sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Sirvam a cabeça do Boris com batatas!

O colega Boris Casoy está sendo massacrado pela Santa Inquisição do politicamente correto

LEVANTE A MÃO quem tem simpatia por gari. Agora levante a mão quem já perdeu tempo na vida conversando com um gari. Nessa, levo vantagem. Depois que tomei conhecimento sobre a tese de mestrado do sociólogo Fernando Braga da Costa, "Garis - um estudo de psicologia sobre a invisibilidade pública", passei a atazanar a vida de todo santo profissional de limpeza que encontro pela frente.


O estudo revela que as pessoas ignoram o gari por entender que não se trata de um ser humano e sim de uma função. Segundo o pesquisador, que passou cinco anos atuando como gari três vezes por semana para realizar sua tese, a maioria nem percebe que o profissional existe: "O uniforme simboliza a invisibilidade e nós temos que mudar isso, trata-se de uma violência". Fernando da Costa abriu-me os olhos. Um simples "bom dia" custa-me muito pouco -e, se ele pode alterar o estado das relações entre garis e não garis, por que não buscar uma aproximação? Hoje em dia, o pessoal da limpeza da Band quase dá no pinote quando me vê. Todos sabem que vou puxar conversa. E, no Ibirapuera, o parque que frequento, só tem gari feliz. Descobri que muitos são meteorologistas a tempo perdido. Bastou você iniciar um papo com algum deles para descobrir se irá ou não chover naquele dia.


Esclareço também que contribuí com a caixinha de Natal para a limpeza da minha rua e que, ao menos por ora, estou em paz com meus conceitos e preconceitos em relação a garis e lixeiros. Assim sendo, sinto-me à vontade para dar o meu pitaco sobre o "affair Boris Casoy", meu colega de Bandnews FM, que disse uma bobagem estratosférica sobre os profissionais da limpeza pública com o microfone aberto e agora está sendo massacrado pela Santa Inquisição do politicamente correto.

Foi infeliz o comentário do apresentador do "Jornal da Band"? Foi.

Mas, vem cá: tem alguma relevância? Muda em um iota todos os anos de excelentes serviços prestados por Boris Casoy ao jornalismo tapuia? É evidente que não.

Que eu saiba, o lixeiro é mesmo "o mais baixo na escala do trabalho", como afirmou Boris com desavergonhada crueza. Ou será que algum dalai lama vai ousar me dizer que o posto é ocupado pelos médicos? Um gari e um lixeiro desejando "muito dinheiro" em 2010 é mesmo motivo de riso; não vejo onde esteja o enorme preconceito de que o jornalista foi acusado.

E ele pediu desculpas, não pediu? Coisa que as quase duas centenas de seres límpidos e puros que ocuparam o espaço dos comentários no meu blog para exigir a cabeça do apresentador não fazem quando dão fechada no trânsito, furam fila ou falam o mesmo tipo de besteira sobre lixeiros em mesas de bar.

Mas, claro, Boris Casoy teve uma rusga pública com Lula e é identificado pela esquerda festiva, emburrada e histérica como sendo um homem de direita. E, portanto, Boris Casoy deve ser atacado a cada oportunidade que se apresente.

Por que será que, quando Lula fez piada sobre os "viados de Pelotas", outra gafe sem a menor importância, essa mesma gente ilibada não deu a mínima?

Barbara Gancia - barbara@uol.com.br

Fonte: Folha de S. Paulo

2 comentários:

Estrelinha =) disse...

Engraçado como essa classe é "unida"... Fazem tão bem seu trabalho que quae convencem a gente, pobres mortais assalariados, de que o comentário não foi preconceituoso e que tudo não passa de uma confusão de fundo político...
Triste saber que é assim que pensam os "grandes jornalistas" como Bóris e Bárbara...

Rodney Eloy disse...

O problema é que politizaram a coisa. Chamá-lo de Nazista e clamarem que o mandassem embora é simplesmente ridículo.