sexta-feira, 24 de maio de 2013

Revista Guia Prático de Teologia n. 3


Nas bancas

O Guia Prático de Teologia é voltado para o leitor que quer se aprofundar no conhecimento do cristianismo em todos os aspectos: teológico, moral, histórico, cultural e filosófico. Questões da atualidade refletidas de uma perspectiva cristã. 

Nesta edição, a publicação traz uma profunda reflexão sobre o relativismo e suas conseqüências: Relativismo: Gênese e Implicações (Joel Gracioso). Se a verdade é relativa, logo não há verdade, mas verdades. Como isso afeta o pensamento e a vida do homem moderno?

Leia também: Princípios da Fé e da Moral na Doutrina Social da Igreja; A Crise do Episcopado Católico no Brasil; Caridade: O Fundamento da Doutrina Social da Igreja no Magistério de Bento XVI; As Provas da Existência de Deus em São Boaventura (Sávio Laet de Barros Campos); Defesa da Vida: Aspectos Éticos e Jurídicos (Carlos Aurélio Mota de Souza) etc.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

De Dante a Dan Brown: Dez curiosidades sobre o inferno


Dan Brown, o autor de O Código Da Vinci, lançou recentemente seu novo romance, Inferno, cujo nome e tema são emprestados da obra A Divina Comédia, escrita no século 14 por Dante Alighieri (1265-1321).

BBC Brasil

O novo livro traz uma nova aventura do simbologista de Harvard, Robert Langdon, que também aparece em O Código Da Vinci e outros livros do autor.

Segundo detalhes revelados pela editora, a história começa com o professor Langdon acordando em um hospital na Itália sem lembrar como foi parar ali. Seguido por um assassino, ele dá a início a uma jornada por diversas cidades italianas, começando por Florença, para tentar decifrar códigos que fazem referência a passagens da clássica obra de Dante.

Em A Divina Comédia, o poeta italiano apresenta na forma de poema uma descrição detalhada do Inferno, do Purgatório e do Paraíso. No Inferno, Dante, guiado pelo poeta Virgílio, percorre locais onde os pecadores enfrentam punições pelo que fizeram em vida.

A pedido da BBC, o escritor e historiador Stephen Tomkin listou dez curiosidades sobre o inferno, de acordo com o descrito por Dante e outros artistas.

1 – O inferno tem formato de cone

De acordo com a descrição de Dante, o inferno consiste em nove círculos concêntricos que se afunilam conforme ficam mais profundos, até chegarem ao centro da Terra. Para qual deles você é enviado depende do pecado cometido, com círculos destinados aos glutões, hereges e fraudadores. Sobre o ponto central superior, na superfície terrestre, está Jerusalém.

O rio Aqueronte corre por todo o inferno, separando-o do mundo exterior. Fora do inferno, mas também sofrendo punição, estão as pessoas que nunca fizeram nada de bom nem de mal. Elas são penalizadas pela neutralidade, vagando por toda a eternidade sendo picadas por vespas e tendo o sangue bebido por larvas.


Dante Alighieri, autor de 'A Divina Comédia'

2 – O inferno é diversificado

A imagem moderna do inferno, com chamas e labaredas de fogo como punições universais para todos, é bastante moderada quanto comparada às versões medievais. A concepção atual é provavelmente um legado do poeta inglês John Milton (1608-1674), cujo poema épico Paraíso Perdido retrata em detalhes um inferno da época de Adão e Eva, descrito como "uma grande fornalha" cujas chamas oferecem "nenhuma luz, mas sim escuridão visível".

Já o inferno medieval descrito por Dante na literatura e pelo holandês Hieronymus Bosch (1450-1516) na pintura não é um ambiente estático. As punições são variadas e se aplicam conforme os pecados cometidos. Para o poeta italiano, os semeadores da discórdia são cortados em pedaços, e os suicidas vivem como árvores pelo fim dos tempos. Aduladores nadam em mares de excrementos e traidores são condenados a terem suas cabeças comidas por aqueles que traíram. O pintor holandês mostra pessoas sendo excretadas por monstros e homens sendo forçados a se casarem com porcos.

3 – O inferno fica abaixo da terra

Na Idade Média havia o senso comum de que o inferno estava localizado no subterrâneo terrestre, e havia lendas de pessoas que chegaram a ver sua fumaça saindo através de buracos no chão. Dante estava de acordo e por isso sua concepção coloca Satã na parte mais profunda do inferno, o nono círculo. Na versão de Milton, no entanto, o inferno é distante da Terra, vista como um lugar puro e perfeito, que não comportaria o centro da maldade.

4 – O inferno pode congelar

Na verdade, o inferno é descrito como escaldante, sobretudo na versão de Milton, que descreve colinas, cavernas, praias e pântanos de fogo. Dante mostra um rio de sangue fervente repleto de pessoas culpadas por carnificinas, piras de fogo para os hereges e um deserto onde chove fagulhas de fogo sobre pessoas que cometeram blasfêmias e homossexuais.

Entretanto, para Dante, o demônio está imerso em gelo até a cintura e sempre enfrenta frio, mesmo no calor do inferno. Apesar de todo o fogo, Milton também diz que em algumas regiões do inferno há gelo, neve, granizo e ventania.

Inferno da obra de Milton tinha apenas demônios

5 – O inferno é outras pessoas (e elas são reais)

O inferno de Milton, nos tempos de Adão e Eva, ainda não tem nenhum habitante, apenas demônios. Mas Dante vê muitos papas no inferno, incluindo Anastácio 2º (que viveu no século 5º), por heresia, e Nicolau 3º (do século 13) pelo pecado de compra de cargos na hierarquia na igreja.

O teólogo Erasmo de Roterdã (1466-1536) escreveu um diálogo chamado Júlio Excluído, onde o papa Júlio 2º (1443-1513) tem sua entrada no paraíso rudemente recusada. Michelangelo (1475-1564), em seu afresco O Juízo Final, na Capela Sistina, mostra pessoas reais sendo puxadas para o inferno, entre elas um assessor papal, Biagio de Cesena, que se opôs à intenção do artista de incluir nudez em seus trabalhos e é mostrado tendo os genitais comidos por uma serpente. Dante também coloca no inferno uma série de pessoas que realmente existiram, entre elas alguns amigos, e os famosos traidores Cássio, Brutus e Judas.

6 – O inferno abriga criaturas fictícias

O inferno está cheio de criaturas dos mitos pagãos. Dante vê centauros, o minotauro e o cachorro de três cabeças, Cérbero. Michelangelo inclui Caronte, o barqueiro dos rios Estige e Aqueronte que leva as almas dos pecadores para o inferno. Milton vê a medusa e hidras nas profundezas.

7 – O inferno é um pandemônio

O pandemônio ("todos os demônios"), embora tenha recebido ao longo do tempo a definição de um caos barulhento, é uma palavra inventada por Milton para a capital do inferno, onde Satã e seus seguidores se reúnem em seu Parlamento infernal.

8 – O inferno tem portões

O portão do inferno de Dante tem a famosa inscrição "abandone toda esperança aquele que por aqui entrar". Menos famosas são as outras oito linhas do texto, que incluem a alegação de que o interior foi criado pela "mais alta sabedoria e amor primordial". Para Milton, há nove portões: três de bronze, três de ferro e três de rocha, guardados pelo pecado, pela morte e pelos cães do inferno.

9 – O inferno não tem tanto interesse por sexo

Muitos associam o Cristianismo a pecados sexuais, mas o sexo não é citado como uma das causas proeminentes para o castigo no inferno.

Na Divina Comédia, o professor de Dante Brunetto Latini é punido no sétimo círculo por sexo "não natural", mas o pecado de luxúria é punido no segundo círculo (o primeiro sendo o limbo, lugar que costuma abrigar bebês não batizados e aqueles que não cometeram pecados, mas não são cristãos). Dessa forma, Dante coloca a luxúria como um pecado menos grave do que outros, punidos em círculos mais profundos.

10 – O inferno não é tão bíblico

Muito poucas dessas ideias provêm da Bíblia. O Livro Sagrado não faz referência ao inferno e às chamas – muitos dos detalhes de Dante foram inspirados pelos mitos gregos e romanos, e a vasta maioria das concepções mais recentes são fruto do imaginário medieval ocidental.

Artistas cristãos orientais nunca tiveram o mesmo nível de interesse pelo assunto, e mesmo no Ocidente isso foi algo tardio – a doutrina do tormento perpétuo foi introduzida em 1215, no Quarto Concílio de Latrão, apenas um século antes de Dante.

Nos tempos recentes, os cristãos se tornaram cada vez mais céticos quanto ao inferno. Há 622 versos na Bíblia que mencionam o paraíso, e apenas 15 que mencionam o inferno.

Biblioteca digital do Cardeal John Henry Newman



Lançado projeto de três anos para digitalizar os milhares de documentos produzidos por um dos mais importantes e prolíficos pensadores cristãos dos últimos 200 anos.

O enorme arquivo manuscrito de John Henry Newman (1801-1890 - sacerdote anglicano inglês convertido ao catolicismo, posteriormente nomeado cardeal pelo papa Leão XIII em 1879 e beatificado em 2010 pelo Papa Bento XVI) será digitalizado por uma equipe de especialistas que utilizarão equipamentos de ponta na Biblioteca da Universidade  Manchester, na Inglaterra. 

Os documentos do sacerdote acadêmico, em torno de 200 mil, entre cartas, livros e artigos, serão disponibilizados futuramente na biblioteca digital em sua homenagem.

Para acompanhar o andamento do projeto, visite: www.newmanarchive.wordpress.com

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Wagner: o gênio musical e o antissemitismo


O célebre compositor alemão, cujo bicentenário é lembrado em 2013, foi um fervoroso antissemita. Ao mesmo tempo, admirava judeus como o poeta Heinrich Heine e teve mecenas e admiradores de origem judaica.

Deutsche Welle

Zurique, ano de 1850. "O judeu", escreveu Richard Wagner, seria por si próprio "incapaz de se expressar artisticamente". Tal expressão, de acordo com um dos compositores mais famosos da história alemã, não funcionaria "nem pela aparência [do judeu], nem pela sua linguagem, e muito menos através de seu repertório musical".

O judeu, segundo Wagner, que completaria 200 anos nesta quarta-feira (22/05), só seria mesmo capaz de copiar arte. Em seu panfleto O judaísmo na música, ele não escondeu o seu desprezo. Quando Wagner publicou essas linhas sob pseudônimo numa revista de música, ele ainda não era conhecido fora do público especializado e vivia modestamente na Suíça.

Somente mais tarde Wagner viria a se tornar o admirado revolucionário da música, de cuja pena surgiram óperas inebriantes como O Anel dos Nibelungos. Até hoje, ele é reverenciado em todo o mundo por sua brilhante obra. No bicentenário, a Alemanha o celebra como artista.

Mas existe também esse lado feio de Wagner: ele menosprezava os judeus. Suas convicções antissemitas se tornaram cada vez mais agressivas ao longo de sua vida. Particularmente no Ano Richard Wagner 2013, a discussão em torno do legado intelectual do compositor é importante para a compreensão de um capítulo sombrio da história cultural alemã.

Antissemitismo: dos porões de cerveja aos salões da burguesia

 Richard e Cosima Wagner: fervorosos antissemitas

Após a morte de Wagner, em 1883, o legado fatídico do antissemitismo sobreviveu. Sua esposa, Cosima, e alguns descendentes tornaram o famoso Festival de Bayreuth (centro-sul da Alemanha), que Wagner havia fundado enquanto vivo, num local de exclusão de artistas judeus e num caldeirão de ideias racistas.

Mais tarde, os nazistas instrumentalizaram o compositor. Adolf Hitler adorava a música de Wagner, que ele também respeitava como um dos pioneiros do antissemitismo na Alemanha. Para os adversários racistas e nacionalistas do modernismo na Alemanha, Wagner sempre foi uma referência importante.

O nome de um dos compositores mais famosos de seu tempo tinha peso. Wagner contribuiu para tirar o antissemitismo do isolamento dos porões de cerveja e pequenas publicações antissemitas, diz o especialista em teatro e literatura Jens Malte Fischer. "Foi algo funesto e avassalador e que deve ser atribuído a ele." Fischer pesquisa há vários anos sobre o compositor, tendo publicado recentemente um novo livro sobre o músico.

Wagner não inventou o ódio ao judeus, afirma o cientista. Mas, num ponto, ele foi pioneiro: "Ele transportou o antissemitismo da época para o campo da cultura e, sobretudo, para o campo da música." Dessa forma, Wagner tornou o antissemitismo algo aceitável nos salões da burguesia alemã.

Que base tem o antissemitismo de Wagner?

O historiador Hannes Heer é o curador da exposição Vozes silenciadas. O Festival de Bayreuth e os 'judeus' de 1876 a 1945, que pode ser vista em Bayreuth até o final de 2013. "No primeiro terço do século 19, viu-se a substituição do antijudaísmo cristão por um antissemitismo moderno", avalia Heer.

Desde essa época, o ódio aos judeus não é mais justificado por motivos religiosos, mas por razões políticas e racistas. Escritores nazistas declararam os judeus como o suposto inimigo de uma "nação alemã", surgiram organizações antijudaicas, houve motins antissemitas. Essa corrente política e intelectual foi marcante para Wagner.

Hermann Levi, perseguido por Richard Wagner

Típico para os autores da época era a ligação da crítica da modernidade ao antissemitismo: os judeus seriam os protagonistas de uma nova era capitalista industrial, que os escritores rejeitavam. Mas vivências pessoais também se refletiram nas atitudes antissemitas de Wagner: no ano de 1840, ele foi para Paris, onde o jovem e ambicioso compositor não teve sucesso.

O pesquisador de teatro e literatura Jens Malte Fischer explica que "ele teve a impressão de que o mundo da música, no qual ele não teve êxito, estava em mãos judaicas. O que naturalmente não era verdade." Wagner canalizou sua frustração nos críticos, jornalistas de música e editores de origem judaica, que ele via como responsáveis pelo seu fracasso.
Amor, ódio e perseguição

Em Paris, Wagner encontrou-se com o poeta Heinrich Heine, que ele admirava inicialmente. Heine tinha origem judaica, mas se converteu ao protestantismo. Da mesma forma, o dirigente de óperas Giacomo Meyerbeer, também alemão de origem judaica, apoiou a carreira de Wagner. "Em cartas, Wagner mostrou-se altamente agradecido por isso", constata Fischer.

De volta à Alemanha, Wagner travou, mais tarde, contatos com alemães abastados de origem judaica, como o matemático e mecenas Alfred Pringsheim. Ele manteve até mesmo uma troca de cartas com Pringsheim.

O pesquisador de antissemitismo Matthias Küntzel explica que "Wagner tinha uma relação ambivalente com os judeus". Por um lado, ele os rejeitava. Por outro, consentia que também fãs de origem judaica viessem a Bayreuth para admirá-lo. Aparentemente, um passo pragmático – afinal de contas, eles contribuíam para encher os cofres do compositor –o que não mudou, porém, a convicção antissemita de Wagner.

Teatro de Richard Wagner, em Bayreuth, 1876

Também a relação com colegas judeus foi mais do que problemática, lembra Heer. Eles somente foram tolerados por ele, como por exemplo o diretor de Parsifal, Hermann Levi: "Infelizmente, Levi é o exemplo mais famoso de como Wagner atormentou os judeus em seu entorno", diz Heer. O compositor queria forçar Levi a se batizar e o aconselhou a fazê-lo por várias vezes.

Mas o dirigente não foi, de maneira alguma, o único músico que Wagner colocou sob pressão psicológica. Após a morte do compositor, sob a égide de sua esposa e herdeira, Cosima Wagner, a perseguição se tornou sistemática: os papéis eram ocupados quase que exclusivamente por músicos não judeus.

Já durante a vida, a casa de Wagner se tornou um caldeirão de pessoas que nutriam preconceitos antissemitas. Fischer destaca que "tinha de ser muito cego ou surdo quem não soubesse, nas décadas de 1870 e 1880, que Wagner era um fervoroso antissemita".

É possível admirar Wagner?

Certamente, os fãs de Wagner não eram nem cegos nem surdos. Eles admiravam Wagner por suas grandiosas montagens teatrais. Resta a questão principal em torno da figura de Wagner: é possível escutar Wagner sem levar em conta o antissemitismo? O ódio ao judeus repercute também em seu trabalho de palco?

A maioria dos pesquisadores de Wagner afirma que não. Entre aqueles que pensam diferente está Fischer. Ele diz que, apesar de Wagner não ter escrito nenhuma ópera antissemita, sua atitude antijudaica se reflete no caráter de alguns personagens: "Existem em algumas de suas figuras referências subliminares que apontam para estereótipos judeus, principalmente no anão Mime de O Anel dos Nibelungos e no crítico pedante Beckmesser de Os Mestres Cantores de Nuremberg."

Ambas as figuras incorporam nas peças teatrais os oponentes das personagens heroicas. Os contemporâneos de Wagner teria compreendido o "código antissemita" embutido nesses papéis, explica Fischer.

Hoje em dia, as peças de Wagner não são mais vistas como antissemitas. "Quando se encena Wagner, atualmente, não se trata de obras com conotação antissemita, mas de obras de um grande compositor e teatrólogo", sublinha Heer. Gênio musical e inimigo dos judeus – Richard Wagner continua a ser uma das mais controversas grandezas do pensamento alemão.

terça-feira, 21 de maio de 2013

O PT não gosta da democracia


Partido tem plena consciência que sua permanência no poder exigirá explicitar cada vez mais sua veia anti-democrática

Marco Antonio Villa | O Globo

O PT não gosta da democracia. E não é de hoje. Desde sua fundação foi predominante no partido a concepção de que a democracia não passava de mero instrumento para a tomada do poder. Deve ser recordado que o partido votou contra a aprovação da Constituição de 1988 – e alguns dos seus parlamentares não queriam sequer assinar a Carta. Depois, com a conquista das primeiras prefeituras, a democracia passou a significar a possibilidade de ter acesso aos orçamentos municipais. E o PT usou e abusou do dinheiro público, organizando eficazes esquemas de corrupção. O caso mais conhecido – e sombrio – foi o de Santo André, no ABC paulista. Lá montaram um esquema de caixa 2 que serviu, inclusive, para ajudar a financiar a campanha presidencial de Lula em 2002. Deve ser recordado, que auxiliares do prefeito Celso Daniel, assassinado em condições não esclarecidas, hoje ocupam posições importantíssimas no governo (como Gilberto Carvalho e Míriam Belchior).

Antes da vitória eleitoral de 2002, os petistas já gozavam das benesses do capitalismo, controlando fundos de pensão de empresas e bancos estatais; e tendo participação no conselho gestor do milionário Fundo de Amparo ao Trabalhador. Os cifrões foram cada vez mais sendo determinantes para o PT. Mesmo assim, consideravam que a “corrupção companheira” tinha o papel de enfrentar o “poder burguês” e era o único meio de vencê-lo. Em outras palavras, continuavam a menosprezar a democracia e suas instâncias.

Chegaram ao poder em janeiro de 2003. Buscaram uma aliança com o que, no passado, era chamado de burguesia nacional. Mas não tinham mudado em nada sua forma de ação. Basta recordar que ocuparam mais de 20 mil cargos de confiança para o partido. E da noite para o dia teve um enorme crescimento da arrecadação partidária com o desconto obrigatório dos salários dos assessores. Foi a forma petista, muito peculiar, de financiamento público, mas só para o PT, claro.

Não satisfeitos, a liderança partidária – com a ativa participação do presidente Lula – organizou o esquema do mensalão, de compra de uma maioria parlamentar na Câmara dos Deputados. Afinal, para um partido que nunca gostou da democracia era desnecessário buscar o debate. Sendo coerente, através do mensalão foi governando tranquilamente e aprovando tudo o que era do seu interesse.

O exercício do governo permitiu ao PT ter contato com os velhos oligarcas, que também, tão qual os petistas, nunca tiveram qualquer afinidade com a democracia. São aqueles políticos que se locupletaram no exercício de funções públicas e que sempre se colocaram frontalmente contrários ao pleno funcionamento do Estado democrático de Direito. A maior parte deles, inclusive, foram fieis aliados do regime militar. Houve então a fusão diabólica do marxismo cheirando a naftalina com o reacionarismo oligárquico. Rapidamente viram que eram almas gêmeas. E deste enlace nasceu o atual bloco anti-democrático e que pretende se perpetuar para todo o sempre.

As manifestações de desprezo à democracia, só neste ano, foram muito preocupantes. E não foram acidentais. Muito pelo contrário. Seguiram e seguem um plano desenhado pela liderança petista – e ainda com as digitais do sentenciado José Dirceu. Quando Gilberto Carvalho disse, às vésperas do Natal do ano passado, que em 2013 o bicho ia pegar, não era simplesmente uma frase vulgar. Não. O ex-seminarista publicizava a ordem de que qualquer opositor deveria ser destruído. Não importava se fosse um simples cidadão ou algum poder do Estado. Os stalinistas não fazem distinção. Para eles, quem seu opõem às suas determinações, não é adversário, mas inimigo e com esse não se convive, se elimina.

As humilhações sofridas por Yoani Sánchez foram somente o começo. Logo iniciaram a desmoralização do Supremo Tribunal Federal. Atacaram violentamente Joaquim Barbosa e depois centraram fogo no ministro Luiz Fux. Não se conformaram com as condenações. Afinal, o PT está acostumado com os tribunais stalinistas ou com seus homólogos cubanos. E mais, a condenação de Dirceu como quadrilheiro – era o chefe, de acordo com o STF – e corrupto foi considerado uma provocação para o projeto de poder petista. Onde já se viu um tribunal condenar com base em provas, transmitindo ao vivo às sessões e com amplo direito de defesa? Na União Soviética não era assim. Em Cuba não é assim. E farão de tudo – e de tudo para o PT tem um significado o mais amplo possível – para impedir que as condenações sejam cumpridas.

Assim, não foi um ato impensado, de um obscuro deputado, a apresentação de um projeto com o objetivo de emparedar o STF. Absolutamente não. A inspiração foi o artigo 96 da Constituição de 1937, imposta pela ditadura do Estado Novo, honrando a tradição anti-democrática do PT. E o mais grave foi que a Comissão de Constituição e Justiça que aprovou a proposta tem a participação de dois condenados no mensalão e de um procurado pela Interpol, com ordem de prisão em mais de cem países.

A tentativa de criar dificuldades ao surgimento de novos partidos (com reflexos no tempo de rádio e televisão para a próxima eleição) faz parte da mesma estratégia. É a versão macunaímica do bolivarianismo presente na Venezuela, Equador e Bolívia. E os próximos passos deverão ser o controle popular do Judiciário e o controle (os petistas adoram controlar) social da mídia, ambos impostos na Argentina.

O PT tem plena consciência que sua permanência no poder exigirá explicitar cada vez mais sua veia anti-democrática.

Marco Antonio Villa é historiador e professor da Universidade Federal de São Carlos (SP)

segunda-feira, 20 de maio de 2013

6ª Marcha Nacional da Cidadania Pela Vida


Entrevista à presidente Nacional, Drª Lenise Garcia

Thácio Lincon Soares de Siqueira | Zenit

Uma grande Marcha Nacional da Cidadania pela Vida vai acontecer na Capital do Brasil no próximo dia 4 de Junho, com o tema “Quero Viver! Você me ajuda?”.

 A 6ª Marcha Nacional da Cidadania Pela Vida é organizada pelo Movimento Nacional da Cidadania pela Vida – Brasil Sem Aborto –  movimento “supra-partidário e supra-religioso”, disse em entrevista à ZENIT a Dra. Lenise Garcia, presidente do Movimento. O objetivo dessa atividade é chamar a atenção para posições contrárias em andamento no Congresso Nacional, como por exemplo, o Projeto de Lei nº 236/2012 que propõe a legalização do aborto até a 12ª Semana de Gestação e o Projeto de Lei nº 478/2007 (Estatuto do Nascituro) que defende os direitos da criança por nascer, à semelhança do que determinam o Estatuto da Criança e do Adolescente, o Estatuto do Idoso e o projeto do Estatuto da Juventude. 

A concentração se fará no dia 4 de junho às 15h no gramado, atrás da Torre de TV, na cidade de Brasília. Outras informações no site: www.brasilsemaborto.com.br

Zenit -  Por que uma sexta Marcha pela Vida? Quais são os temas a serem exigidos nesse ano?

Lenise Garcia: As marchas têm um motivo de fundo, que é a promoção e defesa da vida desde a concepção, tendo em conta as pressões que ocorrem em todo o mundo, e também no Brasil, para que se desrespeite a vida em seu início. Por isso pretendemos manter uma manifestação anual, no início de junho. Naturalmente, a cada vez há temas que estão mais candentes. Neste ano, destacamos a reforma do Código Penal, que tramita no Senado com uma proposta que abre amplas possibilidades para o aborto. Além disso, queremos a aprovação do Estatuto do Nascituro, que tramita na Câmara. Há outros projetos de nosso interesse, mas que não se encontram de momento no foco dos parlamentares. 

 Zenit -  Essas marchas ajudam realmente na mudança da cultura da morte para uma cultura da vida?

Lenise Garcia: Diz a experiência que sim. Por exemplo, nos Estados Unidos já são 40 anos de manifestações populares, cada vez maiores, e a percepção da população em relação ao aborto tem mudado bastante. Apesar de o aborto ser permitido lá em praticamente qualquer caso, alguns Estados estão fazendo leis mais restritivas, e atualmente a maior parte da população é pró-vida. Os primeiros a se conscientizarem mais para a importância do tema são os próprios participantes, e depois aqueles que presenciam ou recebem informações sobre a marcha.  

Zenit -  Sabemos que essas decisões tramitam mais no governo, no Senado, no Congresso... então, por que uma mobilização popular? 

Lenise Garcia: Os parlamentares, deputados e senadores, são nossos representantes, e naturalmente bastante sensíveis às manifestações do eleitor. Além disso, embora a legalização do aborto dependa do Congresso, a decisão de fazer um aborto é algo individual. Já tivemos depoimentos de várias mães ou pais que desistiram de um aborto ao ver o nosso material de divulgação da marcha e refletir melhor a respeito.  

Zenit - Com qual espírito as pessoas deveriam unir-se a esse projeto?

Lenise Garcia: Com vontade de exercer a sua cidadania, saindo da acomodação de quem pensa que já há "alguém" cuidando da preservação dos valores da cultura da vida. É importante que todos nos posicionemos. Também com espírito pacífico. Não buscamos o confronto com quem discorda de nós, mas mostrar a beleza da vida, que por si mesma conquista o apoio de quem compreende toda a sua dignidade.  

Zenit -  Qual é o principal grupo no Brasil de hoje, que luta no movimento Brasil sem Aborto, em prol da Vida?

Lenise Garcia: Há muitos grupos. O Movimento Brasil sem Aborto procura justamente articular todos os que queiram unir-se nesse ideal. Há um grande pluralismo, em uma perspectiva supra-partidária e supra-religiosa.  

Zenit -  O Estatuto do Nascituro, se aprovado, poderá realmente freiar a implantação do aborto no Brasil? Por quê? Ouvem-se certas críticas ao texto atual do Estatuto. Onde pode-se encontrar uma resposta?

Lenise Garcia: O PL 478/2007 (Estatuto do Nascituro) explicita uma série de direitos da criança ainda não nascida. Traz também propostas de soluções concretas para casos específicos. Vou dar um exemplo, com o caso da criança que seja fruto de um estupro. Claro que uma violação é um ato horrível, mas a mulher estuprada não é o estupro, e a criança eventualmente gerada também não pode ser identificada com o estupro, como se fosse tão horrível quanto este. Por questões jurídicas e de tramitação, o substitutivo do PL 478/2007 não toca no aspecto penal, e não modifica as regras atuais que isentam de punição os envolvidos em um aborto em caso de estupro. Alguns não se conformam com essa ausência, como se significasse uma concessão. Entretanto, ao destacar o valor intrínseco da vida, e ao trazer mecanismos de auxílio à mulher que passa por essa situação de uma gravidez decorrente de estupro, o Estatuto do Nascituro favorece que não se veja o aborto como a principal alternativa de solução para essa situação tão dramática, mesmo porque o aborto nunca é de fato solução. Melhor do que a punição dos culpados é conseguir que não haja culpa, porque o aborto não se realiza. O foco é mais preventivo do que punitivo. São aspectos que se complementam, mas não precisam estar necessariamente na mesma lei. Para quem quiser mais informações e reflexões, temos regularmente atualizado sobre o conteúdo e a tramitação do PL 478/2007 no site do Brasil sem Aborto www.brasilsemaborto.com.br 

Zenit - Na sua opinião, como é que o Movimento Pro Vida no Brasil poderia unificar mais as forças nas estratégias de trabalho?

Lenise Garcia: É necessário sempre muito diálogo, e a compreensão de que não precisamos pensar igualmente em todos os aspectos.   É natural que haja divergências quanto ao que se considera a melhor estratégia, mas não se pode impor o próprio ponto de vista como se fosse o único modo de abordar o assunto. Como comentei, o Brasil sem Aborto é supra-partidário e supra-religioso, e isso naturalmente implica um grande pluralismo interno. Também por isso focamos na promoção e defesa da vida desde a concepção, não abarcando outras pautas, em si importantes, mas que podem fugir ao consenso. Unidade não é uniformidade, e nem sempre a divergência é problema. Pelo contrário, penso que a divergência em pontos não essenciais é fundamental para o amadurecimento democrático. O pluralismo é também manifestação da riqueza e beleza da vida. 

sexta-feira, 17 de maio de 2013

3º Colóquio sobre Santo Agostinho



Dia 22/06/2013 - Sábado - Das 9h às 12h - Entrada Gratuita

Palestras

- Tempo e eternidade em Agostinho: uma análise do livro XI das Confissões. 
Fábio Lampert (FSB - Iniciação científica e Mestrando da University of Florida)


- O retorno da criatura par Deus segundo Santo Agostinho.
Prof. Dr. Joel Gracioso (FSB e CEA)

Realização 

Faculdade de São Bento - FSB
Centro de Estudos Agostinianos - CEA

Local

R. Dona Brígida, 671 - Vila Mariana - SP
Informações: 11-3328-8796 (com Priscila)

10 citações de Che Guevara que a esquerda prefere não falar



O único Che Guevara bom é um Che Guevara morto.

Da próxima vez que seu filho chegar em casa em uma camiseta do  Che Guevara, pergunte-lhe se ele sabe que o assassino cubano realmente representava. Faça-o se sentar, fale com ele, tire as vendas da ignorância de seus olhos e mostre-lhe estas citações Guevara.

Em seguida, queime a maldita camiseta.

1. “Louco de fúria, mancharei de vermelho meu rifle estraçalhando qualquer inimigo que caia em minha mãos!  Com a morte de meus inimigos preparo meu ser para a sagrada luta, e juntar-me-ei ao proletariado triunfante com um berro bestial!”

2. “O ódio cego contra o inimigo cria um impulso forte que quebra as fronteiras de naturais das limitações humanas, transformando o soldado em uma eficaz máquina de matar, seletiva e fria. Um povo sem ódio não pode triunfar contra o adversário. “

3. “Para mandar homens para o pelotão de fuzilamento, não é necessário nenhuma prova judicial … Estes procedimentos são um detalhe arcaico burguês. Esta é uma revolução!”

4. “Um revolucionário deve se tornar uma fria máquina de matar motivado pelo puro ódio. Nós temos que criar a pedagogia do Paredão!” (O Paredão é uma referência para a parede onde os inimigos de Che eram mortos por seus pelotões de fuzilamento).

5. “Eu não sou o Cristo ou um filantropo, velha senhora, eu sou totalmente o contrário de um Cristo … eu luto pelas coisas em que acredito, com todas as armas à minha disposição e tento deixar o outro homem morto, de modo que eu não seja pregado numa cruz ou qualquer outro lugar. “

6. “Se qualquer pessoa tem qualquer coisa boa para dizer sobre o governo anterior, para mim é bom o suficiente matá-la.”

7. Che queria que o resultado da crise dos mísseis em Cuba fosse uma guerra atômica. “O que nós afirmamos é que devemos proceder ao longo do caminho da libertação, mesmo que isso custe milhões de vítimas atômicas”.

8. “Na verdade, se o próprio Cristo estivesse no meu caminho eu, como Nietzsche, não hesitaria em esmagá-lo como um verme.”

9. “Deixe-me dizer, correndo o risco de parecer ridículo, que o verdadeiro revolucionário é guiado por grandes sentimentos de amor.”

10. “É muito triste não ter amigos, mas é ainda mais triste não ter inimigos.”



por Emerson de Oliveira | Logos Apologética Cristã
via I Hate the Media


+ Leia mais sobre a farsa histórica chamada Che Guevara

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Os Israelenses: pessoas comuns em uma terra extraordinária



Israel é um pequeno país que abriga 0,11% da população do mundo, mas, ainda assim, capta grande parte da atenção dos meios de comunicação de todos os continentes. Cada um tem seu ponto de vista sobre esse pedaço de terra e ninguém pode ser considerado completamente certo ou errado. Mas, e seu povo? Como os israelenses veem Israel?

As respostas são variadas e  foram reunidas aqui, em um dos livros mais originais sobre Israel em décadas. Descubra os mundos em colisão, em que uma mistura surpreendente de 7,2 milhões de pessoas, sejam elas devotas tradicionais ou radicalmente modernas, vivem e, mais importante ainda, convivem. Você conhecerá judeus árabes que fugiram de países islâmicos; etíopes que usam dreadlocks e cantam reggae em hebraico; cristãos em Nazaré, que publicam revista de moda de estilo árabe; jovens muçulmanos de Israel que sabem mais sobre o judaísmo do que a maioria dos judeus da diáspora e tantos outros personagens e suas culturas.

Os israelenses é um entrelaçamento de centenas de histórias pessoais, costuradas por pesquisas abrangentes, que mostra um povo alegre, algumas vezes irreverente, porém sempre fascinante.


***


"Todos deveriam ler esta obra de Donna Rosenthal! É refrescante ler um livro sobre pessoas comuns, religiosos e seculares, judeus e árabes, colonos e suicidas - Eles estão todos aqui e em suas próprias palavras." 

-David Lennon, Financial Times

"Rosenthal, escreveu o que eu acredito que seja o melhor livro sobre os israelenses em décadas." 

-David Aikman, da revista Time 

"Um livro maravilhoso!. Bem pesquisado, equilibrado, é uma alegria lê-lo. Nos dá uma imagem de Israel que só um jornalista esplêndida como a autora pode expor. Este é um dos melhores livros que li em muito tempo." 

-Amir D. Aczel, The New York Times

"O olhar jornalístico afiado de Donna Rosenthal presenteia os leitores com um livro raro. Uma obra objetiva e imparcial da vida em Israel hoje" 

Halstuk-Martin, professor de Jornalismo, da Penn State University



Sobre a autora


Donna Rosenthal foi produtora de televisão em Israel, repórter da rádio Israel e do The Jerusalem Post e professora da Universidade Hebraica. Fez reportagens sobre o Irã, o Líbano, o Egito e Jordânia e foi a primeira jornalista a viajar para as remotas aldeias nas montanhas da Etiópia e apresentar aos ouvintes de rádio israelenses os judeus rezando nas sinagogas pela emigração para Israel. Venceu três prêmios Lowell Thomas e já viajou para mais de 60 países. É mestre em Relações Internacionais (Oriente Médio) pela Escola de Economia de Londres.


Ficha técnica

Título: Os Israelenses: pessoas comuns em uma terra extraordinária
Autora: Donna Rosenthal
Editora: Évora
ISBN: 978-85-63993-53-3
Páginas: 520
Ano: 2013






Pelo Mundo



A “Bíblia” alcançou 2.544 diferentes línguas, das sete mil existentes na Terra. Em 2012, foram 27 novas edições das Sagradas Escrituras, em idiomas como o balanta (Senegal) e o paranan (Filipinas) e no dialeto mardini (Turquia). Segundo o Relatório Mundial de Tradução de Escrituras, a maior quantidade de traduções, com 745 idiomas, foi para o continente africano, seguido pelo asiático, com 619. Nas Américas, foram realizadas 516 traduções.

Fonte: IstoÉ
Imagem: Internet

terça-feira, 14 de maio de 2013

Mais Lobão e menos Chico Buarque


A voz rebelde de Lobão é uma rajada de ar fresco que respiramos na asfixia do politicamente correto

Rodrigo Constantino | O Globo


“A bundamolice comportamental, a flacidez filosófica e a mediocridade nacionalista se espraiam hegemônicas. Todo mundo aqui almeja ser funcionário público, militante de partido, intelectual subvencionado pelo governo ou celebridade de televisão, amigo”. É o músico Lobão com livro novo na área. Trata-se de “Manifesto do Nada na Terra do Nunca”, e sua metralhadora giratória não poupa quase ninguém.

Polêmico, sim. Irreverente, sem dúvida. Mas necessário. As críticas de Lobão merecem ser debatidas com atenção e, de preferência, isenção. O próprio cantor sabia que a patrulha de esquerda viria com tudo. Não deu outra: fizeram o que sabem fazer, que é desqualificar o mensageiro com ataques pessoais chulos, com rótulos como “reacionário” ou “roqueiro decadente”. Fogem do debate.

Lobão tem coragem de remar contra a maré vermelha, ao contrário da esquerda caviar, a turma “radical chic” descrita por Tom Wolfe, que vive em coberturas caríssimas, enxerga-se como moralmente superior, e defende o que há de pior na humanidade. No tempo de Wolfe eram os criminosos racistas dos Panteras Negras os alvos de elogios; hoje são os invasores do MST, os corruptos do PT ou ditadores sanguinários comunistas.

O roqueiro rejeita essa típica visão brasileira de vitimização das minorias, de culpar o “sistema” por crimes individuais, de olhar para o governo como um messias salvador para todos os males. A ideia romântica do “Bom Selvagem” de Rousseau, tão encantadora para uma elite culpada, é totalmente rechaçada por Lobão.

Compare isso às letras de Chico Buarque, ícone dessa esquerda festiva, sempre enaltecendo os “humildes”: o pivete, a prostituta, os sem-terra. A retórica sensacionalista, a preocupação com a imagem perante o grande público, a sensação de pertencer ao seleto grupo da “Beautiful People” são mais importantes, para essas pessoas, do que os resultados concretos de suas ideias.

Vide Cuba. Como alguém ainda pode elogiar a mais longa e assassina ditadura do continente, que espalhou apenas miséria, sangue e escravidão pela ilha caribenha? Lobão, sem medo de ofender os “intelectuais” influentes, coloca os pingos nos is e chama Che Guevara pelos nomes adequados: facínora, racista, homofóbico e psicopata. Quem pode negar? Ninguém. Por isso preferem desqualificar quem diz a verdade.

Lobão, que já foi cabo eleitoral do PT, não esconde seu passado negro, não opta pelo silêncio constrangedor após o mensalão e tantos outros escândalos. Prefere assumir sua “imbecilidade”, como ele mesmo diz, e mudar. A fraude que é o PT, outrora visto como bastião da ética por muitos ingênuos, já ficou evidente demais para ser ignorada ou negada. Compare essa postura com a cumplicidade dos “intelectuais” e artistas, cuja indignação sempre foi bastante seletiva.

Outra área sensível ao autor é a Lei Rouanet, totalmente deturpada. Se a intenção era ajudar gente no começo da carreira, hoje ela se transformou em “bolsa artista” para músicos já famosos e estabelecidos, muitos engajados na política. Lobão relata que recusou um projeto aprovado para uma turnê sua, pois ele já é conhecido e não precisava da ajuda do governo. Compare isso aos ícones da MPB que recebem polpudas verbas estatais, ou que colocam parentes em ministérios, em uma nefasta simbiose prejudicial à independência artística.
O nacionalismo, o ufanismo boboca, que une gente da direita e da esquerda no Brasil, também é duramente condenado pelo escritor. Quem pode esquecer a patética passeata contra a guitarra elétrica que os dinossauros da MPB realizaram no passado? Complexo de vira-latas, que baba de inveja do “império estadunidense”. Dessa patologia antiamericana, tão comum na classe artística nacional, Lobão não sofre. O rock, tal como o conhecimento, é universal. Multiculturalismo é coisa de segregacionista arrogante.

No país do carnaval, futebol e novelas, onde reina a paralisia cerebral, a mesmice, o conformismo com a mediocridade, a voz rebelde de Lobão é uma rajada de ar fresco que respiramos na asfixia do politicamente correto, sob a patrulha de esquerdistas que idolatram Chico Buarque e companhia – não só pela música.

Em um país de sonâmbulos, anestesiados com uma prosperidade ilusória e insustentável; em um país repleto de gente em busca de esmolas e privilégios estatais; em um país sem oposição, onde até mesmo Guilherme Afif Domingos, que já foi ícone da alternativa liberal, rendeu-se aos encantos do poder; o protesto de Lobão é mais do que bem-vindo: ele é necessário. Precisamos de mais Lobão, e menos Chico Buarque.

Rodrigo Constantino é economista


Carecemos de gigantes



E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros. (2 Timóteo 2.2).

por Luiz Fernando dos Santos | Ultimato 

Hoje vamos falar um pouco sobre a “era” dos “Pais da Igreja”. 

Na verdade, excetuando-se a “era” apostólica, as demais sempre trazem em si mesmas traços de outros tempos. Assim, o martírio, grandes pastores e grandes teólogos, confessores da fé e etc estão presentes, graças a Deus, em quase todos os turnos desta duas vezes milenar história da Igreja de Cristo em peregrinação rumo ao Reino definitivo. 

A “era” dos “Pais da Igreja” é a que marca a penetração e a solidificação do Evangelho nas estruturas do vasto império romano e no caldeirão cultural do oriente médio. Este período se inicia no apagar das luzes do século primeiro com Policarpo de Esmirna e se encerra com a morte de João Damasceno em meados do 7º século da era cristã, a grosso modo. Alguns critérios são necessários para que alguém seja arrolado como um “Pai da Igreja”: 

1. Antiguidade: como já vimos, são homens e mulheres que militaram na igreja até o século VII. 

2. Santidade de vida: Permaneceram na Igreja em meio a perseguições, debates calorosos, insurgência de perniciosas heresias e de muitas outras adversidades, mas conservaram sua alma em estado de progressiva santificação, servindo suas vidas de exemplo a serem imitados no seguimento do Cordeiro. 

3. Ortodoxia: permaneceram fiéis à sã doutrina, apegados ao ensinamento bíblico, combateram e rejeitaram as heresias. Eram amantes e defensores do Evangelho puro e simples e pela pureza de usos e costumes na vida e disciplina da Igreja.

4. Obras: seus escritos, seus sermões, sua teologia e organização litúrgica e eclesiástica, bem como o padrão credal exposto e ensinado em forma de catequeses, são documentos comprobatórios de que foram relevantes para o “tradicionamento”, isto é, a transmissão da fé, bem como o seu desenvolvimento dogmático, sistemático e a colocação de marcos regulatórios, que conservaram a genuinidade da fé cristã frente aos erros e as confusões dos inimigos do Cristianismo. 

Mormente estes homens (e não poucas mulheres) lidaram com as mais perniciosas heresias: Docetismo, Modalismo, Patripassionismo, Arianismo, Gnosticismo, Pelagianismo, Monofisismo e etc (apenas para citar as mais conhecidas). Estas heresias eram erros e mentiras grosseiras contra o ser e o caráter de Deus e de seu Filho. Ora propunham que o Cristianismo era uma religião de aparências e sem consistência histórica. Ora negavam a divindade ou a humanidade de Cristo. Ora negavam a realidade do pecado ou a necessidade da graça e do sacrifício de Cristo. Estas heresias trouxeram grandes dissabores e até sanguinolentas guerras para dentro da igreja. Perseguições, penas capitais, desterros, famílias dilaceradas, e claro, muitos que apostaram de modo definitivo pondo a perder também de maneira definitiva a sua alma no inferno. 

Em sua grande maioria estes “Pais da Igreja” (Policarpo, Inácio, Irineu, Basílio de Cesareia, Gregório de Nissa, Gregório de Nazianzo, João Crisóstomo, Cipriano, Ambrósio, Agostinho, Hilário de Poiters, Cesário de Arles, Cirilo de Alexandria, Clemente Romano e tantos outros) eram iminentíssimos pastores à frente de venerandas igrejas: Roma, Alexandria, Antioquia, Jerusalém, Constantinopla, Milão e toda a África Proconsular Romana, como Cartago e Hipona. Viviam o dia a dia de seus filhos espirituais e conheciam as suas lutas. Eram homens de profunda erudição, de oração e contemplação. Com fantástica capacidade para a reflexão, escrita, pregação e ensino. Não viviam o divórcio entre Teologia e Púlpito tão inconvenientemente presente em nossos dias. Eram homens profundos. Apesar de militarem nas alturas da fé cristã, como homens de igreja que eram, resolviam as questões mais pertinentes e centrais para a paz e a harmonia da igreja pelo método conciliar. É assim que assistimos os monumentais Concílios da Antiguidade: Niceia: 20/05 a 25/06 de 325; Constantinopla: maio a junho de 381; Éfeso: 22/06 a 17/07 de 431; Calcedônia: 08/10 a 01/11 de 451; Constantinopla II: 05/05 a 02/06 de 553; Constantinopla III: 07/11 de 680 a 16/09 de 681 e, finalmente, no ocaso desta grande era: Niceia II: 24/09 a 23/10 de 787. 

Que coisas podemos aprender desta gloriosa “era” da Igreja? Voltemos todos ao amor e ao zelo pela beleza da sã doutrina, sempre apegados às Escrituras. Rejeitemos todo modismo doutrinal, litúrgico e moral quando não em conformidade com o que a Bíblia ensina ou quando dela podemos inferir com segurança. Amemos a Igreja e sejamos zelosos por sua pureza na vida, nos costumes na adoração. Oremos para que Deus envie novamente “gigantes” sobre a terra devastada da Igreja que nos guiem pelos caminhos da verdade e da paz.

Rev. Luiz Fernando dos Santos é o pastor-mestre da Igreja Presbiteriana Central de Itapira (SP).

domingo, 12 de maio de 2013

Calados pela diversidade



Além do sufoco infantil, o sufoco da opinião. O respeito à diversidade é alçado, então, ao estatuto de lei universal, inviolável. Como diante de uma regra imutável, enxergar o diverso como algo tolerável deixa de ser uma questão de opção e valores e passa a ser mandamento

por Fábio Blanco

A diversidade é uma santa imaculada, louvada, venerada por todos os adeptos da "igreja do pensamento que não desagrada ninguém". Segunda a doutrina dessa comunidade amorfa, inócua e desinteressante, toda manifestação cultural deve ser valorizada, nenhuma cultura pode ser considerada superior e, principalmente, toda cultura deve ser respeitada, ainda que sua prática seja absurda ao observador.

Segundo esse pensamento, assuntos como os de algumas comunidades indígenas, por exemplo, que enterram crianças vivas, simplesmente porque não nascem fisicamente perfeitas, ficam, segundo a ideologia da diversidade, automaticamente isentos de crítica. Não importa que tais práticas sejam uma afronta ao bom senso e a uma mínima noção de humanidade; não cabe falar nada contra elas.

Além do sufoco infantil, o sufoco da opinião. O respeito à diversidade é alçado, então, ao estatuto de lei universal, inviolável. Como diante de uma regra imutável, enxergar o diverso como algo tolerável deixa de ser uma questão de opção e valores e passa a ser mandamento. Ter o diferente como mal, inferior, prejudicial não apenas é visto como um ato de intolerância, mas começa a tornar-se um crime contra a humanidade. Se não gosta, cale-se e veja o diverso divertir-se às custas de seu silêncio forçado.

A diversidade assume então o status de valor em si. Falar algo depreciativo do outro torna-se blasfêmia sujeita à reprovação e excomunhão praticada pelos asseclas vociferantes dessa entidade, dessa deusa, que tem recebido cada vez mais louvores e oferendas. Criticar o diferente é pecado, e mortal.

Mas quem são os diferentes protegidos? Na verdade, são aqueles escolhidos segundo o interesse da ideologia. A matança infantil indígena é diferente, a feitiçaria africana é diferente, a poligamia e pedofilia islâmicas também são diferentes e, por isso, falar algo contra essas chamadas "manifestações culturais" é crime.

Mas veja que, quando a diversidade, por si mesma, passa a ser inviolável, não apenas a cultura estrangeira é cercada com muros inexpugnáveis, mas as próprias manifestações internas, em sua infinita diversidade, ainda que se choquem com os padrões construídos dentro da própria cultura. Assim, qualquer atitude humana, mesmo que seja uma afronta ao bom senso, às tradições e à própria percepção de natureza de um povo, fica colocada fora do campo da crítica, permanecendo guardada das palavras contrárias.

O que é isso senão a imposição de uma mordaça absoluta? E o que é isso senão o próprio fim da civilização como a conhecemos? E o que é isso senão o fim da religião mesma? Ora, toda a construção civilizacional e religiosa fora erguida sobre a crítica, a dialética e a dissonância. Sem isso, nada se teria feito. Se desde sempre os homens não pudessem expor suas visões discordantes, viveríamos ainda nas cavernas.

Nem Marx sobreviveria, nem Napoleão permaneceria. Principalmente eles fincaram seus pés sobre a rejeição do passado, sobre à crítica às tradições. Podemos concluir, portanto, que se os pais revolucionários vivessem hoje, não seriam o que foram, pois seriam sufocados pelo politicamente correto e pela proibição à crítica.

Mas as coisas não são tão simples assim. Em primeiro lugar, essa onda politicamente correta tem raízes muito mais profundas que alcançam exatamente aqueles revolucionários citados. Se hoje há uma ditadura contra a opinião, isso nada mais é do que o fruto do totalitarismo plantado também por eles.

Em segundo lugar, mesmo Napoleão e Marx teriam voz nos dias de hoje. Sabe por quê? Porque as coisas que eles criticaram são os únicos objetos de crítica permitidos: o cristianismo, o capitalismo, a tradição e a moral. Se tudo está protegido pela couraça do politicamente correto, estas manifestações citadas e seus correlatos: o homem branco, a heterossexualidade, a família e os valores espirituais se encontram fora dessa rede de proteção. Nada pode ser mal, exceto estas formas de cultura. Um índio pode matar uma criança, mas um cristão não pode dizer que o homossexualismo é um erro. Um africano pode fazer feitiços contra qualquer um, mas um crente não pode orar pedindo bênçãos para Deus. Um homossexual pode invadir um culto de uma igreja evangélica, lugar privado, e afrontar as crenças dela se agarrando diante de todos, mas um pregador não pode, em praça pública, afirmar que um gay está em pecado. Uma mulher pode reclamar pelo direito de matar fetos, mas ninguém pode mandá-las calarem suas bocas. Os brancos precisam arcar com os custos de uma escravatura secular, enquanto os negros não pagam nada pela escravatura empreendida por eles mesmos. O capitalista pode ser demonizado como avarento e explorador, enquanto líderes socialistas, ainda que usufruindo de vidas nababescas, obtidas por meio da exploração de povos inteiros, são tidos por heróis.

Há dezenas de outros exemplos que poderiam ser citados, mas esses bastam para mostrar que se o politicamente correto impõe o "cale-se" a quase todos, ficam de fora exatamente aqueles que livremente podem criticar os calados. E se um dia esses calados desaparecessem, a utopia seria alcançada: um mundo onde ninguém critica ninguém, onde nada é discutido, onde nada é melhorado. Como na música do John Lennon, uma mundo sem religião onde todos vivem como um só. Um lugar eternamente inerte. Na verdade, uma exata descrição do Inferno.

sábado, 11 de maio de 2013

Paz no Brasil ?!



O brasileiro é sempre um bonzinho. Somos o povo mais sorridente do planeta, esse eterno país da micareta, apesar dos 50 mil assassinatos produzidos por ano, sem precisar de guerra civil nem de terrorista muçulmano.

Pelas estatísticas mundiais, para haver guerra civil, é necessário matar, pelo menos, uns 10 mil.

Uma pechincha comparada ao montante macabro do nosso número imbatível: 50 mil, 50 mil, 50 mil!

E terrorista? Quem, por aqui, precisa de terrorista?

Terrorista é coisa pra amador.

O Brasil é só para profissionais.

O Brasil é o Terror!

O Brasil é o Terror!

Trecho do livro Manifesto do Nada na Terra do Nunca, de Lobão

quinta-feira, 9 de maio de 2013

A pedra do Anjo Gabriel


Considerado o mais importante achado arqueológico na região desde a descoberta dos Manuscritos do Mar Morto, a Pedra da Revelação do Anjo Gabriel pode agora ser vista pelo público pela primeira vez, como a peça central de uma exposição no Museu de Israel, em Jerusalém, desde 1º de maio de 2013. A inscrição do primeiro século a.C, descoberta em 2007 na região do Mar Morto, destaca a vida espiritual na época do Segundo Templo. 

A exposição “Eu sou Gabriel” irá dar maior contexto e informar ainda mais sobre as inscrições da Pedra da Revelação, através de uma série de manuscritos raros antigos – incluindo um fragmento dos Manuscritos do Mar Morto e do Codex de Damasco do século 13 – traçando o desenvolvimento da figura do Anjo Gabriel em todo os primeiros anos do judaísmo rabínico, o cristianismo e o islamismo. A Revelação do Anjo Gabriel reflete a atmosfera messiânica, a angústia sobre o destino de Jerusalém, e o novo papel dos anjos como intermediários, que caracterizaram a orientação espiritual de judeus na época do Segundo Templo. Escrita em tinta sobre pedra, um achado único, o texto hebraico é escrito em primeira pessoa e o narrador identifica-se como o Anjo Gabriel.

Mais informações no site www.imj.org.il
via Pletz