quinta-feira, 8 de abril de 2010

"Washington Post" critica política de Obama para Venezuela

O jornal "The Washington Post" criticou nesta quinta-feira, em um editorial, a fraca resposta do Governo do presidente americano, Barack Obama, ao anúncio da Rússia de que Venezuela gastará US$ 5 bilhões em armas russas e às detenções de três opositores ao Executivo de Hugo Chávez.

"A resposta da Administração Obama foi minimizar os fatos. As detenções políticas foram respondidas com meras declarações de preocupação", apontou o jornal.

"Nas últimas duas semanas, o Governo (venezuelano) deteve e acusou penalmente três importantes líderes opositores. Um deles (Oswaldo Álvarez Paz) é um ex-governador e ex-candidato presidencial, que disse, em entrevista, que a Venezuela se transformou em um paraíso de narcotraficantes e de terroristas", denunciou a publicação.

"Outro é o proprietário da única rede de televisão que se atreve a criticar Chávez (Guillermo Zuloaga, da "Globovisión") e o terceiro é um deputado da Assembleia Nacional (Wilmer Azuaje) que denunciou casos de corrupção envolvendo membros da família do presidente", acrescentou o "Post".

No caso de Álvarez Paz, o "Washington Post" afirmou que Chávez "empreendeu ações" depois do auto do juiz espanhol Eloy Velasco sobre a suposta cumplicidade do Governo venezuelano com o grupo terrorista ETA e com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

"O crime de Paz foi falar sobre o assunto", segundo o jornal, que acrescentou que o expediente judicial apresentado na Espanha "constitui uma das muitas provas que demonstram o apoio de Chávez ao terrorismo, que não escondeu sua preferência pelas Farc ao Governo democrático da Colômbia".

Quanto às "armas russas, com o objetivo de intimidar os aliados mais próximos dos Estados Unidos na América Latina", em referência à Colômbia, o jornal criticou a resposta do porta-voz do Departamento de Estado americano, Philip Crowley.

Na segunda-feira passada, depois do anúncio do primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, o porta-voz americano declarou: "Precisamos saber que necessidade de legítima defesa a Venezuela tem para (adquirir) este equipamento (...) e provavelmente podemos pensar em coisas melhores onde o lucro do povo venezuelano pode ser investido".

O editorial considerou a resposta insuficiente e afirmou que "os colombianos e os venezuelanos só podem esperar que tal desinteresse esteja justificado".

Em resposta ao editorial, o embaixador da Venezuela na Organização de Estados Americanos (OEA), Roy Chaderton, disse que, "por trás destes editoriais está um senhor, Jackson Diehl (subdiretor da seção de opinião do "Washington Post"), que é muito amigo do dono da 'RCTV', da Venezuela", e ao qual acusou de cumplicidade com a "ditadura midiática venezuelana".

Fonte: EFE

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