domingo, 14 de fevereiro de 2010

Avessos à folia dizem que sequer assistem à TV nesta época do ano

Pablo cita a 'banalização'



O samba e a animação que invadem as madrugadas no Carnaval não são unanimidade. Enquanto milhares de pessoas se “acabam” na folia dos blocos, escolas e bailes, outras fazem de tudo para fugir do que chamam de “bagunça”. E, nessa hora, vale tudo: desligar a televisão, buscar a espiritualidade, correr para um refúgio no meio da natureza e até trabalhar.

“Sempre fui mais reservado”, reconhece o estudante Pablo Roberto de Oliveira Gomes, 20 anos. Ao contrário da maioria dos jovens de sua idade, o universitário não se imagina no meio da folia. “Até acho o Carnaval uma festa legal do ponto de vista cultural, mas o problema é que nesta época as pessoas se esquecem de sua identidade, há muita droga e bebidas. É a banalização de uma festa que é muito bonita e poderia ser a cara do Brasil”, falou. Para ocupar os quatro dias de descanso, Pablo se dedica à espiritualidade. Nos últimos anos, ele tem participado de retiros. Desta vez, resolveu ficar em casa, mas os compromissos continuam em torno da igreja. Apesar da sua posição, Pablo diz que respeita quem gosta do Carnaval. “Cada um é dono do seu nariz. Assistir a uma escola de samba pela televisão até dá, mas ir para a folia eu não vou.”

A publicitária Lívia Gusmão, 28 anos, é mais radical. Nessa época do ano, ela conta que não gosta de ver a festa nem pela TV e continua trabalhando normalmente nos projetos culturais que desenvolve pela cidade. “Quando passa o Réveillon e começam a colocar os sambas, já não gosto. Tenho aversão por isso. Nesta época, se ligar a televisão, estrago meu dia”, confessou. Ironicamente, Lívia disse que adora - e sabe - sambar, torce pelas escolas Gaviões da Fiel, em São Paulo, e Beija-Flor, no Rio de Janeiro, e mantém, num site de relacionamento, a foto de uma baile de Carnaval do qual participou com 5 anos de idade, vestida de “oncinha”. “Era criança e minha mãe que levou. Deixei de gostar de Carnaval quando comecei a entender como ele é organizado. Perdeu a graça porque perdeu a pureza. Antes era só festa. Hoje tem muita violência, bebida e confusão. Torcer pelas escolas, só no dia da apuração dos votos”, falou. Mas diz que convive bem com quem gosta da festa: “Respeito quem faz a coisa séria e acho legal as pessoas se organizarem nos blocos. Porém, eu não participo”. A publicitária tem uma filha de 6 anos e garante que, apesar de “odiar” o Carnaval, não vai impedir a garota de frequentar bailes quando crescer. “Ela já pulou na escola. Educo contra tudo o que é perigoso e, se ela quiser, poderá ir”.


Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul

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