sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Um biólogo irado

Livre das obrigações acadêmicas desde que se aposentou de Oxford, em 2008, o biólogo evolucionista inglês Richard Dawkins desfere, neste novo livro, o seu ataque mais ácido ao criacionismo


O maior espetáculo da Terra: as evidências da evolução (Cia das Letras) será lançado no dia 29 de novembro


Randy Olson (NewScientist), com Peter Moon




O biólogo inglês Richard Dawkins, 68 anos, é sem sombra de dúvida o maior divulgador vivo da teoria da evolução. Seu primeiro livro, O gene egoísta (1976), inspirou uma geração de estudantes de biologia, enquanto o penúltimo, Deus, um delírio (2006), serviu como um poderoso argumento para elevar a autoestima dos ateus, incentivando-os a sair do armário. Com o seu novo livro, esplendidamente intitulado de O maior espetáculo da Terra - As evidências da evolução (Editora Companhia das Letras, 475 páginas, R$ 53), Dawkins faz uma defesa inabalável da teoria da evolução, formulada há exatos 150 anos por Charles Darwin, com a publicação de A origem das espécies (1959). O objetivo de Dawkins é justificar a validade da teoria ao público leigo – e avesso – à evolução. Sua meta é converter a massa ignara que, em nome de convicções religiosas, insiste em dar as costas ao princípio basilar das biociências, da genética e da medicina do século XXI.

Partir do princípio de que seu público-alvo é estúpido não seria um bom ponto de partida para o livro. No entanto, é precisamente isto o que Dawkins faz nesta sua cruzada científica evangelizadora. Ele inicia citando dois livros seus antigos, apenas para observar que, quando os escreveu nos anos 1980, “as pessoas eram, aparentemente, mais inteligentes” e ele não precisava argumentar que a evolução de fato aconteceu. “Não parecia ser necessário”, diz. Estava enganado. Prova disso é a expansão, principalmente nos Estados Unidos, do criacionismo, movimento pseudo-científico que renega Darwin, e defende a necessidade de uma “inteligência superior” para justificar a complexidade da vida e do universo. Definido quem é o inimigo a ser enfrentado, Dawkins, já no primeiro capítulo, compara a sua tarefa à de um professor de história forçado a ensinar “um bando de ignorantes (...) À exceção daqueles lamentavelmente desinformados, é obrigação de todos aceitarem a evolução como um fato”.

Em cada capítulo, Dawkins destila ironia. “Este não é um livro antirreligioso”, afirma, antes de começar a bater sem dó nos dogmas religiosos. “Deus, é bom repetir o que deveria ser óbvio, mas não é, jamais criou uma asinha”, qualquer. Para Dawkins, os jovens criacionistas foram “iludidos até as raias da perversidade”. Tem-se a impressão de que Dawkins não consegue controlar sua ira. Ou melhor, desde que se aposentou em 2008 da Universidade de Oxford, Dawkins não tem mais porque refrear o seu ímpeto antirreligioso.

O maior espetáculo da Terra não é um mau livro – Dawkins não saberia escrever algo que fosse ruim. No entanto, pode-se perguntar por que ele perde tanto tempo tentando argumentar com os criacionistas. Todos nós sabemos que os criacionistas não são pensadores racionais. Eles são movidos por suas crenças, não pela lógica. Eis aí a justificativa da profissão de fé deste grande cientista. Dawkins não tem medo de ser politicamente incorreto. Não tem papas na língua. Não tem medo de criar polêmica nem chamar os criacionistas de imbecis. A única coisa que Dawkins teme é a ignorância.

Fonte: Revista Época

O homem e sua montanha

Dia desses o Jornal Cidade trouxe uma reportagem sobre o aumento do número de suicídios em nossa cidade, lembrando, também, que essa estatística tem crescido em todos os lugares do mundo.

Fiquei pensando sobre o assunto, e sobre os motivos que poderiam levar alguém a desistir de continuar. Sim, pois é a noção de desistência que permeia o conceito de suicídio nas sociedades ocidentais.

Digo isso, porque há outras culturas que encaram esse ato com naturalidade e, por mais incrível que nos pareça, na Holanda existe até mesmo uma organização pró-suicídio, que criou um site onde oferece dicas de como fazê-lo, embora o governo holandês proíba a prática de auxílio ao suicida. Surreal!

Para a filosofia, é um tema controverso. Para o cristianismo, é uma espécie de pecado mortal. Já o islamismo não considera como suicídio a opção pela morte feita pelos homens-bomba, fanáticos que morrem em troca de garantir um lugar privilegiado no paraíso. É preciso que se diga que o Alcorão condena essa postura, afirmando que ninguém tem o direito de antecipar a própria morte.

Os Estados Unidos não têm homens-bomba, mas quem explica a fúria suicida dos que invadem as universidades, matam pessoas com as quais convivem diariamente e terminam a história com uma bala entalada no cérebro?

Independente do fato de que não existe uma opinião, sobre qualquer tema, que não seja formatada pela cultura, gosto de pensar que a vida é sagrada. Mas, então fica a pergunta: sagrada, consagrada para quê?

Alguns encontram essa resposta na fé; outros, na caridade, no voluntariado. Uma das respostas mais fascinantes é oferecida pelo admirável escritor francês Albert Camus, autor de expressivas obras da literatura mundial.

Para falar desse tema, Camus elege o mito grego que relata a história de Sísifo, personagem condenado a arrastar uma gigantesca pedra até o topo de uma montanha, e, mal ele a coloca no lugar, a pedra rola, obrigando-o a recomeçar.

Camus inventou um novo olhar sobre o mito ao negar a característica de maldição à tarefa imposta a Sísifo. Recomeçar, sob a ótica desse escritor, é bênção e não condenação.

Aprendo, com a visão de Camus, que o grande motivo para continuar não está na possibilidade de que em algum momento a pedra permaneça firme no topo da montanha, coroando de êxito a missão.

Podemos ver Sísifo derrotado pela montanha, ou observá-lo derrotando-a, ao retomar sua tarefa. O que pode nos motivar, sempre, é a possibilidade de recomeçar. A certeza de que a voz da vida está sussurrando ao nosso ouvido, dizendo que a própria luta para alcançar o topo da montanha já é razão que baste para dar sentido à nossa existência.

Fonte: Sandra R.S. Baldessin no Jornal Cidade (A colaboradora é escritora e consultora em Comunicação Escrita. sbaldessin@gmail.com)

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Designer veste Barbie com burca

A italiana Eliana Lorena desenvolveu roupas para 500 barbies negras, que serão leiloadas na sexta-feira em Florença. Entre os trajes há alguns típicos muçulmanos, como a radical burca

Uma boneca Barbie vestida com uma burca, traje radical que cobre todo o corpo e é usado por algumas mulheres muçulmanas, é a estrela principal de um leilão beneficente que será realizado nesta sexta-feira (20) na Sala do Cinquecento, instalação mais nobre do famoso Palazzo Vecchio, em Florença, na Itália. A polêmica vestimenta é parte de uma coleção elaborada pela artista italiana Eliana Lorena, que desenhou roupas para 500 Barbies negras. As bonecas representam diversas culturas, estilo e hábitos das mulheres de todo o mundo. Além da Barbie de burca, uma vestimenta usada principalmente no Afeganistão, há outras versões de trajes muçulmanos – como o xador, que cobre o corpo, mas deixa o rosto de fora (veste básica da mulher iraniana) e o hijab, que esconde apenas os cabelos e é usado pela maioria das muçulmanas que vivem em países ocidentais.

Ao jornal italiano Corriere della Sera, a designer disse que a exposição das bonecas é uma “provocação, especialmente para as mulheres ocidentais que se dizem livres, mas que não são, e que na verdade vendem seu corpo e sua imagem”. Além das vestes muçulmanas, há bonecas com roupas típicas africanas e asiáticas em meio a diversas versões de roupas tipicamente ocidentais.

Além das 500 Barbies negras, serão leiloados objetos feitos especialmente para comemorar os 50 anos da boneca por empresas e designers como Ferrari, Kartell, Cesare Paciotti e Assouline. A renda do leilão, apoiado pela Mattel, fabricante da boneca, e organizado em parceria com a famosa casa britânica Sotheby's, será revertida para projetos sociais da ONG Save The Children.

Fonte: Revista Época

Religiosos muçulmanos podem emitir fatwa contra o filme '2012' na Indonésia

A mulher para em frente a cartaz do filme '2012' em sala de exibição de Jacarta, Indonésia


O filme catástrofe "2012" está fazendo um imenso sucesso na Indonésia, mas não agradou aos religiosos muçulmanos indonésios, que desaconselham os fiéis a vê-lo porque consideram a producão uma provocação ao Islã.

A mais recente megaprodução hollywoodiana que narra o fim do planeta Terra lotou as salas dos cinemas de Jacarta desde seu lançamento e já está sendo vendido em DVD na versão pirata, constatou a AFP.

O lançamento do longa-metragem se beneficiou da polêmica levantada por alguns dirigentes religiosos em um dos maiores países muçulmanos do mundo, que manifestaram publicamente sua preocupação e rejeição em relação ao filme.

O Conselho Nacional dos Ulemás, mais alta instância religiosa, parecia dividido sobre a oportunidade de emitir uma fatwa (decisão jurídica) contra o filme como já feito por uma de suas ramificações locais.

"O Islã não autorizou a visualizar ou prever o fim do mundo. É um segredo de Deus", explicou o presidente do Conselho, Amidhan. "Por isso, eu temo que o filme deforme a lei dos crentes", continuou.

Ele lamentou o fato de "2012" mostrar a destruição de mesquitas e de Kaaba (Meca), mas não das igrejas". Estas cenas deveriam ser cortadas pela censura indonésia, segundo ele.

Essa acusação soa algo estranha, já que o filme mostra, inclusive, o Vaticano destruído e a morte do Papa e de milhares de fieis católicos reunidos na Praça de São Pedro.

De qualquer forma, o longa continua sendo um sucesso nos cinemas indonésio. Em uma das sessões de um cinema de Jacarta, a produção foi aplaudida pelo público.

"É um filme bonito e, ao contrário dos temores do Conselho dos Ulemás, ele reforça minha fé", declarou Ian Ramelan, um agente de seguros de 49 anos.

Fonte: AFP

Dilma, a mãe do Brasil

Fonte: Gazeta do Povo

Congresso discutirá noticiário sobre religião na grande imprensa


Igrejas na Imprensa. O noticiário sobre religião em foco” será o tema da 4ª edição da Conferência Brasileira de Comunicação Eclesial (Eclesiocom – 2009), que acontece no dia 24 de novembro, no Campus Rudge Ramos da Universidade Metodista de São Paulo. A série de palestras é promovida pela Cátedra UNESCO/METODISTA de Comunicação e Desenvolvimento Regional, com o apoio das Faculdades de Comunicação e de Teologia e terá a participação de importantes pesquisadores da área, como Fernando Altemeyer, da PUC-SP, e Leonildo Silveira Campos, da Metodista, além da contribuição de quem atua na grande imprensa, como o editor da revista Carta Capital, Gilberto Nascimento.

O objetivo do evento, de acordo com a coordenadora Magali do Nascimento Cunha, é consolidar o campo acadêmico de pesquisa entre comunicação e religião e, nesta edição, particularmente, estudar como tem sido o tratamento da grande imprensa ao fenômeno da religião no Brasil.

Os organizadores prometem que a ocasião será uma excelente oportunidade de formação para estudantes e professores de jornalismo, teologia e ciências da religião, assim como atenderá as expectativas de jornalistas que cobrem o assunto na grande imprensa. Mais informações podem ser adquiridas acessando o site da instituição.

Fonte: Agência Soma

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Legalização do aborto e das drogas divide até jovens mais progressistas, diz pesquisa

Jovens progressistas, mas divididos em relação ao aborto, contra a legalização das drogas e ligados à família. O perfil foi extraído de entrevistas a 1.854 participantes da I Conferência Nacional de Juventude, a maioria dos militantes dos movimentos sociais, e será descrito no livro "Quebrando Mitos: Juventude, participação e políticas", lançado nesta quarta-feira no Rio. A pesquisa, coordenada pelas sociólogas Mary Garcia Castro e Miriam Abramovay, mostra que 32,6% dos participantes do encontro, que aconteceu em abril do ano passado, em Brasília, se disseram totalmente contra a legalização do aborto, enquanto 22,2% se disseram a favor.

Quando o assunto é legalização das drogas, a posição contrária é nítida: mais do dobro dos jovens se manifestaram contra (60,5%), enquanto 26% dos participantes se disseram a favor, e o restante não soube opinar. A união civil entre pessoas do mesmo sexo também é uma tema que divide: 33,9% se mostraram a favor e 25,8%, contra. Ao mesmo tempo, um terço dos entrevistados se disse a favor da redução da maioridade penal.

Apesar de grande parte estar ligada a partidos políticos (50%), ao responderem à pergunta sobre o grau de confiança em instituições e entidades, os partidos foram considerados menos confiáveis por 37,5% dos entrevistados. Logo em seguida, veio o Congresso Nacional (37,3%) e em terceiro, a polícia (35%). A instituição mais confiável, segundo os entrevistados, é a família - para 68,3% dos entrevistados. O Congresso aparece com o mais baixo índice de confiança (1,5%). Do total de entrevistados, 38,3% disseram participar do PT, e 18,8%, do PCdoB. PSB e PMDB tinham cerca de 10% dos participantes, cada um.

Ao escolherem uma frase para sintetizar a percepção sobre si mesmos, os entrevistados responderam, em sua maioria, que "o jovem tem pouca oportunidade de participar via poderes constituídos". A segunda mais escolhida foi "a família é a principal referência na vida dos jovens".

Os problemas mais graves do país, segundo os entrevistados, foram: desigualdades sociais (47,4%), desemprego (44,2%), violência (36,5%), pobreza (36,0%), qualidade da educação (32,5%), corrupção (27,1%), narcotráfico (11,3%) e racismo (10,0%).

- Essa pesquisa quebra mitos sobre percepções que a sociedade em geral tem sobre a juventude. O primeiro é de que ela é auto-centrada. Ela está preocupada com si mesma, sim, mas tem também uma grande preocupação social - avalia Miriam Abramovay.

Sobre o alto grau de confiança depositado na família, a socióloga afirma que se trata de uma idealização. Ela afirma ainda que a visão crítica das instituições públicas (caso do alto grau de insatisfação com partidos e Congresso) é um dado que costuma aparecer em pesquisas feitas com jovens. O livro "Quebrando mitos" será lançado hoje, no Palácio da Cidade, pelo Conselho Nacional de Juventude (CONJUVE), a Secretaria Nacional de Juventude e RITLA- Rede de Informação Tecnológica Latino americana.

Fonte: O Globo

A visita do crápula iraniano é um insulto ao Brasil que presta


Nações não têm amigos, têm interesses, ensina o verbete do manual do cinismo que justifica a existência de relações diplomáticas e comerciais entre países democráticos e paragens comandadas por liberticidas de nascença, assassinos patológicos e outras aberrações da espécie. Não é uma norma edificante. Pois a inversão dos predicados pode tornar as coisas ainda mais abjetas, ensina a política externa da Era Lula. Desde 2003, O Brasil tem amigos, escolhidos por um presidente cujos interesses não têm parentesco com o que interessa à nação.

Com a desenvoltura arrogante que só a certeza da impunidade dá, Evo Morales expropriou bens da Petrobras na Bolívia, Rafael Correa prendeu engenheiros da Odebrecht no Equador, Hugo Chávez tranformou em estalagem o prédio da embaixada em Honduras, Fernando Lugo exige a remoção dos alicerces do Tratado de Itaipu. Lula reagiu a tais agressões à soberania que jurou defender com tapinhas nas costas e falatórios de comparsa. Amigos merecem cuidados especiais e muito carinho.

Pelos padrões civilizados, o iraniano Mahmoud Ahmadinejad é um fanático perigoso, acampado na chefia de um regime primitivo, que reprime opositores com ferocidade, frauda eleições, condena homossexuais à morte, nega às mulheres direitos elementares, sonha com o regresso às cavernas. Para Lula, é um amigo ─ dele e, por consequência, do Brasil. E assim será recebido nesta segunda-feira, em Brasília, pelo anfitrião que, dramaticamente ignorante em geopolítica, de novo escolheu o lado errado.

“Eu disse ao Obama, ao Sarkozy e à Angela Merkel que a gente não vai trazer o Irã para boas causas se a gente ficar encurralando ele na parede”, gabou-se Lula nesta semana. “É preciso criar espaços para conversar”. O monoglota que precisa de um tradutor até para conversas em português acha que lhe bastam 15 minutos para que Ahmadinejad cancele o programa nuclear, apaixone-se por Israel, debulhe-se em lágrimas pelos 6 milhões de judeus assassinados pelo Holocausto que até agora nega ter existido e vire torcedor do Corinthians.

Chegou a hora de retribuir às muitas gentilezas que lhe fez, imagina o amigo brasileiro. Multidões de manifestantes protestavam no Irá contra as evidências de fraude eleitoral, a contagem dos votos não terminara e a dos mortos mal começara quando Lula resolveu intrometer-se na crise do outro lado do mundo. ”Eu não conheço ninguém, a não ser a oposição, que tenha discordado da eleição do Irã”, pontificou o cara. ”Não tem número, não tem prova. Por enquanto, é apenas uma coisa entre flamenguistas e vascaínos”.

Ao reducionismo de jardim da infância, adicionou o raciocínio de colegial repetente: ”O presidente Ahmadinejad teve uma votação de 62,7%. É um número muito grande para a gente imaginar que possa ter havido fraude”. No Brasil, comparou, suspeitas de fraude geralmente ocorrem quando a diferença de votos entre os candidatos é de 1% ou 2%. Ele certamente ignora que Saddam Hussein não admitia ser reconduzido à presidência do Iraque com menos de 100% do eleitorado.
A notícia de que a repressão policial já causara 69 mortes não inibiu o improvisador incontrolável. ”Há uma oposição que não se conforma”, explicou. ”O resultado desse conflito são inocentes morrendo, o que é lamentável e inaceitável por parte de qualquer democrata do mundo”. Estaria Lula incluindo o Irã no universo das democracias? “Cada país estabelece o regime democrático que convém ao seu povo”, desconversou. ”É uma decisão soberana de cada nação”. Só não vale para Honduras.

A visita de Ahmadinejad é um insulto ao Brasil que presta e, sobretudo, uma afronta aos incontáveis judeus que escaparam do horror e julgaram encontrar aqui o abrigo seguro. “Não estou preocupado com judeus e árabes”, desdenha Lula. ”Estou preocupado com a relação do Estado brasileiro com o Estado iraniano”. O presidente acha que está recebendo um amigo árabe. Não sabe sequer que os nativos do Irã são persas.

Persa ou árabe, o visitante jamais seria bem-vindo. Porque Ahmadinejad é, antes de mais nada, um crápula.

Carta aberta ao presidente do Irã


Tenho a certeza de que será uma das piores viagens oficiais de sua vida.

Vai encontrar aqui um país cristão, coisa que abomina. Vai ter que se encontrar com políticos e empresários que usam gravatas, acessório proibido pelo código de vestimentas (lei no Irã), porque na visão xiita a gravata simboliza uma cruz em torno do pescoço dos homens. E verá mais de cinco cores de ternos, outra coisa também proibida no Irã.

Espero que passe por nossas praias e não fique olhando para o chão do carro, pois precisa se confrontar com a liberdade ocidental de expor o corpo humano vivo e não os cadáveres. Precisará se controlar para não dar uma olhadinha em nossas beldades desnudas não só nas praias, mas com vestidinhos de Geisy por todos os cantos. Imagine o que é isso para alguém que defende a burka? É o próprio Faya, o Inferno muçulmano.

Mas seja bem vindo aqui, Ahmadinejad. Espero que se encontre com o presidente Lula em seu gabinete, veja a Bíblia sobre a mesa, veja a mezuzá na porta ao lado, na sala da Clara Ant. E pense muito bem no que fazer: apertar a mão de uma judia comunista de rosto descoberto e tornozelos de fora? Que dilema teológico…

Mas seja bem vindo, Ahmadinejad. Depois de se esquivar da Clara Ant, que como assessora pode até ser posta de lado, mas aí resta o Marco Aurélio Garcia, que deixa a Clara no ponto mais à direita da esquerda com sua mente sovietizada e cubanizada. Ih, Ahamdinejad: você acabou com os comunistas no Irã. O que vai dizer aos nossos aqui (alguns deles o defendem hein…), a maioria, muito mais neoliberal que de esquerda, mas não tem saída: neoliberalismo também não é sua praia. E depois de se esquivar de um, sempre virá outro: uma grande lista de judeus e esquerdistas de fato no poder. Não são brinquedinhos buchechudos como na Venezuela. Aqui a esquerda é de raiz!

Mas seja bem vindo, Ahmadinejad. Venha ver um país de 190 milhões de pessoas de todas as origens e religiões que não se matam e não disputam o poder para matar as outras, se é que isso faz algum sentido para você. Pergunte como se faz uma eleição sem fraude.

Tem umas coisas aqui que você precisava conhecer para ampliar seus horizontes, mas não vai rolar. Não vai ao Corcovado. Não vai ao Pão de Açúcar, não vai dar uma volta na Saara no Rio ou na 25 de Março em São Paulo. Não vai ter um almoço fechado na Porcão, até porque você, como muçulmano, come kosher também. Aliás, se quiser levar um salame kosher antes de voltar, passe aqui na Bolívar, 45. Dá até pra parar o carro na baia de descarga e tomar um café: eu pago! Aproveite para ver o que nossos vizinhos cristãos iraquianos pensam de você. Posso até marcar com uns amigos baha’is. É! Tem baha’is no Brasil também, religião que os xiitas escorraçaram da Pérsia e depois do Irã, tendo que se refugiar em Haifa, ainda sob o domínio Otomano. Ih, esqueci: tem turco para caramba aqui no Brasil. Tem libanês cristão para todos os lados. Mais libaneses e descendentes de libaneses aqui do que no próprio Líbano.

O Brasil é um lugar interessante para você conhecer. Pena que vai ficar acossado entre a mídia e a política e não verá nosso povo.

Pessoalmente não tenho nada contra você. Não fico nem um pouco impressionado com mais um líder muçulmano dizendo que vai varrer Israel do mapa. Pode tentar! Em 1948, quando vocês eram fortes e os judeus fracos, não conseguiram. Depois Nasser tinha o seu discurso. Depois Sadat tinha o seu discurso. Depois Shuqueiri e Arafat tinham o seu discurso. Depois Assad (pai) tinha seu discurso. Depois Saddam, seu inimigo mortal tinha o seu discurso. Você é professor. A História lhe interessa. Olhe para trás e veja onde estão e o que conseguiram. Pelo menos podia ser original em seu discurso…

Nem seus arroubos de negação do Holcausto a cada vez que o petróleo está baixo me incomodam. Você é o presidente, mas não é o poder. Você não me preocupa e nem sei o quanto das coisas que faz ou diz são realmente suas ou você é apenas o porta voz da junta teológica que domina os persas.

Não é aqui no Brasil que alguém vai te lembrar que você é o dirigente do único país xiita entre outros 53 países sunitas e que mais ou menos um bilhão de muçulmanos não vão com a sua cara, enquanto só uns 13 milhões de judeus têm algo contra você. Isto não vão te dizer aqui. Não vão dizer que o Irã tem relações diplomáticas com menos países islâmicos que Israel. E ninguém vai chegar até você numa entrevista e perguntar: “Presidente, para que essa bobagem de dizer que Israel tem que ser varrido do mapa? Seu objetivo não é triunfar onde seus antepassados xiitas fracassaram e retomar Meca? Abrir Meca para os persas e varrer o domínio árabe sobre o Islã no Golfo?” Não é essa a verdadeira agenda iraniana? Vocês também seguem Sun Tzu, não seguem? Faça o inimigo achar que você está longe quando está perto…

Sei que você pode jogar a Bomba sobre Israel, pois são apenas judeus, cristãos, baha’is e sunitas por lá. Todos infiéis na sua visão. Mas você acredita que Israel tem 300 Bombas. Um monte de gente acredita. É blefe? É real? Mas a família real saudita não tem nenhuma, né? Será que alguém ataca você se a Bomba cair em Ryad e não em Jerusalém?

Pessoalmente, acho que não. Mas se eu fosse você ficaria com o pé atrás e mandava investigar a fundo todo mundo que está em seu programa nuclear. Você acreditaria se eu dissesse que algum dos cientistas paquistaneses pode ser um agente da Al Qaeda, sua inimiga mortal, pronto para fazer um ataque suicida nuclear em suas instalações? Vocês são persas. São inteligentes. Sabem quem são seus reais inimigos. Sabem que sempre foram os árabes, os sunitas e agora os talibãs. Depois de 10 anos de guerra com os sunitas iraquianos, seus aiatolás quase atacaram o Afeganistão sob domínio taliban por três vezes. Só não o fizeram porque foram um pouco mais espertos e deixaram os ocidentais se ferrarem por lá, como os soviéticos, sem conseguir resolver nada.

Mas seja bem vindo. Venha e ouça o que precisa ouvir! Venha e ouça o que precisa ser dito. Vai ser insuportável para você. Assine um contrato para uma área do pré-sal, pois seu petróleo está acabando e você sabe disso melhor que ninguém.

E tenha uma certeza caro presidente: Israel não vai construir um segundo Yad Vashem, o Museu do Holocausto. Mas se o Irã realmente enveredar pelo caminho da chantagem atômica, vocês poderão acabar tendo que construir o seu primeiro museu…

José Roitberg é jornalista e empresário
Imagem: Internet

O Pastor


O ex-condenado Armstrong Cane (Ving Rhames) retorna ao bairro em que morava, como um homem mudado, que quer assumir a velha igreja e congregação de seu pai. Mas a vizinhança está tomada por drogas e gangues. Os que conseguem, mudam-se para áreas mais prósperas e passam a seguir um esperto pastor (Ricardo Chavira). Mas mesmo com um perigoso chefe de gangue (Dean McDermott) ameaçando seu rebanho, Armstrong não desiste. Fortemente decidido, Armstrong prega a palavra de Deus a quem quiser ouvir, especialmente a Norris, um jovem prestes a cair numa vida de más opções. Eles mantêm uma ligação próxima e se esforçam para mudar, mas será que os pecados do passado voltarão para assombrá-los?

DVD Paramount Pictures
Título Original: Saving God
Elenco: VING RHAMES & DEAN MCDERMOTT & JOANNE BOLAND & JOE BOSTICK & RICARDO CHAVISA & K. C. COLLINS & BALFORD GORDON
Direção: DUANE CRICHTON
Participação em Festivais:
- DeReel Independent Film Festival - Victoria, Australia May 9th. 2009 - Visite o Website
- Buffalo Niagara Film Festival - Buffalo, New York, May 1-10 2009 - Visite o Website
- First Glance Film Festival - Hollywood, CA, May 1-3 2009 - Visite o Website
- The Los Angeles United Film Festival - Los Angeles, CA April 30th – May 7th. 2009 - Visite o Website
- Canadian Black Film Festival Opening Film - Toronto - Canada April 12th. 2009 - Visit Website
- Lake Arrowhead Film Festival - Lake Arrowhead, California, April 2-5 2009 - Visite o Website
- Foursite Film Festival - Ogden, UT, Mar. 4-7 2009 - Visite o Website
- International Family Film Festival - Hollywood, CA, Feb. 26 - Mar. 1 2009 - Visite o Website
- Sana Antonio Independent Christian Film Festival - San Antonio, TX Jan. 8-10 2009 - Visite o Website
- Projecting Hope Film Festival - Pittsburgh,PA Oct. 24 - 26 2008 - Visite o Website
- International Black Film Festival - Nashville, TN, Oct. 15 - 19 2008 - Visite o Website
- Christian Film Festival of America - Orlando, Florida, Oct. 16 - 23 2008 - Visite o Website

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Peres termina visita à Argentina com críticas a Chávez e Ahmadinejad

O presidente de Israel, Shimon Peres, terminou hoje sua visita a Buenos Aires, onde criticou líderes de Irã e Venezuela e rejeitou a iniciativa palestina de solicitar às Nações Unidas a criação de um Estado.

Durante sua visita à Argentina, que conta com uma comunidade judaica de cerca de 250 mil pessoas, Peres elogiou a "posição clara" do Governo da presidente Cristina Fernández de Kirchner sobre o Irã, mas escutou também seus argumentos em defesa dos direitos palestinos e de suas relações com a Venezuela.

Peres, que terminou sua visita oficial hoje com uma homenagem às 85 vítimas do atentado contra a sede da organização judaica Amia, em 1994, concordou com Cristina ao pedir punição aos autores do ataque, além da extradição do atual ministro da Defesa iraniano, Ahmad Vahidi, a quem acusou de planejar o ataque.

O líder israelense lançou mensagens conciliadoras ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, mas deixou claro sua rejeição à decisão de solicitar ao Conselho de Segurança da ONU a criação unilateral de um Estado palestino.

"Não há garantias de que possa ser implementado", afirmou Peres, que recomendou "paciência" às autoridades palestinas no processo de negociação e criticou o movimento radical islâmico Hamas. Os palestinos, segundo Peres, "devem negociar com paciência".

Para o presidente israelense, o Estado palestino unicamente pode ser consequência do processo de negociação entre Israel e as autoridades palestinas.

Na Argentina, Peres insistiu nas críticas aos presidentes do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, e o da Venezuela, Hugo Chávez, que já tinha lançado durante sua visita ao Brasil.

"Ahmadinejad quer destruir Israel e dominar o Oriente Médio, por isso os árabes não querem que ele esteja lá", disse o líder israelense, convencido de que o programa nuclear iraniano terminará por "forçar os Estados Unidos a tomarem medidas".

"Os iranianos dizem: não vamos fabricar uma bomba nuclear, mas para que necessitam então mísseis nucleares?", se perguntou Peres.

"A Argentina sabe quem é o Irã, quem é Ahmadinejad. (...) Temos um inimigo em comum e é este Governo de aiatolás selvagens. O povo iraniano mudará este Governo, porque este Governo dá vergonha ao Irã, tira o futuro dos jovens", disse o líder de Estado de Israel ontem à noite, durante um evento com a comunidade judaica.

"Há coisas em comum entre Ahmadinejad e Chávez, porque o petróleo escureceu seu pensamento", disse Peres hoje, e acusou o presidente venezuelano de utilizar o recurso para consolidar sua posição, mas "não vai ter o petróleo para comprar o resto do mundo", acrescentou.

"Os próprios povos estão se cansando destes líderes, são como passageiros efêmeros", afirmou.

No sentido contrário, não poupou elogios ao presidente dos EUA, Barack Obama, quem, segundo Peres, "fez tudo o que um homem pode fazer, quando falou ao mundo em termos moderados e promissores".

"Obama é muito sério em seus propósitos, tem o poder de um império, mas não o apetite de um império", disse Peres, que durante seu primeiro dia na Argentina defendeu a necessidade de utilizar a tecnologia para combater os terroristas.

Fonte: G1

Som do Céu: Tributo a Jorge Rehder

Courageous: o novo filme dos irmãos Kendrick


O novo filme dos irmãos Kendrick já tem nome - COURAGEOUS - o título foi anunciado ontem e já conta com a apresentação no site oficial: http://www.courageousthemovie.com/


Quatro homens, um chamado: Para servir e proteger. Como policiais, eles enfrentam o perigo todos os dias. No entanto, quando a tragédia atinge seis lares, esses pais são lutam com as suas esperanças, seus medos, e sua fé. A partir desta luta virá uma decisão que muda tudo em suas vidas.

Com a ação, drama e humor, o quarto filme da Sherwood Pictures abraça a promessa de Deus para "transformar os corações de pais aos filhos, e o coração dos filhos aos pais." Almas serão agitadas, e corações serão desafiados a serem ... corajosos!
Corajosos. A honra começa em casa!

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Lição de vida com Sandra Bullock

No filme "The Blind Side" (O lado cego), baseado em uma história real, Sandra Bullock interpreta Leigh Anne, uma mãe e esposa de uma família branca e rica que adota um adolescente negro sem-teto.



O filme é baseado no livro de Michael Lewis "The Blind Side: Evolution of the Game" ("O Lado Cego – A Evolução do Jogo"), que mostra a história de Michael Oher (confira sua história, clicando aqui), um talentoso jogador de futebol americano que, na adolescência, foi um sem-teto que encontrou um lar na casa de uma conservadora família.

Gênero: Drama
Diretor: John Lee Hancock
Roteirista: John Lee Hancock
Produtores: Molly Smith, Erwin Stoff e Timothy M. Bourne
Elenco: Sandra Bullock, Kathy Bates, Jennifer Rose Locke, Kim Dickens, Tim McGraw, Quinton Aaron, Rhoda Griffis, Lily Collins e Ray McKinnon
Estreia: 20 de Novembro nos EUA e 19 de Dezembro no Brasil
Site oficial: http://www.theblindsidemovie.com/

Abaixo a ditadura do pensamento positivo

Escritora americana fala que, em vez de auxiliar, a corrente da autoajuda pode deixar as pessoas ainda mais culpadas e infelizes

Na pele Barbara Ehrenreich conheceu o positivismo quando teve câncer



por Maíra Magro

A jornalista e escritora americana Barbara Ehrenreich odeia o chamado pensamento positivo. A implicância começou quando foi diagnosticada com câncer de mama, oito anos atrás, e se viu bombardeada por pessoas, livros e sites afirmando que teria que encarar a doença com otimismo, pois poderia aumentar as chances de cura. O episódio resultou no livro "O Lado Ruim das Coisas: Como a Promoção Incansável do Pensamento Positivo Prejudicou a América" (tradução livre do original Bright- Sided: How the Relentless Promotion of Positive Thinking has Undermined America), que acaba de ser lançado nos Estados Unidos. A ex-colunista do "The New York Times" e da revista "Time" ampliou o campo de análise e constatou que o excesso de positivismo atrapalha a economia, a política e a sociedade como um todo, porque faz com que as pessoas fiquem mais individualistas, egoístas e, em última instância, infelizes. Aos 68 anos, divorciada, uma filha e dois netos, a premiada autora de 20 livros, que também assina grandes reportagens para a revista "Harper's", afirma: "O melhor a fazer quando se recebe um diagnóstico de doença grave ou se perde o emprego, por exemplo, é encarar a realidade, descruzar os braços e agir rápido. Aí sim o resultado poderá ser muito positivo." Na entrevista a seguir, Barbara, que vive em Alexandria, Virgínia (subúrbio de Washington), nada contra a corrente da autoajuda.

ISTOÉ - Por que a sra. odeia o pensamento positivo?

Barbara Ehrenreich - A primeira vez que tive contato com o pensamento positivo como uma espécie de ideologia organizada foi quando eu estava tratando de um câncer de mama, oito anos atrás. Estava em busca de informação e apoio, então entrei em todos os sites na internet, comprei livros, mas não encontrei o apoio que eu queria. Ao invés disso, recebi a instrução de que eu deveria ser muito positiva a respeito de minha doença. Que, na verdade, eu deveria tomála como uma coisa boa, que iria, no final, me tornar mais sensível, mais espiritual. E que, se eu não fosse positiva, eu morreria - embora não dissessem isso diretamente, essa era a mensagem. Aquilo me deixou furiosa. Era a pior coisa que já tinha acontecido comigo e me falavam para pensar que era uma coisa maravilhosa.


ISTOÉ - Como a sra. reagiu e que tipo de apoio esperava?

Barbara - Por sorte, não caí nessa. Porque, se você cai, tem que lutar não somente para aguentar os tratamentos terríveis, mas também fazer um esforço enorme para pensar positivamente. Abaixo a ditadura do pensamento positivo. É como ter uma segunda doença. Queria, sim, ter participado de um grupo em que as mulheres assumissem que não gostavam do que estava acontecendo, mas que tivessem vontade de encontrar formas de mudar as coisas. No passado, por exemplo, os médicos costumavam fazer operações horríveis, como mastectomias radicais, que prejudicavam os movimentos do braço. Feministas e ativistas da saúde protestaram e mudaram isso.

ISTOÉ - Em que outras circunstâncias o pensamento positivo pode ser ruim?

Barbara - Vimos isso claramente com a crise financeira. Estamos acostumados a ouvir que, se pensarmos positivamente, as coisas boas virão. Muita gente pobre ouve isso nas igrejas evangélicas: Deus quer que você seja rico, Deus quer que você tenha uma casa maior. E aí, se alguém lhe oferece uma hipoteca que pareça milagrosa, que você não tenha que provar renda ou pagar um valor de entrada, isso é visto como uma bênção. Esse tipo de pensamento já arruinou muitas vidas.
Nos níveis mais altos do mundo empresarial, também havia essa ideia de que nada poderia dar errado. Se algum funcionário levantasse alguma dúvida, seria mandado embora, porque não queriam trabalhar com pessoas negativas. Em 2006, no agora defunto Lehman Brothers (banco de investimentos americano que faliu no ano passado), o chefe da divisão de imóveis disse ao CEO que estava muito preocupado com a possibilidade de quebra. E esse cara foi demitido. As pessoas não podem continuar se autoenganando continuamente sem correr sérios riscos.

ISTOÉ - Como isso se relaciona com o Brasil, onde as pessoas são consideradas, em pesquisas internacionais, otimistas e felizes?

Barbara - O Brasil tem algo de muito especial a seu favor, que não tem a ver com otimismo ou felicidade. Tem a ver com alegria. A cultura brasileira preservou instituições e costumes que permitem que as pessoas expressem a alegria coletiva. Estive no Rio de Janeiro há alguns anos, muito brevemente, e estava em Copacabana quando uma escola de samba passou. Naquele momento, todo mundo na praia, todo tipo de gente, de todas as idades, começou a dançar, as pessoas se divertiam muito, sem nenhum tipo de constrangimento. Aquilo foi muito encantador e estimulante para mim. Nos Estados Unidos, primeiro as pessoas teriam que ficar bêbadas para agir assim. A gente não tem uma quantidade suficiente de ocasiões para isso. É uma coisa muito especial que o Brasil e outras culturas têm a oferecer para o mundo: sim, nós podemos nos divertir muito.

ISTOÉ - O pensamento positivo tem alguma influência nessa forma de ver as coisas?

Barbara - A ideologia do pensamento positivo é terrivelmente individualista. É só você que tem que mudar, o mundo não. Os livros de autoajuda nunca perguntam como seus desejos podem entrar em conflito com os do outro. Outra questão é que, no pensamento positivo, ver o mundo de forma ampla, pensar no que ele está fazendo com você, é visto como uma tentativa de encontrar uma desculpa para seus problemas. Se você pensa que seus problemas se devem à discriminação racial ou ao fato de você ter nascido pobre, isso não passa de uma desculpa, porque você tem tudo para ser bemsucedido e superar qualquer coisa.

ISTOÉ - Como isso afeta a cabeça das pessoas?

Barbara - Dá muito trabalho ser positivo o tempo todo. Se você lê esses livros de autoajuda, aprende que tem que acordar, recitar afirmações para si mesmo, colocar um quadro na parede e pregar nele figuras do carro e da casa que quer... É muita energia mental. E as pessoas que praticam isso acabam se afundando ainda mais na própria culpa. Se você contrata um coach para ajudá-lo a conquistar uma atitude positiva que pensa ser necessária para ter sucesso no mundo e isso não acontece depois de algumas semanas, a culpa recairá sobre você. O coach dirá que não está se esforçando o suficiente, que tem algo dentro de você bloqueando o caminho.


ISTOÉ - Através da obrigatoriedade do otimismo se chegaria à culpa e à infelicidade?

Barbara - Sim. E a parte mais cruel é você culpar as próprias vítimas, que são pegas em situações muito difíceis de suas vidas - seja enfrentando um câncer, seja após uma demissão. Fiz uma pesquisa com executivos demitidos. Nos Estados Unidos, as pessoas que perdem seus trabalhos podem se tornar pobres muito rapidamente, porque ficam sem plano de saúde e sem crédito. Quando eu ia aos encontros feitos para pessoas demitidas, via a dificuldade delas em se reprogramar para transmitir e enxergar internamente toda essa alegria.

ISTOÉ - Por que os livros de autoajuda são tão populares?

Barbara - Vou dar um exemplo. Um estudo recente mostrou que desde 1972 as mulheres estão cada vez mais tristes nos Estados Unidos e em outros países industrializados. Você lê isso e pensa: talvez eu não seja tão feliz como deveria ser. E, então, adivinha! Imediatamente após a publicação do estudo, lançam um livro (que comprei) chamado "Encontre o Melhor Momento de Sua Vida Agora: o que as Mulheres Mais Felizes e Bem-Sucedidas Fazem de Diferente" (tradução livre). É um livro típico de autoajuda, com testes de personalidade e anúncios de outros produtos que você pode comprar. Ou seja, o problema é criado e depois se oferece uma solução.

ISTOÉ - Como escapar?

Barbara - Enfrentando a realidade. É claro que seria ridículo achar sempre que tudo vai dar errado, ficar todo o tempo considerando possíveis infortúnios, pensando sobre todos os seus defeitos e coisas assim. Mas por que não tentar olhar para o mundo, tanto quanto possível, como ele é? E ver quais são as oportunidades e os perigos, e aí tentar descobrir o que fazer a respeito deles, seja o aquecimento global, seja o desemprego?

ISTOÉ - Não existem momentos em que o pensamento positivo pode ajudar, como na superação de uma depressão?

Barbara - A depressão é uma doença séria, que requer algum tipo de intervenção, como terapia ou medicação. Você não pode simplesmente passar panos quentes dizendo: pense positivamente. Não funciona. Um fato curioso é que nos Estados Unidos, berço do pensamento positivo, consumimos dois terços do mercado global de antidepressivos. Não sei bem como usar as pesquisas internacionais sobre felicidade, mas os Estados Unidos não se saem bem nelas. Há algo de errado nisso.

ISTOÉ - As pessoas estão menos tolerantes com a infelicidade?

Barbara - Um dos grandes corolários disso tudo é que ninguém quer estar em torno de pessoas negativas, reclamonas, choronas ou vítimas. Elas se tornaram o equivalente moderno dos pecadores.


ISTOÉ - De onde surgiu a ideologia do pensamento positivo?

Barbara - É uma coisa muito americana, que vem do princípio para o meio do século XIX. Tenho uma certa simpatia pelas pessoas que começaram isso porque eram rebeldes contra o protestantismo calvinista da época. Elas estavam dizendo: não somos todos pecadores miseráveis, não estamos todos fadados à punição eterna, este é um país cheio de oportunidades, vamos pensar de forma diferente. Levando em consideração a situação com a qual estavam lidando, não era uma proposta ruim. Mas, no século XX, é como se o pensamento positivo tivesse se tornado uma nova forma de calvinismo, uma nova forma de culpar a si mesmo. Em vez de investigar sua alma constantemente em busca de pecados, você revista sua mente em busca de pensamentos negativos, para expulsá-los.

ISTOÉ - Como isso evoluiu?

Barbara - O pensamento positivo decolou nos anos 80, com as grandes demissões no mundo corporativo. As empresas começaram a promover esses eventos sobre motivação porque, primeiro, não queriam pessoas reclamando sobre a instabilidade de seus empregos, e, segundo, queriam enfiar mais trabalho nas pessoas que sobreviviam às demissões. Foi nessa época que isso se tornou um grande negócio.

Fonte: IstoÉ

Dica do Roberson Marcomini

Construtores de muros

Percival Puggina

Gosto de ler o que Frei Betto escreve. Nem tanto porque ele sabe fazer isso, mas, principalmente, porque é o autor popular que melhor representa o pensamento utópico da esquerda no Brasil. Aliás, quem quiser conhecer a papinha servida aos bebês da utopia comunista deve procurar na cozinha do dominicano. Há jovens esquerdistas que nada têm de idealistas. Esses estão no PT, no PCdoB e na UNE e se servem direto das tetas públicas. Mas há jovens esquerdistas idealistas. E o que frei Betto escreve cai no gosto desses bem intencionados, seduzindo-os para o lado errado da pauta filosófica e política.


O próprio dominicano o confessa lisamente. Em artigo de setembro de 2007, ele afirma: “Muito cedo gravou-se em mim o sentimento do mundo. Meus olhos, dilatados pela fé, polidos pelo pós-hegelianismo de Marx, enxergaram a pirâmide social invertida. Consumiu-se minha juventude na embriaguez da utopia. (...) Lutávamos atentos aos clamores da Revolução de Outubro, à Longa Marcha de Mao ao cruzar as pontes de nossos corações, aos barbudos de Sierra Maestra que arrancavam baforadas de nosso alento juvenil, à vitória vietnamita selando-nos a certeza de que arrebataríamos o futuro. A lua seria o nosso troféu. Haveríamos de escalar suas montanhas e, lá em cima, desfraldar as bandeiras da socialização compulsória”. A essas e outras catástrofes sociais e políticas, a respeito de cada um desses genocídios monstruosos, ele reservou odes e hosanas.

O Leste Europeu, para ele, era imagem viva das virtudes em que foi concebido. Obra dos mais elevados ideais humanos. Com Muro e tudo. São palavras suas: “Os condenados da Terra arranchavam-se sob o caravansará de nossos ideais e, em breve, saberíamos conduzi-los aos mananciais onde correm leite e mel...”. Em nome desse “em breve”, a famigerada Stasi da República Democrática da Alemanha chegou a ter 80 mil agentes. Somando-lhes os delatores não-oficiais havia um dedo-duro para cada seis alemães orientais. Em nome desse “em breve”, os cubanos já carregam no lombo meio século de totalitarismo. Em nome desse “em breve”, o frei, agorinha mesmo, no dia 25 do mês passado, se tocou para Havana, a visitar Fidel, seu “amigo íntimo”, com quem trocou impressões sobre o progresso dos movimentos sociais no Brasil.

E o Brasil, frei? E o Brasil? Prossegue ele, então, descrevendo o aviãozinho que levou colheradas de sua papinha aos bebês do comunismo verde-amarelo: “Na oficina dos sonhos, forjamos ferramentas apropriadas ao parto do novo Brasil. A luta sindical consubstanciou-se em projeto partidário, a crença pastoral multiplicou-se em células comunitárias, os movimentos sociais emergiram como atores no palco dominado pelas sinistras máscaras dos que jamais conjugaram o verbo partilhar. Cuba, Nicarágua, El Salvador... o olhar impávido do Che... a irredutível teimosia de Gandhi... a sede de justiça dessedentada nas fontes límpidas da ética. Jamais seríamos como eles”.

Não é uma figura, esse Frei Betto? Reúne Ghandi e Fidel Castro numa única frase e tudo parece caber na mesma confraria. E ele, sempre do lado errado, levando outros para o lado errado, mas flanando nas asas da maldita utopia que nem por acaso consegue cravar um prego no lugar certo. É o que ele torna a reconhecer em relação ao encontro de seu desvario com a cena política nacional: “Por que não se aventurar pelas mesmas sendas trilhadas pelo inimigo, já que ele se perpetua com tanta força? Qual o segredo dos cabelos de Sansão? Os pobres caíram no olvido, a sedução do poder fez a lua arder em chamas. Ícaros impenitentes, não se deram conta de que as asas eram de barro”.

Digam-me os leitores se ele não é um sedutor! Lutou a vida inteira com caneta, pistola e água benta em favor das instituições políticas mais sórdidas, desalmadas e perversas que a humanidade conheceu. Assumiu como seus e reservou palavras de louvação para regimes que escolhiam como principais inimigos os portadores da cruz que ele leva pendurada no pescoço. E depois, ao contemplar os estragos, reserva-se fugazes encontros com o mundo dos fatos. Como se lê aqui: “A sofreguidão esvaziou projetos, a gula cobiçosa devorou quimeras. O pragmatismo acelerou a epifania dos avatares do poder. O conluio enlaçou históricos oponentes, adversários coligaram-se, e aliados foram defenestrados nessa massa informe que, destemperada de ética, alicerça o Leviatã”. São palavras de quem, depois de se internar nos porões, tratou de se erguer, como fumaça, sobre os telhados desse mesmo poder, travestido de juiz do estrago que fez.

E agora? Agora, depois de ter vendido como coisa boa, ou envasilhado com a rolha do silêncio obsequioso, o Muro de Berlim, o paredón de La Cabaña, a Revolução de Outubro, os massacres que acabaram com o Levante da Hungria e a Primavera de Praga, a Grande Marcha de Mao, a “vitória” do Vietnã e por aí vai, ele conclui seu ato de contrição com uma nova pirueta em direção ao mundo da lua: “Dói em mim tanto desacerto. Os sonhos de uma geração trocados por um prato de lentilha. Aguardo, agora, a lua nova”.

O dominicano é, portanto, um tipo simbólico. Uma espécie de Muro de Berlim, vivo. Um irredutível habitante da utopia. E um semeador de desastres que, graças ao muro que o separa da realidade, não perde nunca. Qualquer adolescente com ideais nobres e pés no chão dos fatos é capaz de prever o lamentável destino para onde levam suas pegadas. Mas ele sobrevoa o precipício onde os seus seguidores fazem tombar multidões e volta a se revestir com a túnica da razão. Tipos assim são os mais perigosos e merecem ser lidos exatamente por isso. Constroem muros e se instalam, sempre, do lado errado.

Há quem creia estar informado sobre política lendo, nos jornais, o que os políticos dizem uns sobre os outros. Coisa vã, sem serventia. A mais instrutiva leitura política é a que se ocupa em conhecer o que escrevem os intelectuais, os condutores dos construtores. E entre estes, em particular, os condutores dos construtores de muros. Eles continuam ativos.

Nota do autor: Este artigo foi escrito em 08/11/2009, tomando como eixo o artigo “As fases da lua”, da autoria de frei Betto, publicado no site www.adital.com.br, em 12/09/2007.

Foto: Internet

domingo, 15 de novembro de 2009

Manifestantes protestam em SP contra visita de presidente do Irã ao Brasil




Ato reúne centenas de pessoas na Pça. dos Arcos, região da Av. Paulista.Folheto distribuído pela Juventude Judaica ataca regime de Ahmadinejad.

Protesto neste domingo (15) reuniu centenas de manifestantes em São Paulo contrários à visita oficial do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ao Brasil no próximo dia 23. O ato ocorreu na Praça Marechal Cordeiro de Farias, conhecida por Praça dos Arcos, perto das ruas Minas Gerais e Angélica. Folheto distribuído pela Juventude Judaica Organizada atacou o regime iraniano, denunciando racismo, preconceito, discriminação de mulheres, perseguição religiosa e contra minorias, falta de liberdade de imprensa e expressão, além de postura hostil contra o Estado de Israel.

Fonte: G1

Ato em SP pede que Lula questione Ahmadinejad sobre direitos

Manifestação reuniu cerca de 2 mil pessoas em São paulo


Peter Fussy
Direto de São Paulo

Uma manifestação contra a visita do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, que deve chegar ao País no próximo dia 23, reuniu cerca de 2 mil pessoas na tarde deste domingo, em São Paulo, de acordo com a Polícia Militar. Flávio Rassekh, um dos organizadores do evento, pediu que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva questione Ahmadinejad sobre as violações de direitos humanos no Irã.

"Não temos nada contra o governo iraniano. Todos os países assinaram a carta de direitos humanos. Alguns acham que ela pode ser relativizada. Nós não. Estamos todos pedindo para que o governo brasileiro questione o governo iraniano: é correto executar crianças e adolescentes? Organizar perseguições por motivações religiosas? Perseguir mulheres?", afirmou.

O protesto ocorreu na praça dos Arcos, no fim da avenida Paulista, e foi agitado pela batucada de um grupo de inclusão social, além de discursos de líderes de alguns dos 50 grupos da sociedade civil que formam a Frente pela Liberdade no Irã (FLI). Embora a organização seja formada por diversas crenças e raças, a grande maioria dos presentes no ato eram judeus.

Crianças com quipás circulavam e membros da Juventude Judaica Organizada tentavam se livrar das centenas de folhetos sobre as "verdadeiras" razões da visita do líder iraniano ao País. Ahmadinejad afirmou recentemente que o Holocausto, nome pelo qual ficou conhecida a perseguição e assassinato de milhões de judeus durante a 2ª Guerra Mundial, seria um mito.
Uma moção de repúdio às declarações, assinada pelo deputado Bruno Covas, foi distribuído durante o evento. "Tal assertiva deve ser veementemente repelida pelo Estado brasileiro, no sentido de que cessem todos os atos que insistem em afirmar que o Holocausto não tenha existido e se inicie um processo de diálogo com os líderes judeus e iranianos para solução pacífica desta questão", afirmou o deputado na nota.

O clima de certa descontração em uma tarde quente na capital paulista era contrastado pelo semblante sério da zen budista An Ju, que carregava em silêncio uma bandeira com as cores do budismo e dizeres contra a violência pintados com tinta preta em pequenas toalhas de mesa. "O ódio faz parte de uma moeda com dois lados. Pedimos para que Ahmadinejad venha aprender com o povo brasileiro a respeitar os direitos. Este é o outro lado", afirmou a discípula da monja Coen.

Também participaram do protesto representantes de organizações que lutam contra a discriminação aos homossexuais, da cultura afro-descendente e do Conselho Parlamentar pela Cultura de Paz da Assembléia Legislativa (Conpaz). Além de São Paulos, estavam previstos ainda protestos em Belo Horizonte, Cuiabá, Curitiba, Goiânia, Manaus, Belém, Rio Branco e Porto Velho.

Fonte: Terra

- e +

"Quanto menos os homens pensam mais eles falam"
Montesquieu

Modos de subjetivação e demandas de cura nas igrejas neopentecostais : a ética do sexo, poder e dinheiro

Dissertação de Mestrado em Psicologia Aplicada defendida por Márcio Antônio Gonçalves na Universidade Federal de Uberlândia

Esta pesquisa analisa os modos de subjetivação e as demandas de cura que são gestados nas igrejas neopentecostais Universal do Reino de Deus e Internacional da Graça de Deus, bem como, busca investigar a ética do sexo, poder e dinheiro presente nessas mesmas igrejas. As igrejas neopentecostais são delimitadas a partir de algumas características fundamentais, a saber, a guerra espiritual contra o diabo, a Teologia da Prosperidade, a superação dos usos e costumes de santidade, uma estrutura empresarial e a utilização da mídia. A demanda de cura é apresentada como um dispositivo ou campo de força agenciador de processos ou modos de subjetivação. Os modos de subjetivação presentes nas igrejas neopentecostais delimitam a constituição do sujeito à luz de uma relação de causalidade que é estabelecida entre os campos da fé e da ética. Se a demanda de cura é potencializada pela experiência da fé, por outro lado, os imperativos éticos moldam e limitam as condições para o processo de subjetivação do fiel. Sexo, poder e dinheiro são evidenciados como dispositivos éticos que buscam estabelecer o desmentido da condição do desamparo humano. Ao abraçar esses dispositivos o sujeito, diante de sua condição faltante, busca saídas imaginárias nascidas de posições narcísicas. Enquanto marca da identidade humana, o desamparo é tomado como um laço de união entre o neopentecostalismo e a condição masoquista. Os discursos religiosos neopentecostais, na delimitação de um universo de realização e pura felicidade, sustentam a necessidade de uma antropologia na qual o sujeito é regido por uma lógica de assujeitamento. Mais do que vítima, o sujeito se agarra às promessas religiosas mesmo que elas sejam da ordem do impossível. A condição masoquista se apresenta como decorrência da busca de saída da experiência do desamparo

Clique aqui para o texto completo [pdf - 147 p.]

sábado, 14 de novembro de 2009

Viciados em Morbidez


Há um tempo no Manhattan Connection discutiu-se o crescimento das igrejas evangélicas neste momento da crise econômica. Aparentemente o grupo de frequentadores de igreja nos EUA aumentou a ponto de se tornar a notícia na grande mídia americana. Os comentaristas do Manhatttan tentaram entender o que representam os evangélicos no contexto cultural americano atual: o incentivo ao crescimento econômico proveniente das teologias de fé e sucesso pregadas por muitas igrejas, a esperença produzida pela união das pessoas em comunidades solidárias que servem de estímulo para novas iniciativas econômicas e para o desenvolvimento de indivíduos e famílias, a recuperação de indivíduos que antes eram um peso na sociedade e agora com a ajuda da fé se tornam produtivos.

Foi muito esquisito aquilo, ouvir jornalistas falando bem da fé evangélica, e das igrejas que costumamos espinafrar: as igrejas da teologia da prosperidade. Apesar deles estarem comentando sobre um fenômeno americano o que diziam podia ser facilmente aplicado ao Brasil. Por mais que eu e muitos críticos do movimento pentecostal não gostemos de admitir cada vez mais o crescimento das igrejas de fé vai mudando positivamente o perfil da população brasileira. Até a Universal, a mais controversa das denominações, onde dificilmente se reconhece algum princípio do evangelho, aporta uma contribuição positiva para o tecido socio-econômico brasileiro. Apesar de todo sincretismo, de todos os erros teológicos, apesar dos escândalos das lideranças, dos abusos e absurdos que interpretações equivocadas da fé vêm produzindo o Cristianismo é sempre uma religição socialmente do "bem" e seus subprodutos também serão do bem. As distorções têm efeitos colaterais negativos, mas o sintoma geral é de cura. O que não me parece do "bem" hoje em dia é a postura crítica constante, cáustica, cruel, muito mais cruel que as críticas externas. Nasceram até ministérios com a missão quase exclusiva de criticar, julgar, difamar por todos dos meios possíveis qualquer proposta neopentecostal ou neo-alguma coisa. Embates pessoais entre figuras de meio Gospel, jornalistas e pastores viraram lugar comum. Algumas discussões são tão rateiras que não perdem para briga de botequim.

Livros como Porque você não quer mais ir à Igreja, blogs que se especializaram em divulgar o ridículo da cultura Gospel, pregadores do anti-movimento posam de iconoclastas proféticos propagando esta nova modalidade de "denominação" cristã, a anti-igreja. Grande parte da energia destes novos crentes é gasta em antagonizar propostas da religião instituída.

Infelizmente, de acordo com minha observação pessoal, esta postura não libera os membros destes novos movimentos para uma vida de fé mais simples e produtiva. Teria sido interessante se no meio de tudo isto nascesse um grupo de cristãos com mais tolerância e coração aberto que entendesse o Reino acima das propostas denominacionais e que fosse capaz de circular entre as mais diversas formas culturais de cristianismo e contribuir com todas com respeito sem anuir aos erros. Mas não, a atitude desenvolvida pelos antagônicos e a de completa intolerância. Ao invés de encontrarem graça a perdem. Se sentem acima do bem e do mal e se especializam em encontrar problemas e defeitos em tudo e em todos.

Cristãos assim geralmente se tornam pastores de sua própria denomicação de um só membro. As marcas e feridas que trouxeram de suas experiências anteriores estão protegidas por uma elaboração racional que impede o processo de cura. A culpa é sempre dos outros, do sistema, da intolerância religiosa, dos pastores e líderes abusivos. Como vítima não sou chamado ao arrependimento, tenho razão para as minhas dores, não preciso repensar minha atitudes ou reconhecer meus próprios erros. Jovens adeptos da neo-iconoclastia não aceitam mais padrões de comportamento nem moralidade de qualquer espécie. Toda moralidade é taxada de moralismo, toda "experiência" de vida supostamente tem o consentimento de um Deus que me entende.

Ouvi um crítico outro dia dizer com sarcasmo que a Sexx Church é o velho Jaime Kemp e seu moralismo sexual disfarçado para o Século XXI. Me choquei com o comentário cáustico, mais vazio. Jaime Kemp fez um bom trabalho na minha geração ensinando moral sexual e os valores familiares numa linguagem acessível. A Sexx Church faz hoje a mesma coisa, contextualizando a forma e mantendo o significado, ou seja mantendo os padrões morais bíblicos que nem eles e nem o Jaime Kemp inventaram. Será que os jovens de hoje não precisam de ensinos sobre uma sexualidade sadia? Propor um cristianismo que não estabelece limites morais, que não define padrões para a sexualidade é negar uma parte essecial da proposta cristã. Existem padrões estabelecidos para a vivência humana na terra que a nós cabe simplesmente aceitar, mas no vale-tudo anti-institucional vale até rejeitar a idéia de pecado, de submissão a um código moral qualquer ainda que rotulado de cristão.

Fico com a simplicidade da fé e não com a morbidez da inteligentsia cristã. A essência Jesus pode ser embalada com muitas mentiras, e infelizmente acho de uma maneira ou de outra nenhum de nós escapos de equívocos, julgamentos culturais e ambições pessoais que deturpam sua palavra. Mas mesmo assim ele continua sendo Jesus, o caminho, a verdade e a vida, o Deus verdadeiro e capaz de milagres, redenções e perdões impossíveis, capaz de se comunicar com todos como o Deus vivo que é.

Bráulia Inês Ribeiro - Revista Eclésia - Edição 138
Imagem: Internet

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

EUA vão abrir investigação contra integrantes da Universal

Edir Macedo e mais nove representantes da Igreja Universal do Reino de Deus serão investigados pelos Estados Unidos por desvio de recursos, lavagem de dinheiro e suspeita de estelionato no país. As informações são do Jornal Nacional, que veiculou uma reportagem sobre o caso ontem (12/11).

Promotores de Nova York vão comandar a investigação, que terá a cooperação de autoridades brasileiras para este caso. Com o acordo, o sigilo de contas bancárias ligadas à igreja será quebrado. As autoridades norte-americanas decidiram investigar o caso devido a um pedido do Ministério Público de São Paulo, que denunciou à Justiça Edir Macedo, fundador da Universal, e outros integrantes da igreja, por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

A promotoria criminal será responsável pela investigação em Nova York. Adam Kaufmann, promotor de Justiça, é o chefe da Divisão de Combate a Fraudes e a Crimes Financeiros e já colaborou com autoridades brasileiras. Foi ele quem pediu e fez que a Justiça americana decretasse a prisão de Paulo Maluf, por desvio de dinheiro público e lavagem. Ele também ajudou a bloquear as contas do banqueiro Daniel Dantas.

Kaufmann esteve no Brasil no mês passado e falou durante uma entrevista que já apurou crimes envolvendo igrejas. "Há casos de igrejas que arrecadam doações de fiéis e depois usam esse dinheiro para financiar TVs, carros, um estilo de vida pessoal que nada tem a ver com a caridade. Esse é um tipo de fraude bem conhecida e bem documentada nos Estados Unidos".

No caso da IURD, os americanos vão focar a investigação no fundador Edir Macedo e em nove réus que respondem por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro no Brasil. Os promotores ainda vão conferir as contas bancárias de cinco empresas ligadas à igreja: duas estão em um prédio em São Paulo, outra é a Rede Record, que também tem um escritório em Nova York, outras duas são a Investholding e a Cableinvest, abertas em paraísos fiscais, mas que movimentam dinheiro nos EUA. De acordo com o Ministério Público, elas fariam parte do esquema de desvio de doações da Universal.

Segundo a acusação, o dinheiro doado legalmente pelos fiéis é desviado para empresas brasileiras ligadas à igreja. Em seguida, ele é mandado para as contas da Cableinvest e Investholding e depois volta na forma de empréstimos para a compra de bens que não tem relação com a igreja e obras sociais. Para a promotoria, com a ocultação da origem do dinheiro, Edir Macedo comprou propriedades, entre elas empresas de comunicação. A conclusão é que os recursos da igreja foram utilizados para enriquecimento pessoal.

Com a quebra do sigilo das contas será possível saber de onde vêm e para onde vai o dinheiro que passa por bancos norte-americanos. Essas informações serão colocadas no inquérito civil, ao procedimento investigatório e ao processo criminal brasileiro.

A promotoria de Nova York também vai abrir uma investigação contra Edir Macedo e outros integrantes da Igreja Universal nos Estados Unidos. Os crimes são desvio de dinheiro de entidade religiosa, lavagem de dinheiro e suspeita de estelionato no país. Quinze contas ligadas à igreja serão vasculhadas em Jacksonville, Miami e Nova York.

Há um mês, o chefe dos promotores americanos disse, antes da decisão sobre a investigação, que só cooperaria com outros países em casos que possuem provas consistentes. “Quando o dinheiro se move pelo mundo, há uma grande chance de que ele passe por Nova York. Os criminosos não respeitam fronteiras e buscam todos os meios para salvar o que mandaram para fora. Mas o dinheiro deixa pistas pelo caminho, e o fundamental é seguir esses rastros”.

Arthur Lavigne, advogado que representa Edir Macedo e a IURD, disse que não conhece a cooperação entre autoridades americanas e brasileiras.

Fonte: Adnews

Nova série apocalíptica


Tim LaHaye, co-autor da Série Deixados para trás assinou contrato com a editora Zondervan para escrever uma nova série de romances apocalípticos juntamente com o advogado e autor de thrillers legais Craig Parshall. O primeiro título da série, The End, será "Edge of Apocalypse"

Edge of Apocalypse tem lançamento mundial programado para 20 de abril de 2010 com uma tiragem inicial de 500.000 exemplares.

"Estou emocionado por fazer parceria com Zondervan para produzir uma série esperançosamente ainda mais inovadora do que Deixados para trás", disse LaHaye. "A série The End inclui muitas profecias que não foram abordados em Deixados para trás".

"Estamos absolutamente encantados por trabalhar com a Tim e Craig sobre esta nova série," disse o CEO da Zondervan Moe Girkins. "Nós acreditamos que começando com Edge of Apocalypse, esta série fará você pensar e explorar a sua fé."

Com informações da PR Newswire

Silêncio


"O oposto do amor não é o ódio, e sim o silêncio"
Elie Wiesel

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Brasileiros organizam protesto contra Mahmoud Ahmadinehad

Em manifesto, a FLI afirma que “atua inspirada na tradição brasileira de tolerância, promovendo a cultura do convívio pacífico"

Diversas associações e a sociedade civil brasileira se uniram para formar a Frente pela Liberdade no Irã (FLI), para questionar o estreitamento de laços diplomáticos do Brasil com o governo de Mahmoud Ahmadinejad, “que pratica ações antidemocráticas e contra as liberdades dos cidadãos”. O grupo programou um protesto para ser realizado no domingo (15) em nove capitais brasileiras.

O presidente do Irã deve realizar uma visita ao Brasil no dia 23 de novembro. Nessa semana, o líder de Israel, Shimon Peres, antecipou a vinda do iraniano e chegou no país para diversos compromissos, incluindo com Luiz Inácio Lula da Silva.

Em manifesto, a FLI afirma que “atua inspirada na tradição brasileira de tolerância, promovendo a cultura do convívio pacífico. O grupo deseja que o governo brasileiro defenda, junto ao governante iraniano, todas as vidas humanas como sagradas, a democracia como princípio e a liberdade como direito”.

Participam da Frente pela Liberdade no Irã representantes de movimentos negros, religiões de matrizes africanas, grupos de evangélicos, católicos, bahais, judeus, associação de gays e lésbicas, lideranças religiosas orientais, professores universitários, jornalistas, advogados, médicos, associações promotoras da liberdade de crença, de liberdade e cultura da paz, entre outros.

A FLI pede que o Governo do Irã não persiga minorias, mulheres e não reprima manifestações de culto e crença religiosa; respeitem a diversidade humana; reconheçam o Holocausto de 6 milhões de judeus e o assassinato de 5 milhões de ciganos; e não ameacem a segurança de outros países, nem desenvolvam energia nuclear ou realizem testes com mísseis balísticos.

Fonte: Abril

+
Terrorista no Brasil, NÃO!

Xbox 360 receberá leitor digital da Bíblia

Aplicativo para o Xbox 360 permitirá ler a Bíblia na televisão. (Foto: Divulgação)


Programa chega à loja virtual do console em dezembro por US$ 5. No videogame, Livro será em alta definição.

Os jogadores de videogame mais religiosos poderão ler Bíblia sem precisar desligar o console. Um programa chamado “Bible navigator x” permitirá ler todo o conteúdo do livro cristão pela TV e apresentará imagens e animações. O aplicativo criado pela editora americana B&H será lançado em dezembro e custará US$ 5 na loja virtual do Xbox 360. O programa rodará em alta definição e terá funções como busca por palavras e marcação de texto. Além disso, o “Bible navigator x” terá dez temas para mudar a aparência da Bíblia do jogador. Este é o primeiro programa que permite ler a Bíblia em um videogame. O produtor executivo de produtos digitais da B&H, Aaron Linne, diz que “o aplicativo levará a Bíblia para as salas e para as TVs das pessoas de forma totalmente inovadora”. “Podemos usar a tecnologia do videogame para estudar as Escrituras em um meio completamente novo, além levar a Bíblia para pessoas que se sentem mais confortáveis com um joystick do que com um livro”.

Fonte: G1

Igreja Mórmon concede apoio inesperado aos direitos dos homossexuais



A Igreja Mórmon concedeu um apoio inesperado a uma série de textos contra discriminações aos homossexuais, votados pelo conselho municipal de Salt Lake City (Utah, oeste dos Estados Unidos).

A posição da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (nome oficial da Igreja Mórmon) em favor dos homossexuais era, pelo menos, imprevista; a mesma igreja contribuiu com a proibição, em 2008, do casamento gay na Califórnia (oeste), financiando a campanha da oposição.
Segundo decisões aprovadas pelo conselho municipal de Salt Lake City, capital de Utah, os homossexuais da cidade não poderão mais ser demitidos do trabalho ou deixar de alugar uma casa, devido à sua orientação sexual.

Michael Otterson, diretor de assuntos públicos da Igreja Mórmon, estimou em comunicado que a questão levantada por esses textos diz respeito "ao direito a um teto e ao direito de uma pessoa trabalhar sem sofrer discriminação" e que a Igreja os apoiava "na essência".

Sem empregar uma única vez a palavra "homossexual" ao longo de seu comunicado, Otterson precisou que o apoio dos Mórmons a esses textos não questiona a posição da Igreja sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

A Igreja Mórmon possui 13 milhões de fiéis em todo o mundo, em particular em Utah, onde é a maior proprietária do setor imobiliário de Salt Lake City.

Fonte: AFP

DVD - Sony Pictures


A estrada do amor verdadeiro sempre é esburacada. Pergunte ao Dave e à Clarice Johnson. Depois de muitos anos de casamento, a afeição de um pelo outro está sendo duramente testada pelas reviravoltas da vida. Um acidente de carro obriga a Clarice a suspender temporariamente as suas atividades, e o casal tem que lidar com tentações carnais, problemas financeiros e desafios emocionais que ameaçam o amor que um sente pelo outro. Então, afinal, veem-se obrigados a avaliar se os votos de casamento que fizeram no altar podem ser facilmente quebrados neste filme emocionante baseado no romance de sucesso de T.D. Jakes.


Diretor: Bill Duke
Atores: Morris Chestnut, Cannon Jay, Eddi Cibrian
Duração: 100 minutos

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Anglicanos recusam proposta do Papa para se converterem ao catolicismo



Cerca de 30 bispos e arcebispos anglicanos, opostos à linha liberal da Igreja no que se refere à homossexualidade, recusaram hoje a proposta do Vaticano de se converter ao catolicismo, considerando que "não é momento de abandonar" a sua religião.

"Estamos convencidos de que não é o momento de abandonar a comunhão anglicana", declarou o arcebispo nigeriano Peter Abuja, presidente da Gafcon (Conferência para um Futuro Global do Anglicanismo), em comunicado colocado no portal online do movimento.

Estes anglicanos dizem estar "profundamente agradecidos" ao Papa pela sua "amável" proposta: "Lamentamos, no entanto, que a crise actual na nossa querida comunhão anglicana tenha permitido uma tal proposta sem precedentes", afirmou Peter Abuja.

Fonte: Lusa

Liberdade de imprensa está se deteriorando nas Américas

A liberdade de imprensa está se deteriorando nas Américas, em um ambiente de enfraquecimento da democracia, em consequência da ação de governos e da violência criminal, afirmou nesta terça-feira a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), como conclusão de sua Assembleia em Buenos Aires.

O documento final, após cinco dias de deliberações, aponta "a ação coordenada de governos para controlar o papel da imprensa e o desprestígio ao qual os mais altos funcionários de governo submetem os meios de comunicação".

"O avanço desmedido da violência contra jornalistas (com 16 jornalistas assassinados no último semestre), a proliferação de mecanismos legislativos e decisões judiciais arbitrárias, em um ambiente de enfraquecimento da democracia, servem para acossar jornalistas e meios", denunciam os editores.

A SIP expressa seu "desgosto e preocupação" com a morte de oito jornalistas no México, três em Honduras, dois na Guatemala, dois na Colômbia e um em El Salvador.

"Continua sendo condenável a permanência na prisão de 27 jornalistas em Cuba (...), país que também se destaca como um dos maiores controladores e consumidores de internet".

Em um dos parágrafos mais políticos, a entidade dos editores afirma que "em todo o continente, observa-se que a pobreza que persiste pelo escasso desenvolvimento econômico e a inequidade que impera na maioria dos países da América gerou uma injustificável tendência ao autoritarismo".

"Não é um acaso que vários governos estejam agora unidos por uma ideologia exportada da Venezuela pelo presidente Hugo Chávez, que até propôs uma 'lei de crimes na mídia' e fechou 34 emissoras", destaca a organização.

A SIP diz que "esta tendência se reflete nas legislações de diversos países, como a nova Lei de Serviços Audiovisuais promovida pelo governo da Argentina na esteira de uma inédita campanha de incitação contra os meios independentes".

Os editores também mencionam o "Projeto de Lei de Comunicação do presidente Rafael Correa no Equador e suas réplicas, como a proposta de lei de imprensa em El Salvador".

"Outras leis que buscam o controle de conteúdos foram propostas ou estão sendo discutidas nos parlamentos de Panamá, Colômbia, Chile e Uruguai, enquanto o Brasil está organizando uma conferência nacional sobre a mídia que poderá levar à criação de medidas de controle da imprensa".

Os editores indicam ainda que "longe de cessar, as práticas discriminatórias na distribuição da publicidade oficial continuam sendo utilizadas como instrumento de coação por vários governos, como os de Argentina, Aruba e Antilhas Holandesas, Equador, Guatemala, Nicarágua, Paraguai e Venezuela".

"Outra tendência claramente visível dentro deste tipo de restrições é a paralisação de projetos de lei sobre o acesso à informação pública, como em El Salvador e Bolívia, ou que têm aplicação ineficiente, como no Chile, Equador, Panamá e Porto Rico, ou ainda que são inexistentes, em países como Venezuela e Cuba".

Alguns aspectos positivos foram apontados acerca da "despenalização dos delitos de difamação e injúria no Uruguai e o envio ao Congresso argentino, por parte do Executivo, de um projeto de lei para despenalizar os delitos de injúria e calúnia com base em uma sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos".

Fonte: AFP

Suor carisma e controvérsia: Igreja Mundial do Poder de Deus

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Julgamento do casal Hernandes é suspenso no STF

Um pedido de vista da ministra Cármen Lúcia suspendeu o julgamento do pedido de Habeas Corpus no Supremo Tribunal Federal feito pela defesa dos fundadores da Igreja Renascer em Cristo, Estevan Hernandes Filho e Sonia Haddad Moraes Hernandes. O julgamento começou nesta terça-feira (10/11) na 1ª Turma do STF. Os ministros Marco Aurélio, relator do processo, e Dias Toffoli votaram pelo encerramento da Ação Penal pelo crime de lavagem de dinheiro.

Para o ministro Marco Aurélio, se não há o tipo penal antecedente, que teria provocado o surgimento do que posteriormente seria “lavado”, não há como dizer que os acusados praticaram o delito, que está previsto no artigo 1º da Lei 9.613/98. A lei estipula os crimes de lavagem de dinheiro e ocultação de bens por meio de organização criminosa, em relação aos quais o casal responde a processo na 1ª Vara Criminal da capital paulista.

O MP acusa o casal de comandar uma organização criminosa, que se valeria da estrutura de entidade religiosa e de empresas vinculadas para arrecadar grandes valores em dinheiro, desviando os numerários oferecidos pelos fiéis em proveito próprio e de terceiros, além de lucrar na condução das diversas empresas, algumas por meio de “testas-de-ferro”, desvirtuando as atividades eminentemente assistenciais.

Segundo a defesa do casal Hernandes, a própria Lei 9.613/98 diz que, para se configurar o crime de lavagem de dinheiro, é necessária a existência de um crime anterior, que a denúncia aponta ser o de organização criminosa. Para o advogado criminalista Luiz Flávio Borges D’Urso, a denúncia do Ministério Público é inepta, já que não existe, no sistema jurídico brasileiro, o tipo penal “organização criminosa”. Com informações da Assessoria de Imprensa do STF.

HC 96.007

Fonte: Consultor Jurídico

Os novos Judas


Wilson Silveira Lopes Advogado e servidor municipal


Na qualidade de bom palrador, volta e meia o Sr. Lula da Silva do alto do seu posto de presidente desta nação grandiosa de forma hilária, às vezes confusa, emite manifestações públicas que não só fazem graça, como às vezes trazem em seu contexto “um quê” de ofensa dita de maneira dissimulada.

Outro dia desses, disse: “Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão”.

Eu diria que o presidente, com esta frase, em primeiro lugar faz denotar o que são os políticos em sua grande e imensa maioria. São eles um bando de interesseiros de aspecto perverso, capazes de compor e unir não só com um tipo como Judas, mas poderiam estabelecer coalização até mesmo com o diabo, - desde que isto trouxesse ganhos reais, que somente aos políticos diz respeito e interesse.

Em segundo lugar, vê-se que o presidente Lula não deve imaginar que o Jesus conhecido pela maioria da sociedade pela ampla transmissão das grandes religiões cristãs do mundo, não é o mesmo que lhe informam os líderes cristãos que o cercam, marxistas da CNBB, Frei Beto, bispos e pastores evangélicos cheios de vaidade e desejosos de privilégios e concessões, iluminando para o presidente um Jesus bem diferente do Jesus do Evangelho.

Se essa gente jura fé em Jesus, logo devem ser iguaizinhos a Jesus, pensa o presidente.
São os marxistas de plantão da CNBB, bispos e pastores evangélicos que vivem à caça desses privilégios e concessões que lhe dão a certeza de que se estes seguem a Jesus, então Jesus deve ser igualzinho a eles.

A interação Lula, políticos e os cristãos que o cercam, são exemplos vivos lembrados no Santo Evangelho quando Jesus diante dos seus algozes políticos que o queriam crucificado manteve o silêncio, pois enfrentava “raposas políticas”. O silêncio do Cristo era uma forma de encarar homens que se julgavam donos de toda verdade.

Em face da petulância agressiva dos poderosos a sabedoria do Cristo se cala, pois era sabedor de que a justiça máxima de Deus chegaria.

Eles são modelos novos de Judas, que de forma atual continuam traindo Jesus e o seu Evangelho de salvação.

Com a orientação e testemunho dessas “raposas”, é que Lula concluiu que “ Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalização”.

Raposa cristã ou política, alicerça Lula e seu partido. Estão aliançados. De um lado e de outro é em Judas como esses que Lula faz idéia do que é Jesus e do que Ele faria na política do Brasil.
Para essa gente fazer alianças com os Pilatos e Herodes da vida é bom para que não se perca oportunidades financeiras, até por que são “raposas” ladinas e finórias na esperteza e no alcance prático de maldades. Aliados, os resultados dessas maldades serão maiores e positivos cada vez mais.

As “raposas” religiosas são na verdade as mais perigosas e sibilinas, possuem uma face de pureza e grandeza espiritual na qual o Lula acredita e põe fé.

São todos novos Judas, hipócritas do cristianismo.

Fonte: O Norte

Imagem: Internet

Vaticano se questiona sobre existência de vida extraterrestre


O Vaticano levantou a questão da possibilidade de existência de uma forma de vida extraterrestre, durante um seminário sobre astrobiologia de quatro dias, encerrado neste 10 novembro, durante o qual um dos participantes expressou a convicção de que tal descoberta estaria relativamente próxima.

"Mesmo se não encontrarmos vida, as pesquisas nos ensinam coisas importantes e úteis sobre nosso mundo" com "implicações filosóficas e teológicas", explicou à imprensa o diretor do 'Observatório Astronômico do Vaticano, José Gabriel Funes, nesta terça-feira, ao final do seminário.

O debate, organizado por ocasião do Ano Internacional da Astronomia, reuniu a convite da Academia pontifical de Ciências, 30 cientistas, astrólogos, biólogos, físicos, geólogos e químicos.

Os convidados eram "especialistas em seu campo" e "não lhes pedimos certidão de batismo", disse o padre Funes, preocupado em mostrar a abertura de espírito da Igreja a respeito.

O Padre Chris Impey, astrônomo da Universidade do Arizona, se disse certo de que "em alguns anos - 5, 10, ou muito mais - serão encontradas formas de vida no universo, seja no sistema solar ou fora dele".

Para apoiar suas ideias, ele destacou que o universo é feito "de carbono, água e energia" e que "o cosmos" está cheio dessas substâncias. Também destacou que "progressos incríveis foram feitos na pesquisa sobre os planetas": foi apenas "em 1995, que encontramos o primeiro planeta fora do sistema solar" e, agora, "conhecemos mais de 400".

O padre Funes, jesuíta argentino, se disse "um pouco mais cético" sobre a possibilidade de se descobrir rapidamente outras formas de vida. Em maio de 2008, havia sido menos reservado: acreditar em Deus é compatível com a crença nos extraterrestres, havia dito, então, considerando mesmo a existência de um planeta habitado por seres que não teriam cometido o pecado original.

Fonte: AFP

Nasa inicia cruzada contra profetas do apocalipse

A Nasa se apressou para dissipar temores de que uma série de catástrofes naturais poderia destruir a Terra



O mundo não vai terminar no dia 21 de dezembro de 2012, garantiu nesta segunda-feira a Agência Espacial Americana, em uma curiosa campanha para dissipar os temores provocados pelos profetas do apocalipse na Internet e pelo filme "2012", que será lançado em breve por Hollywood.

O filme, dirigido por Roland Emmerich, com estreia prevista para o próximo final de semana, relata o fim da humanidade no solstício do inverno boreal de 2012, exatamente no dia 21 de dezembro, após uma série de catástrofes naturais.

A data estaria ligada a um alinhamento dos planetas do sistema solar, algo de mau presságio, segundo a crença popular.

Segundo vários profetas do apocalipse, o fim do mundo chegará quando um obscuro planeta, chamado de Nibiru e supostamente descoberto pelos sumérios, colidir com a Terra.

Alguns sites acusam a Nasa de ocultar a verdade, mas a agência espacial qualifica estas histórias de "engodo da Internet".

"Não há qualquer evidência para estas afirmações", destaca a Nasa em seu site.

Se esta possibilidade de colisão fosse real, os astrônomos teriam detectado este objeto "ao menos durante a última década, e agora seria visível a olho nu. Obviamente, não existe".

"Nenhum cientista sério do mundo conhece alguma ameaça para 2012", insiste a Nasa, recordando que a Terra existe há mais de 4 bilhões de anos.

Um colisão com nosso planeta foi prevista inicialmente por alguns profetas para 2003, mas a data foi adiada para 21 de dezembro de 2012, que corresponde ao fim de um ciclo do calendário Maya.

A agência destacou que as colisões catastróficas da Terra com corpos celestes são muito raras, e que a última ocorreu há 65 milhões de anos.

Fonte: AFP

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Bíblia hebraica roubada por nazistas é devolvida à Áustria

Uma Bíblia hebraica de quase 500 anos, roubada pelos nazistas pouco antes da Segunda Guerra Mundial, foi devolvida à comunidade judaica de Viena nesta segunda-feira, disseram autoridades norte-americanas.

A Bíblia de 1516 desapareceu depois que os nazistas fecharam a biblioteca da comunidade judaica de Viena em 9 de novembro de 1938, disse o promotor norte-americano Preet Bharara e o Departamento de Segurança Nacional dos EUA.

O livro foi doado à comunidade Judaica de Viena em 1908. As autoridades recuperaram a Bíblia depois que ela foi colocada à venda em uma casa de leilões de Nova York este ano.

O dono da obra, um suíço não-identificado, concordou em devolvê-la após tomar conhecimento da história. A Bíblia foi entregue à comunidade judaica da Áustria em uma cerimônia de repatriação no Museu de Herança Judaica em Nova York na segunda-feira.

Fonte: O Globo

As sementes da destruição do comunismo



O espectro do comunismo rondou não somente a Europa, mas todo o planeta durante o século XX. Nada menos que 36 países aderiram à ideologia de Karl Marx em algum ponto de sua história. Cinco regimes comunistas sobrevivem, mesmo que nominalmente, vinte anos depois da queda do muro de Berlim. Apenas dois ainda mantêm economias de estado. A história desta aventura política foi retratada pelo historiador inglês Archie Brown em seu novo livro, The Rise and Fall of Communism (A ascensão e queda do comunismo, em tradução livre). Professor da Universidade de Oxford e um dos mais conhecidos estudiosos da União Soviética, Brown tenta responder a perguntas simples sobre um tema complexo. Como o comunismo conquistou tantos adeptos no século XX? Como um reformista como Mikhail Gorbachev pode ascender à liderança do Partido Comunista Soviético? A queda do muro de Berlim foi um acaso? Karl Marx dizia que o capitalismo continha as sementes de sua própria destruição. Para Archie Brown, a sentença é válida para o próprio comunismo. Ele concedeu a seguinte entrevista ao repórter de VEJA Thomaz Favaro:

O colapso da União Soviética foi inevitável?
Em 1985, o sistema comunista tinha muitos problemas, mas não estava em crise. O Politburo, a KGB e os militares estavam empenhados em manter uma frente unida, ainda que atrás da fachada monolítica houvesse muita divergência entre eles. Foi a implementação da glasnost e perestroika que deu início à crise. Sem elas, acredito que o sistema soviético poderia ter se adaptado e sobrevivido por mais algumas décadas. Se tivesse durado até 2000, a União Soviética teria se beneficiado do aumento no preço do petróleo que permitiu ao presidente Vladimir Putin ganhar tanta popularidade na Rússia. As reformas, feitas apenas parcialmente, acabaram piorando a situação. No final dos anos 1980, a economia estava no limbo: já não era uma economia planificada do período soviético, mas tampouco fora transformada em uma economia de mercado. E este meio termo não funcionou.

Como um líder como Mikhail Gorbachev pode surgir dentro de um regime totalitário como o da União Soviética?
O escritor russo Alexander Soljenítsin já dizia que não era possível surgir uma liderança reformista dentro do Partido Comunista, pois esta seria eliminada politicamente antes de chegar ao topo da hierarquia partidária. Gorbachev conseguiu porque manteve muitas de suas ideias para si mesmo. Se seus colegas soubessem o conteúdo de suas propostas, jamais o deixariam assumir o posto de secretário-geral do Partido Comunista. O segundo ponto é que ele se tornou ainda mais radical uma vez que chegou ao poder. No início de sua carreira, Gorbachev acreditava que o sistema soviético era reformável. Somente em 1988, quando parte do partido se opôs firmemente contra suas reformas é que Gorbachev percebeu que a transformação precisava ser radical. No final, a única maneira que os comunistas linha-dura encontraram para tentar voltar o relógio foi colocar Gorbachev em prisão domiciliar em 1991, mas já era tarde demais. Com eleições livres, o sistema já havia mudado de tal forma que não era fácil para eles retomarem o poder.

Levantes populares exigindo maiores liberdades individuais fracassaram na China, na Checoslováquia e na Hungria. Por que nunca deram certo?
A idéia de um comunismo reformado não faz sentido. Em determinado momento, o sistema acaba se contradizendo. Se há liberdade de expressão, concorrência partidária e eleições competitivas, não é mais um estado comunista. O caso da Checoslováquia é um pouco diferente, pois foi a invasão dos tanques soviéticos que colocou um fim à Primavera de Praga. Até então, havia uma crescente pluralização da sociedade checa. Eles ainda não tinham eleições livres, mas já tinham boa dose de liberdade de expressão.

O que une regimes tão díspares quanto os que foram implementados na Coreia do Norte, na União Soviética e na Hungria?
O sistema comunista pode ser definido por três características. No campo econômico, o estado controla os meios de produção e a economia planificada. No plano político, o traço principal é monopólio do poder por um Partido Comunista extremamente hierarquizado e centralizado. Por último, há um componente ideológico, que consiste em pertencer a um movimento internacional que está no processo de construção do comunismo, uma sociedade utópica sem divisão de classes. Todos estes países se definiam socialistas e declaravam que o comunismo ainda não havia sido alcançado. Eu prefiro chamá-los de comunistas, uma vez que o termo socialista se aplica a uma ampla variedade de correntes partidárias, incluindo os social-democratas.

A queda do muro de Berlim foi uma obra do acaso?
O porta-voz dos comunistas alemães, Günter Schabowski, falando de improviso à rede americana NBC, deu a entender que os cidadãos da Alemanha Oriental estavam livres para deixar o país. Um canal de televisão da Alemanha Ocidental retransmitiu a mensagem dizendo que "os portões do muro de Berlim serão escancarados", o que não era verdade. Mas a multidão que se aglomerou no local era tão grande que os guardas nada puderam fazer a não ser deixá-los passar. Por conta do fuso horário, o Politburo soviético inteiro estava dormindo. Na manhã seguinte, o embaixador da Alemanha Oriental em Moscou foi avisar Mikhail Gorbachev sobre o ocorrido. O líder soviético então disse que os alemães tinham feito a coisa certa. Embora o momento específico tenha sido obra do acaso, não havia nada de acidental na queda do muro de Berlim em 1989. Gorbachev e seus aliados já haviam decidido que não usariam a força militar soviética para manter o comunismo em nenhum país do Leste Europeu. Caberia aos governos locais conseguir o apoio da população se quisessem manter o regime. Uma vez removida a ameaça de intervenção armada, era uma questão de tempo para que os alemães começassem a derrubar o muro.

Uma pesquisa recente afirma que 57% dos habitantes da Alemanha Oriental acreditam que "a vida era melhor e mais feliz nos tempos do comunismo do que hoje". O que explica esta saudade?
Tenho certeza que se você perguntar a estas pessoas se elas querem a volta da censura e de todas as restrições impostas durante a época comunista, elas dirão que não. Muitos alemães sentem saudades do tempo em que tinham uma garantia de emprego. Este fenômeno pode ser observado também no Leste Europeu. Sempre há perdedores. Observe que em todos estes países há partidos comunistas concorrendo nas eleições, mas eles nunca voltaram ao poder.

Como o comunismo perdura em países como Cuba, Coreia do Norte, Vietnã e Laos, mesmo duas décadas depois do fim da União Soviética?
O movimento comunista internacional acabou. Nem mesmo estes países acreditam seriamente que no futuro o mundo inteiro será comunista. A China já é um regime híbrido. O Partido Comunista chinês encontrou uma maneira de reformar o sistema, introduzindo a economia de mercado, sem perder a hegemonia política. Esta aparente contradição pode continuar por algum tempo. A China está se saindo melhor que a maioria dos países nesta crise econômica. Os demais regimes comunistas mantêm-se apoiados em inimigos externos, em especial os Estados Unidos. No caso de Cuba, a política externa americana contribuiu para a perpetuação do regime. Ninguém jamais imaginou que o comunismo cubano iria sobreviver mais duas décadas depois do fim da União Soviética. Fidel Castro nem era comunista quando tomou o poder. A política americana de isolamento e hostilidade agregou um viés patriótico à ideologia comunista em Cuba. Muitos cubanos se enxergam como Davi diante de Golias.

O regime cubano é o único que ainda conta com simpatizantes no resto do mundo. Por quê?
Fidel Castro foi o Lênin de Cuba. O fato dos irmãos Castro estarem no poder desde o começo da revolução traz um apelo romântico ao regime cubano. Na União Soviética, Lênin e Stálin foram substituídos por Kruschev, que ainda tinha certa popularidade, mas depois por burocratas desconhecidos e chatos. Em comparação, as lideranças cubanas são muito mais carismáticas. Nos países mais pobres, os partidos comunistas perceberam que as pessoas respondem mais entusiasticamente a grandes líderes do que a qualquer ideologia. Estive na China este ano e pude ver que Mao Tse Tsung ainda é reverenciado no país, apesar da ditadura brutal que ele impôs.

Qual foi o papel das lideranças ocidentais, como o presidente americano Ronald Reagan e a primeira-ministra Margaret Tatcher, na derrocada dos regimes comunistas?
O fim do comunismo no Leste Europeu foi uma conquista dos reformistas soviéticos. Os ocidentais foram coadjuvantes. Em 1983, Tatcher foi a um seminário para ouvir a opinião de um grupo de estudiosos da União Soviética, do qual eu fazia parte, sobre como lidar com eles. Foi quando o governo inglês passou a buscar o diálogo com os comunistas. Autoridades britânicas visitaram todos os países do Leste Europeu e Gorbachev, que ainda não era secretário-geral do Partido Comunista, foi convidado para vir a Londres. Depois de conhecê-lo, Tatcher viajou a Washington e convenceu seu amigo Reagan que Gorbachev seria um líder confiável. Até então, o presidente americano mantinha um discurso linha-dura que só fortalecia os comunistas mais conservadores. Estados Unidos e a Inglaterra adotaram então uma política externa comum. Uma das coisas que minou o comunismo foi a interação com os países ocidentais. Gorbachev dizia que foi em suas visitas à Europa que ele percebeu que a vida dos capitalistas não tinha nada a ver com o retrato pintado pela propaganda soviética. Ele começou a questionar a superioridade do sistema comunista quando viu com os próprios olhos como era a vida de seus amigos europeus.

Como o comunismo pode conquistar tantos corações e mentes no século XX mesmo sem apresentar resultados econômicos convincentes?
O comunismo ganhou adeptos principalmente a partir da crise de 1929, quando havia massas de desempregados obviamente insatisfeitos com o regime capitalista. Os comunistas também se beneficiaram do fato da União Soviética ter sido uma das principais forças a combater o nazismo. Mas segundo minha definição de comunismo, apenas 16 países adotaram este sistema. União Soviética, Checoslováquia e Iugoslávia eram federações que se desmantelaram em países menores, portanto 36 estados atuais já foram comunistas, e apenas cinco sobrevivem hoje. Havia também os Partidos Comunistas em países democráticos, mas estes não chegaram ao poder. Em geral, os comunistas atraíam pessoas bem educadas, inteligentes, gente que tinha qualificação profissional e que não era pobre.

Que elementos da ideologia comunista a tornavam atrativa para estas pessoas?
A ideologia comunista oferecia certezas, como as religiões. Marx dizia que tudo fazia parte de um processo histórico, que poderia demorar o tempo que fosse, mas que o triunfo do comunismo era inevitável. Isto trazia conforto aos comunistas que viviam em países democráticos e eram atraídos pela esperança de uma sociedade mais justa, um sistema que evitaria as desigualdades do capitalismo.

O senhor afirma que o comunismo continha as sementes de sua própria destruição. Quais são estas sementes?
Um dos sucessos dos regimes comunistas foi a alfabetização em massa da população e o desenvolvimento de um bom sistema de ensino superior. O problema é que quanto mais educação as pessoas recebiam, mais elas ficavam insatisfeitas com as restrições impostas pelo comunismo. Os universitários da União Soviética queriam escolher seus próprios livros, filmes e destinos de viagem. Na época da Revolução Russa de 1917, quando 80% da população era analfabeta, poucos se preocupavam com isso. Neste sentido, o comunismo continha as sementes de sua própria destruição. Quanto mais as pessoas eram educadas, menos elas gostavam de ser tratadas como crianças.

A queda do muro de Berlim completa duas décadas este ano. O que devemos festejar?
Nem mesmo a crise global será capaz de trazer de volta o comunismo, pelo simples fato de que ele não merece voltar. Sua derrota deve ser comemorada. Estes países eram economicamente ineficientes e politicamente autoritários. Mesmo que alguns cidadãos ainda sintam falta da segurança social daquele período, a maior parte da população tem melhores condições de vida hoje. Em contrapartida, acho que poderíamos ter avançado mais. O fim da Guerra Fria trouxe uma oportunidade única para um mundo mais pacífico. Alguns países do Leste Europeu ainda não conseguiram consolidar suas democracias. Outras ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central são mais autoritárias hoje do que eram nos tempos comunistas. A contínua expansão da OTAN foi um erro. A Europa deveria ter criado um novo acordo militar que substituísse os pactos da Guerra Fria. Muitos russos encaram a existência da OTAN e sua expansão nos ex-satélites soviéticos como uma ameaça. Esta política só favorece a ala menos democrática da elite russa. Não há nenhuma razão para nos arrependermos do fim do comunismo, apenas penso que poderíamos ter aproveitado melhor a era pós-comunista.

Fonte: Veja

domingo, 8 de novembro de 2009

O vampiro argentino


por Percival Puggina

É de espantar que ainda hoje Che Guevara seja idolatrado como se houvesse sido um benfeitor da humanidade. Os jovens que o cultuam são incapazes de apontar com o nariz para que lado fica a Bolívia e não conseguiriam escrever meia página sobre os acontecimentos de 1959. Mas adoram o Che. Foram iludidos por professores que ensinam História como se estivessem tentando passar adiante uma nota de três dólares, os falsários.

Quando caiu Fulgêncio Batista, houve um regozijo mundial. O fato foi festejado na Otan e no Pacto de Varsóvia, em Washington e em Moscou. E até em Santana do Livramento, lá em casa, onde ninguém era comunista. O mundo ganhara bem-sucedido exemplo do clássico direito de resistência à tirania, ensinado por Aristóteles, Tomás de Aquino e Francisco de Vitória. No entanto, meses depois, o apoio do Ocidente aos revolucionários provinha apenas de grupos esquerdistas e de certos intelectuais engajados.

Os principais comandantes da revolução vitoriosa eram os irmãos Fidel e Raúl Castro, Huber Matos, Camilo Cienfuegos e Che Guevara. Reconhecidos como comunistas, apenas Che e Raúl. Fidel negava-o jurando em cruz, pela vida da mãe. Huber Matos e Camilo eram democratas que pegaram em armas na forma do direito clássico (resistência à tirania, na justa medida, em nome de um bem superior etc.). Quando Huber Matos percebeu que havia, conforme suas próprias palavras, uma “segunda agenda”, secreta, comunista, enviou carta ao amigo Fidel apontando os desvios. E foi parar diante de um tribunal revolucionário. Em dezembro de 1959 condenaram-no a 20 anos de prisão, que cumpriu integralmente. Camilo Cienfuegos, outro liberal da equipe, ao retornar desse julgamento para Havana, evaporou-se no ar.

Resumindo: dos cinco comandantes, dois eram democratas (Huber e Camilo), dois tinham um projeto de poder (Fidel e Raúl) e o outro só curtia guerrilha mesmo (Che). Os Castro implantaram o comunismo em Cuba, leitor, porque nada concentra mais o poder almejado por ambos quanto um totalitarismo desse tipo. Não por acaso, aliás, Cuba e Coreia do Norte se tornaram monarquias com sucessão por consaguinidade. Comunismo com absolutismo monárquico. É o orgasmo do poder! Pergunte ao seu professor, meu jovem. Não. Pensando melhor, pergunte nada, não. Apenas responda: quantos cubanos teriam apoiado a revolução se soubessem que iriam acabar como cidadãos de segunda classe, destituídos até do direito de resistência à tirania que os oprime? E lá estão eles, presos numa ilha de onde só se sai passando pela segurança do Estado no aeroporto, ou jogando-se ao mar, ou para a vida eterna. O que muitas vezes dá no mesmo.

E o Che? Che queria outra coisa. Queria o sangue de proprietários, burgueses, capitalistas, como ele mesmo confessou à mulher em carta de 28 de janeiro de 1957: “Querida vieja: aquí en la manígua cubana, vivo y sediento de sangre, escribo estas ardientes líneas inspiradas en Martí”. E apesar de ter bebido hectolitros de puro plasma cubano, africano e boliviano, morreu com sede, o vampiro argentino.

Não o socorrem as lições dos clássicos sobre resistência à tirania. Elas só se aplicam em favor de causas nobres e a situações extremas, sob severíssimas imposições de ordem moral. Jamais – jamais! – podem servir para justificar a obra sanguinária de quem lutou para impor um totalitarismo infinitamente pior do que aquilo contra o que dizia lutar. E depois, insaciável, saiu pelo mundo a fazer a mesma coisa.

Fonte: Zero Hora

Shimon Peres: "O Brasil é o primeiro país que desconhece a discriminação racial"

O presidente de Israel, que chegará ao Brasil na terça-feira (10), fala a ÉPOCA sobre o que pretende conhecer por aqui e comenta a relação brasileira com o Irã: "Acredito que Lula seja um homem com valores, que condenaria uma tentativa de destruir outro país"

Quais são as razões da sua visita ao Brasil? E o que o senhor espera dela?
Shimon Peres - "Espero (aprender) e ver se conseguimos melhorar e enriquecer as relações entre Israel e o Brasil. Sobre aprender, quando penso no Brasil, penso nas seguintes coisas que me impressionam: talvez o Brasil seja o primeiro país do mundo que decidiu enfatizar as questões sociais, acima de considerações econômicas. O Brasil acredita que a economia deve ajudar a sociedade, não o contrário. Não haveria nada sensacional nisso, se não houvesse sido conquistado. As grandes conquistas do Brasil foram, antes de tudo, sociais, e não econômicas. O segundo fator é a tremenda tolerância do povo brasileiro. O Brasil é o primeiro país que desconhece a discriminação racial. Gente das mais diversas origens vive unida. Não é uma proposta simples, porque Lula enfrenta vários problemas, como a corrupção, falta de disciplina. Então, quero ver as mudanças que houve no país, os programas contra a pobreza e também as políticas de incentivo ao etanol. Acho que temos muito a aprender com o Brasil. O Brasil decolou de forma impressionante no domínio da ciência e tecnologia. Mas também vou ao Brasil para ver as inacreditáveis belezas do Rio de Janeiro.

O senhor também vai ao Maracanã?
Peres – Sim. Mas o Brasil não é só entretenimento. O Brasil é uma "new declaration" sobre política, economia e questões sociais. Bom, acho que um homem jovem como eu (risos), que pretende frequentar a escola, pensa em aprender algo (do Brasil). Quero ver como são as coisas em sua realidade. Acho que podemos aprofundar nossa boa relação com o Brasil. Além disso, há a comunidade judaica no Brasil, com a qual pretendo me encontrar.

E o que Israel pode ensinar ao Brasil?
Peres – Como ser pequeno (risos). Mas acho que não sei (o que ensinar). Falei brincando. O Brasil não tem um território pequeno, sem água, sem petróleo. Talvez possamos dizer como nós avançamos. Não vivemos do nosso tamanho, mas do nosso cérebro. Pode interessar ao Brasil saber como desenvolvemos a agricultura sem terra e água. Somos o primeiro país do mundo que tem uma agricultura baseada na alta tecnologia.

Quais são as expectativas de Israel em relação ao papel diplomático do Brasil no Oriente Médio?
Peres – Vocês sabem bem que a diplomacia, assim como a economia, está ficando cada vez mais global. Nenhum país pode mais viver isolado. Mas ainda não se pensa na paz como uma questão global. Para fazer a paz no Oriente Médio é preciso reduzir as ameaças num plano global e aumentar o apoio a soluções pacíficas. Gostaria muito de ver o Brasil participando.

Logo após sua visita, o Brasil vai receber o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, um homem que nega o Holocausto e diz querer destruir Israel. Como o senhor vê essa proximidade entre Ahmadinejad e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva?
Peres – Vou visitar o Brasil, e não debater com Ahmadinejad. Acredito que Lula seja um homem com valores, que (condenaria).uma tentativa de destruir um outro país de introduzir o terror, como houve este caso agora do navio abordado pela Marinha israelense cheio de armas, vindas do Irã para abastecer terroristas. Mas eu, particularmente, não vou abordar esse assunto no Brasil.

O senhor não vai tocar nesse assunto e transmitir sua mensagem a Lula sobre essa questão?
Peres – Eu certamente farei isso em conversa privada, mas não acho que seja apropriado ir a um país e falar de outro. Bom posso fazer isso privadamente, mas não em público.

O Brasil alega que receber Ahmadinejad pode ser uma forma de facilitar as negociações sobre o programa nuclear iraniano. O senhor considera um argumento válido?
Peres – Acho que devo ouvir atentamente qualquer um que se oferece a ajudar, por que não? Os iranianos não são nossos inimigos. Os árabes não são nossos inimigos tampouco. Os muçulmanos não são nossos inimigos. Nossos inimigos são a guerra, a ameaça, o terror, a destruição. Eu não vou brigar com o povo iraniano no Brasil. Sobre o presidente iraniano, todo mundo sabe há anos qual a sua posição. Acredito que não se pode esperar muita civilidade de alguém que prega a destruição de Israel, que nega o Holocausto e que ele fornece armas para o terror. Mas não gostaria que nossa atitude em relação ao governo do Brasil criasse a impressão de que estamos brigando com o o povo iraniano.

Como o sr. avalia a relação de Israel com a América Latina (a Venezuela e a Bolívia não mantêm relações diplomáticas com os israelenses)?
Peres – Tem seus altos e baixos. A América Latina desempenhou um papel muito construtvo na construção de Israel, como o presidente da Assembléia-Geral que decidiu sobre Israel (o brasileiro Osvaldo Aranha, em 1947). A relação em geral foi muito calorosa. Mas esses altos e baixos na América Latina propriamente dita. A América Latina libertou-se de ditaduras militares. Em termos gerais, a maioria dos países dessa região empenhou-se em se tornar democracias econômicas. Agora esperam ser democracias políticas também. Há algumas exceções. Chávez, por exemplo: muito petróleo e autocontrole insuficiente. Eu gosto de algumas comentários dele, como que não se deve cantar no chuveiro (risos). Ele disse que a jacuzzi vai contra o comunismo. O que ele quer dizer, claro, é que não devemos gastar água. Não tenho nada contra isso.

Mas que tipo de controle deveria ser aplicado a Chávez?
Peres – Olhe, um homem que decide que é o líder supremo para o resto da vida. Que sai por aí fazendo alianças, por exemplo, com o Irã. Que condena Israel. Por quê? Para quê? O que fez Israel à Venezuela? Tínhamos uma tradição de excelentes relações com a Venezuela. O povo venezuelano é um grande povo. Eu me pergunto como se pode injetar extremismo nas veias do povo venezuelano, mas esse é o efeito. Ele é um líder muito particular, que governa o país pela televisão. O que é interessante, devo dizer.

Mas há um crescente discurso antissemita na América Latina. Recentemente, um radialista de Honduras perguntou, ao vivo, se Adolf Hitler não estava certo por querer "acabar com essa raça" (de judeus)? Isso não o preocupa?
Peres – Fico surpreso de sermos alvo (de hostilidade) até em Honduras. Pergunte a um israelense se sabe quem é o presidente de Honduras. Fiquei surpreso de ouvir isso. Não é problema nosso. Mas como um homem honrado, devo dizer que o ódio não tem futuro (no mundo).

Entre a sua visita e a de Ahmadinejad, Lula vai receber também o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas. Como o senhor vê essa relação do Brasil com os palestinos?
Peres – Os árabes não são nossos inimigos. E se o Brasil tem boas relações com eles, também queremos ter. Se Abbas for amigo do Brasil e o Brasil for amigo de Abbas, por que não?

Mas Lula já foi à Síria, ao Líbano e a outros países do Oriente Médio, mas não veio a Israel...
Peres – Espero que ele encontre interesse e tempo. É como eu digo: se a montanha não vem a Maomé... Ele tem sua agenda e suas prioridades, não tenho que lhe dar lições. Nós o consideramos um amigo. Nós nos conhecemos há muito tempo. Começamos na mesma trilha socialista, então posso dizer que lembro dele "desde a "infância". Ele tem seu próprio jeito de priorizar as coisas. Claramente eu devo convidá-lo.

Qual é o nível de preocupação de Israel com a crescente penetração do Irã e do Hizbollah na América Latina?
Peres – Não houve interferência iraniana na América Latina. Veja a Argentina. Eles explodiram uma bomba no Centro Judaico e mataram centenas de pessoas. E você acha que a Argentina queria isso? Quem quer uma interferência com bombas? Quem quer uma intervenção do terrorismo? Uma intervenção de ódio? A maioria dos povos latino-americanos é pacifista. E a lei deles é como a nossa, a lei da amizade, da paz, do respeito humano. Não acredito que isso vá mudar. O Irã está afastado dessa mensagem. Essa intervenção do Irã não vai durar mais que a própria permanência do presidente atual. Qual é a mensagem deles? Querem dominar o resto do mundo? Isso é mensagem? O chamado "sistema presidencialista iraniano" não vai durar para sempre, pois eles não têm nada a oferecer ao resto da humanidade, nem sequer para seu próprio povo. Mas eles têm essa tremenda ambição de dominar, de bancar os super-homens. Não aceitamos isso e não acreditamos que a América do Sul aceitará isso.

Se o regime de Ahmadinejad permanecer por mais tempo e as negociações com Teerã fracassarem, está na mesa a hipótese de Israel atacar o Irã?
Peres – Israel não tem intenção de monopolizar o problema do Irã. Esse é um problema para o mundo. Temos que seguir a liderança do mundo. Em segundo lugar, não gostaria de falar várias línguas ao mesmo tempo. Não colocaria a opção militar acima de tudo. Tudo que puder ser feito pacífica, política, econômica e psicologicamente deve ser feito. Não somos os líderes do mundo. Já conversei com muitos líderes mundiais - Medvedev, Putin, não só Obama, Sarkozy ou Brown - e todos me disseram estar empenhados em evitar uma bomba nuclear iraniana.

Fonte: Época

TV brasileira : novo púlpito da igreja eletrônica : o verbo se faz imagem televisiva


Dissertação de Mestrado em Comunicação Social defendida na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul

A Igreja Eletrônica é uma realidade concreta que surge no contexto pós-moderno, na contemplação das imagens, dentro de um mundo globalizado, técnico e espetacular. Ela é aqui analisada como fenômeno imagético e de comunicação. A TV Brasileira se torna palco e púlpito de novos atores religiosos, especialmente os pastores neopentecostais, que acreditam na força desse instrumento eficaz, na conquista de um novo rebanho virtual. O país já produz seus profetas midiáticos, não necessitando mais migrar do norte da América. As igrejas desfilam na passarela televisiva. A Igreja Internacional da Graça, por meio de seu fundador R.R.Soares, mostra sua força e sua capacidade de manter-se no ar, por meio de um programa diário na Rede Bandeirantes de Televisão. A análise de sua estratégia, por meio de alguns programas, na perspectiva de autores contemporâneos, aponta para importantes conclusões a respeito da pedagogia e metodologia carismática neopentecostal. A força midiática o torna cada vez mais forte. Procuramos responder a essa questão: em que medida a utilização da mídia televisiva é importante como novo púlpito da fé e captação de adeptos para a Igreja Internacional da Graça.

Clique aqui para o texto completo [pdf / 135 p.]
Imagem: Internet