Reitoria de Planejamento (PROPLAD) da Instituição, atuando também no ensino, orientação e pesquisa na área de literatura, nos níveis de graduação e pós-graduação. É professor permanente no Mestrado Acadêmico em Literatura e Interculturalidade, concentrando-se em estudos sobre teologia, filosofia e ética na Literatura.

Juliana Rosas Assessoria de Comunicação

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