sexta-feira, 9 de abril de 2010

Mais distante do apocalipse

Mais distante do apocalipseDesta vez, os ponteiros do chamado “Relógio do Apocalipse” não se mexeram. Mas é inegável que o mundo está um pouquinho mais seguro com a decisão dos EUA e da Rússia de reduzirem ainda mais seus arsenais nucleares estratégicos – aquelas ogivas montadas em mísseis de longo alcance, que podem sair, por exemplo, de um silo nas planícies do Kansas ou de um submarino oculto nas profundezas do Atlântico para aniquilar Moscou, a milhares de quilômetros de distância.

Criado em 1947 pelo Boletim dos Cientistas Atômicos da Universidade de Chicago, para simbolizar o risco de uma catástrofe global, o relógio já foi ajustado 19 vezes desde então, a última em 14 de janeiro passado. Atualmente, faltam seis minutos para os dois ponteiros se encontrarem sobre o 12 – a meia-noite significa, claro, o apocalipse. Mas já foi muito pior: em 1953, o relógio marcou 23h58min, depois que Estados Unidos e Rússia fizeram testes nucleares com uma diferença de apenas nove meses um do outro.

A assinatura do acordo de ontem é importante também como um exemplo para outras nações do exclusivíssimo clube nuclear. Só russos e americanos têm poder atômico suficiente para arrasar o planeta inteiro, mas países como Paquistão, Índia e Coreia do Norte podem provocar grandes estragos – para não falar em centenas de milhares de mortes – em suas regiões. Com o tratado, a Casa Branca e o Kremlin ganham também mais autoridade moral para exigir da incógnita chamada Irã um compromisso de não desenvolver armas nucleares.

Fonte: Luciano Pires - Zero Hora

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