quinta-feira, 27 de maio de 2010

Conselho de Nova York aprova construção de mesquita perto do World Trade Center

Um conselho comunitário da cidade de Nova York aprovou na noite de terça-feira um polêmico plano para construir uma mesquita perto do "Ground Zero", o local onde ficavam as torres gêmeas do World Trade Center, derrubadas nos atentados de 11 de setembro de 2001. Embora não seja necessária, a aprovação do comitê é considerada fundamental para que os moradores da cidade apoiem o projeto, que recebeu 29 votos favoráveis e um contra. Houve dez abstenções. O imã Feisal Abdul Rauf aplaudiu o projeto, dizendo que a mesquita naquele local marcaria posição para defender a fé muçulmana, para homenagear os mortos e separar os terroristas como fanáticos que desrespeitaram os princípios do islamismo.

Mas parentes das vítimas do 11 de Setembro já organizam protestos contra a decisão, que consideram um desrespeito à memória dos mortos, uma vez que os terroristas eram fanáticos islâmicos.

- Aqueles que pensam que abrir uma mesquita no Marco Zero é um desrespeito às vítimas têm na verdade uma atitude antiamericana. Este país foi construído por imigrantes de várias origens e tendências. Farei tudo o que for preciso para que esta mesquita seja aberta e para assegurar o direito dos muçulmanos de se reunirem e praticarem sua religião pacificamente - comentou Scott Stringer, presidente da associação comunitária daquela região de Manhattan.

" É uma semente de paz "

- É uma semente de paz - disse Rob Townley, membro do conselho que avaliou o plano. - Nós acreditamos que é um passo significativo na comunidade muçulmana para reagir ao ódio e ao fanatismo na minoria da comunidade.

As organizações que patrocinam o projeto dizem que estão tentando atender à crescente necessidade de espaços para rezar em Manhattan, além de oferecer um local para a disseminação do islamismo moderado, para combater o extremismo.

- A voz muçulmana moderada foi sufocada na América - disse Bruce Wallace, que disse ter perdido um sobrinho nos atentados de 2001. - Aqui está uma chance de permitir que os muçulmanos moderados ensinem as pessoas que nem todos os muçulmanos são terroristas.

Na reunião, porém, outros mostraram opinião contrária sobre o projeto, que inclui área para realização de atividades de diferentes crenças, conferências e um centro de artes.

Uma das líderes do protesto contra a mesquita é Pamela Geller, militante do movimento Tea Party, que lançou uma campanha contra a "islamização da América". Pamela organizou também um movimento que arrecadou US$ 40 mil para financiar anúncios espalhados nos ônibus de Nova York com os dizeres: "A sua comunidade está ameaçando você porque você não quer mais saber de Islã? Dê um basta. Entre para o movimento: pare a islamização da América".

- Hoje, as pessoas querem abandonar o islamismo e são ameaçadas. Mas eu agradeço às tropas americanas porque o sacrifício dos soldados me permite viver num país livre, onde posso dar minha opinião sobre esse fanatismo religioso e oferecer ajuda para quem quiser abandonar o fanatismo - diz Pamela Geller, que teve o aval da companhia local de transportes públicos para publicar os anúncios, com base no direito à liberdade de expressão.

A possível construção da mesquita também provocou reações entre políticos. O ativista Mark Williams, do movimento conservador "Tea Party", chamou a proposta de monumento aos ataques terroristas. Algumas famílias de vítimas do 11 de Setembro também se irritaram com o fato de a construção ser tão próxima do local onde seus parentes morreram.

O chefe de polícia de Nova York, Raymond Kelly, disse que a construção da mesquita não é motivo de preocupações em relação à segurança na área.

Fonte: O Globo

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