quinta-feira, 18 de março de 2010

Uma Igreja sob a ameaça dos evangélicos e do ateísmo

A evolução dos valores estatísticos em meio século define um padrão de declínio dos católicos no Brasil. Números do IBGE mostram que, em 1950, 93,5% dos brasileiros declaravam-se católicos. Este valor caiu para 73% em 2000, isto numa população hoje de 194 milhões. Em contrapartida, se nos anos 50 apenas 3,4% se declaravam evangélicos, esta percentagem subiu para os 15,4% em 2000.

Também significativo é o facto de, no meio século em questão, o número de ateus confessos ter passado de 0,8% para 7,3%. O Brasil continua, todavia, a ser o maior país católico em número de fiéis.

As causas deste declínio resultam das mudanças na estrutura e nas prioridades da Igreja que, nos anos 60 e 70, baseava muito da sua acção nas Comunidades Eclesiásticas da Base e na politização do seu discurso. Este caminho acentuou contradições no interior da Igreja e gerou tensões na hierarquia e entre esta e as reivindicações dos leigos, num momento marcado pela ideologização da teologia e da fé. É nesta época que evangélicos e seitas começaram a encontrar eco. Entre estas refira- -se a Assembleia de Deus, a Congregação Cristã e a Igreja Universal do Reino de Deus. O dado mais significativo é que o crescimento destes grupos se situa nas áreas de maior pobreza - sinal de que falharam muitos dos pressupostos da Teologia da Libertação.

Nos últimos anos, o aparecimento do "catolicismo mediático", com figuras da hierarquia a adoptarem características de estrelas da cultura popular, provocou um acréscimo de conversões, mas é também criticado pelo seu carácter por vezes pouco profundo. Finalmente, a hierarquia confronta- -se com a crise de vocações.

Fonte: DN Globo

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