terça-feira, 27 de abril de 2010

Irã é mais um tropeço da política externa brasileira

O ministro Celso Amorim se reúne com o chanceler iraniano, Manouchehr Mottaki (Foto: AFP)

O apoio ao Irã é mais um dos tropeços do governo Lula na política internacional. Para o sociólogo e doutor em geografia humana, Demétrio Magnoli, o discurso do Itamaraty é desequilibrado porque conta uma parte da história e esconde a outra. Ou seja, diz que o Irã tem o mesmo direito que o Brasil de manter um programa nuclear com finalidades pacíficas. Contudo, esconde o fato de o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, não cumprir as suas obrigações perante o tratado de não proliferação nuclear (TNP).

"Não adianta dizer que o Irã tem os mesmos direitos que o Brasil quando as situações são diferentes. O Brasil cumpre as suas obrigações perante o TNP. O Irã não", disse Magnoli a VEJA.com.

"Enquanto o ministro Celso Amorim não contar a segunda parte da história, ele se converte em um eco, um arauto das posições do governo iraniano", completou.

O ex-embaixador brasileiro em Washington, Rubens Barbosa, diz que é difícil entender porque Lula está se desgastando - especialmente dentro do país - para defender a República Islâmica. Ele acredita que a atitude pode gerar dúvidas sobre os interesses do Brasil.

"O programa nuclear brasileiro nunca levantou suspeitas. Se avançarmos o sinal, vai começar a haver questionamentos sobre a intenção do país", ele afirmou a VEJA.com.

Magnoli, no entanto, acha que as explicações podem estar dentro do PT e do governo. O sociólogo acredita que haja uma forte pressão ideológica, influenciada por uma visão anti-americana, sobre a atual política externa brasileira. E isso impediria o país de tomar posições mais duras.

"O Brasil precisa ser coerente com sua condição de signatário do TNP e de membro provisório do Conselho de Segurança da ONU. O país tem a obrigação de exigir que o Irã siga as regras do tratado que assinou. Mas, em nenhum momento faz isso", disse Magnoli.

Histórico polêmico – O governo Lula já havia sido criticado em outro episódio que envolvia o Irã. Em junho do ano passado, o presidente comparou as manifestações nas ruas do país - contra o resultado da eleição presidencial, marcada por suspeitas de fraudes - a "uma briga entre flamenguistas e vascaínos".

Pouco depois, em novembro, a Embaixada brasileira em Tegucigalpa abrigou o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya. O hóspede incômodo usou os escritórios da Embaixada para convocar seus militantes à luta. Novamente atropelando o bom senso, o Brasil se negou a reconhecer a eleição de Porfirio "Pepe" Lobo, apontada como a única solução para a crise.

Neste ano, em março, o presidente Lula comparou presos da ditadura cubana a bandidos comuns no Brasil. As declarações foram feitas logo após a viagem de Lula a Havana, quando o dissidente Orlando Zapata morreu ao realizar uma greve de fome. Pegou mal para o Brasil.


Fonte: Veja

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