terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Comitê francês recomenda restrição a véu integral

Um comitê parlamentar da França recomendou hoje que o país proíba o uso, por mulheres muçulmanas, do véu islâmico integral, o niqab, em edifícios públicos, incluindo hospitais, e também no transporte público. Além disso, o órgão recomendou que não se conceda cidadania para qualquer um que demonstre sinais visíveis de "prática religiosa radical".

O relatório de quase 200 páginas contém uma série de medidas com o propósito de dissuadir mulheres de utilizarem véus que cubram o corpo todo. Apesar disso, não há um pedido para que essas vestimentas se tornem ilegais em outras áreas públicas e na rua. Para as recomendações passarem a valer, elas precisam ainda ser aprovadas como leis pelo Legislativo.

O painel multipartidário de 32 membros levou em conta as advertências de que uma proibição completa dos véus seria considerada inconstitucional e poderia inclusive causar distúrbios, em um país onde o Islamismo é a segunda maior religião. A estimativa é que vivam na França 5 milhões de muçulmanos, em uma população total de 64 milhões de habitantes.

Líderes muçulmanos já reclamaram do debate sobre os véus na França. Segundo eles, essa questão está se misturando com outra, sobre a identidade nacional francesa, deixando alguns muçulmanos com a impressão de que sua religião se tornou um alvo do governo.

Um relatório da Direção Central de Informações Interiores, um dos serviços secretos franceses, afirma que apenas 367 mulheres usam o véu integral no país. Em junho, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse que os véus que cobrem todo o corpo "não são bem-vindos" em seu país.

Porta ao extremismo

O véu é em grande medida visto na França como uma porta aberta ao extremismo, um insulto à igualdade de gêneros e uma ofensa à tradição secular. Uma lei francesa de 2004 proíbe o uso de véus em escolas primárias e secundárias do país. Qualquer ação posterior sobre a questão não deve acontecer antes de março, quando ocorre na França eleições regionais. Um passo inicial pode ser a passagem de uma resolução, sem peso legal, denunciando o uso de alguns tipos de véu.

Fonte: O Estado de S. Paulo

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